Os bateristas são mais inteligentes? Sim!

Os bateristas são mais inteligentes? Sim!

Foto destaque: Billy Cobham é considerado um dos maiores bateristas de todos os tempos

Edição de dezembro/2018 – p. 42

O baterista é o músico mais inteligente da banda? O que vinha sendo apontado apenas como hipótese antes de estudos conclusivos, agora é fato: sim, os bateristas são diferenciados das demais pessoas. O site de notícias PolyMic compilou vários estudos e pesquisas neurocientíficas, todos apontando que os bateristas não só são os mais inteligentes, como tornam toda a gente à sua volta mais inteligente também.

Baterista X Ciência

Cientistas do Instituto Karolinska, em Estocolmo, constataram que depois de tocarem uma série de batidas, os bateristas que demonstraram manter o ritmo foram os que obtiveram melhores resultados num teste de inteligência aplicado com 60 perguntas. Não suficiente, cientistas relacionaram que a habilidade de utilizar as várias partes de um kit de bateria simultaneamente se relacionam diretamente com habilidades intrínsecas para resolução de problemas. Pesquisa realizada na Universidade de Psicologia de Washington obteve resultado similar, quando concluiu que seus alunos tiveram melhores notas depois de uma terapia rítmica.

Desde a década de 90 estudos referentes ao assunto comprovaram que o trabalho com ritmo pode melhorar as capacidades de quem o executa, e a partir de então a comunidade científica passou a se interessar mais e mais pelo assunto.

David Eagleman, neurocientista que atua como professor adjunto da Universidade de Stanford, afirmou recentemente que o cérebro de um baterista é diferente do de outras pessoas. Eagleman realizou inúmeros testes com bateristas profissionais no estúdio de Brian Eno. Segundo informações, foi Eno quem teorizou que os bateristas têm uma composição mental única. Declarou Eagleman que, ‘Eno estava certo: os bateristas têm cérebros diferentes dos demais’. O teste de Eagleman mostrou uma enorme diferença estatística entre o tempo dos percussionistas e o dos participantes. ‘Agora sabemos que há algo anatômico diferente sobre eles. Sua capacidade de manter o tempo lhes dá uma compreensão intuitiva dos padrões rítmicos que eles percebem ao seu redor’, conclui Eagleman.

Bateria e Bem Estar

Estudos realizados na Universidade de Oxford descobriram que os bateristas produzem o ‘drummer’s high’, que é basicamente uma alta carga de endorfina. A ‘droga’ é produzida apenas por pessoas que tocam instrumentos de percussão e bateria, e é capaz de promover felicidade e ampliar os limites de suporte a dor. Segundo pesquisadores, essa euforia rítmica pode ter sido fundamental na humanidade, na hora de estabelecer comunidades e construir uma sociedade.

Os mesmos resultados relacionados a satisfação, interação social e bem-estar são encontrados em depoimentos de pessoas que praticam o Drum Circle. Originário nos Estados Unidos na década de 60, o Drum Circle reúne grupos de pessoas, não necessariamente musicistas, para a prática de ritmos. Ainda segundo pessoas que participam de Drum Circles, benefícios como a melhora da coordenação motora, da qualidade do sono e da autoestima são os mais comuns com a prática regular do Drum Circle.

Instrumentos de percussão que podem ser utilizados para Drum Circle

Drum Circle

O Drum Circle é composto por um grupo informal de pessoas que se reúnem para fazer música com instrumentos de percussão. Os participantes sentam-se dispostos em círculo com seus respectivos instrumentos, que podem ser basicamente tambores e shakers. Eles ouvem o que o condutor toca, reproduzindo os ritmos tocados ou criando linhas rítmicas paralelas sugeridas pelo condutor. A proposta do Drum Circle não é voltada a educação musical. O principal objetivo é fazer com que as pessoas toquem coletivamente, ou seja, a interação é indispensável uma vez que o objetivo é a sonoridade do grupo. O Drum Circle pode ser aplicado como entretenimento ou com finalidades terapêuticas. Em ambos os casos os resultados obtidos são extremamente positivos.

Pulso Interno X Metrônomo

Especialistas afirmam que quando um baterista comete um erro ao executar alguma figura rítmica, ele na verdade está tocando de acordo com o ritmo natural da Terra. Isso quer dizer mais precisamente que o relógio interno de um baterista não se move linearmente como um metrônomo, mas sim em ondas. Este padrão de ritmo em forma de onda é o mesmo encontrado em ondas cerebrais humanas, como a frequência cardíaca do sono. Portanto, o desafio dos bateristas está em conciliar o movimento linear de um metrônomo com o movimento em ondas de seu´metrônomo´interno.

Enquanto a ciência busca respostas para uma infinidade de perguntas sobre o assunto, os bateristas comemoram. Afinal de contas, eles agora estão no topo da lista dos músicos mais inteligentes.