Os benefícios de um bom crédito e o que fazer na falta dele

Uma das dificuldades que encontramos quando tentamos entender o sistema de gerenciar negócios na América é como obterCartões de crédito crédito e qual o limite para o uso desse crédito.

A primeira impressão é que, nos Estados Unidos, tudo é comprado com crédito, que ninguém é dono de nada, somente de uma farta lista de credores. De “mortgages” a cartões de crédito, parece que tudo é financiado. Na verdade, tudo pode ser financiado. Porém, não é verdade que todos os americanos estão endividados.

 Aqueles que tiverem contato com os vendedores de carros podem sentir claramente a tendência de financiamento maior para os carros de menor valor. Os de luxo e de maior prestígio são, na maioria das vezes, comprados à vista.

Isso acontece com os imóveis, porém, precisa-se entender o que facilita e o que ajuda o proprietário do imóvel a ter financiamento ao invés de comprar à vista. O imóvel poderá ser comprado à vista e, depois, financiado. Para esse caso, é muito importante que o comprador tenha bom crédito, chamado de “credit score”. Quanto maior esse crédito, menores os juros e as dificuldades na sua obtenção.

Um mecanismo que me surpreendeu foi como um investidor usou o dinheiro: ele comprou sua casa de quase $3 milhões à vista. Depois, refinanciou $2.5 milhões e comprou um fundo de ações em um grande banco. Agora, ele usa as ações que possui como colateral para uma linha de crédito que compra e vende imóveis e outros bens.

Analisando a operação, vamos sentir três pressões de ganhos contra uma de pagamento de juros: primeira, valorização do imóvel comprado por $3 milhões; segunda, o crescimento do valor das ações, que teve média de 12% em 10 anos, terceira, os ‘fix and flip’, imóveis comprados em más condições e reformados antes de vender. Esse caso é mais comum do que parece. São muitos os consultores e investidores que encorajam o alavancamento do investimento. Talvez, seja uma condição para que a economia cresça sempre.

Na América, o “credit score” será muito importante durante a vida financeira. Para a realização da aplicação citada, você é obrigado a ter uma história de crédito bem construída e administrada. Os especialistas na área dão como preponderante alguns fatores:

  1. Abrir diversas linhas de crédito, começando com valores pequenos:
  • cartão de crédito.
  • cartão de loja;
  • financiamento de um auto;
  • financiamento de casa.
  1. Não fazer muitas aplicações para crédito. Evitar ficar pedindo crédito:
  • média de 4 a 5 consultas por ano é usualmente o limite de crédito a pedir.
  1. Não deixar nenhum pagamento atravessar o mês do vencimento:
  • pagar dentro do mês, alguns dias de atraso não agridem o seu crédito. Nunca deixar para o mês seguinte.
  1. Evitar ao máximo pagar o mínimo dos pagamentos de cartão de crédito:
  • entre não pagar e pagar o mínimo, é melhor pagar o mínimo, porém, o ideal é nunca usar mais que 40% do limite do seu crédito;
  • é importante usar o limite, mesmo que seja um pouco, para mostrar habilidade em pagar pontualmente;
  • o limite do crédito é sempre aumentado quando o usuário não o usa todo.
  1. Acompanhar, algumas vezes, o seu crédito durante o ano:
  • pela lei, você tem direito a um “credit report” de graça uma vez ao ano;
  • se puder comprar de uma das agências, o acompanhamento mensal é ilimitado e você poderá saber o que relatam no seu crédito;
  • acompanhando, você pode acertar informações erradas, alterar endereços, local de trabalho e dados pessoais;
  • verificar, com esse monitoramento, quais medidas afetam positiva e negativamente seu crédito.
  1. Não deixar que problemas jurídicos acabem com seu crédito:
  • procure não deixar de pagar hospitais e agências relacionadas à saúde, pois eles são os primeiros a colocar seu nome entre os maus pagadores. Mesmo quando você tem certeza de que o cobrado é injusto;
  • em certos casos, é melhor gastar pequena quantia com advogados para ajudá-lo a disputar a conta do que deixar que ela fique unilateralmente na mão dos cobradores que destroem seu crédito.
  1. Evitar ao máximo fechar as primeiras linhas de crédito que conseguir:
  • as agências verificam o tempo que você tem de crédito;
  • uma pessoa com crédito bom tem em média 11 anos desde seu primeiro crédito. Portanto, nada de fechar a conta do pequeno crédito do início, somente porque ele tinha valor muito baixo;
  • o tempo de seu último empréstimo também conta muitos pontos a seu favor. Programe-se para fazer novos financiamentos com intervalos de pelo menos 1 ano, o que mostra que você não pede muitas linhas de crédito.

Evidente que um consultor da área lhe prestará melhores e mais esclarecimentos, mas a ideia é mostrar a força de um bom crédito para gerenciar investimentos e negócios.

Em se tratando de negócios comerciais, trabalhe para que seja um ‘non recource mortgage’, pois o empréstimo, em hipótese alguma, recairá sobre o seu crédito pessoal.

O que fazer para obter financiamento com um baixo crédito ou sem crédito.

  1. Privite investors ou investidores privados: baseado em um bom projeto e “marketing plan”, são comuns os investidores apostarem razoáveis quantias em novos projetos ou em projetos que são da sua área de especialidade. Temos uma infinidade de exemplos desse tipo de aplicação. Hoje, há pelo menos 2700 agentes registrados nos Estados Unidos, buscando negócios para investidores que esperam retorno maior do que aqueles oferecidos pelos bancos e não querem se sujeitar ao mercado de ações, no qual devem ter passado maus momentos recentemente.
  1. Private Lender: um bom agente de “mortgage” conta sempre com privite investors e hard money lenders, vale a pena consultar esse profissional. O “hard money” é um dinheiro mais caro que os bancos cobram, mas juros de 12% eram bem normais no mercado há bem pouco tempo. Hoje, você compensa a diferença em pressionar o vendedor a abaixar o preço na hora da venda e assim recuperar o excesso de juros pagos.
  1. Lease Back: outra modalidade para levantar capital quando se tem o imóvel pago é através do “lease back” ou do “lease option”. Muitas vezes, é preciso investigar os custos reais dos juros sobre o dinheiro que está usando para saber se um “buy back” ou “lease back” não é mais inteligente.
  1. Angel Money Lender: para novos projetos e novas ideias, buscar um “Angel Money Lender” é caminho bem acessível para um primeiro negócio, ou para abrir um negócio que tem uma ideia nova. Esses investidores ou emprestadores sabem do risco maior em fazer empréstimos dessa categoria, mas tem dinheiro em fundo perdido, doado por entidades interessadas em fomentar a economia. Não é complicado, porém é específico. Tem que preencher certos requisitos.
  1. SBA Loans: para a compra de negócios já funcionando, mesmo com crédito ruim, os agentes do SBA tentam ajudar com fórmulas que podem financiar até 90% da compra, incluindo aí também capital de giro, matéria prima e equipamento. É realmente ótima fonte e, se bem usada, alavanca muito a empresa.

 É impossível “cobrir” todas as possibilidades e todas as áreas em um artigo de jornal, mas a ideia é informar sobre a vantagem de ter crédito e as possibilidades de sobreviver sem ele.

Antonio Romano
www.atlanticexpress.com
antonioromano@gmail.com