Os 10 golpes on-line contra pequenos negócios

Os 10 golpes on-line contra pequenos negócios

Edição de junho/2016 – pág. 30 e 31

Insisto sempre em um ponto: “Se tem polícia é porque tem ladrão”. E, infelizmente, aqui tem muita polícia. Por isso, compartilharei, com os leitores do jornal “Nossa Gente”, o estudo das 10 formas mais frequentes das empresas sofrerem golpes por meio da Internet, realizado pela “How Staff Works”, que serve principalmente para os pequenos empresários – sempre correndo com os negócios e com tempo reduzido para pesquisar as formas mais comuns dos golpes contra os que trabalham. As pequenas empresas e as novas são as maiores vítimas por ainda não ter todas as proteções, sejam eletrônicas, sejam por material humano.

1. Malware (programas maliciosos)

O pior golpe online envolve aquele que compromete informações dos negócios, dos donos e dos funcionários. Esse não é um golpe por si só, mas é, muitas vezes, o resultado de muitos dos golpes que estamos aqui discutindo. Os golpistas podem enganar diretamente as empresas sem dinheiro oferecendo informações de como obtê-lo, ou também podem fazê-lo indiretamente por meio de colocação de vírus na rede de uma empresa.

Um esquema de phishing (indução a clicar), por exemplo, pode servir a um propósito duplo: induzir os empresários a clicar em um link dentro de um e-mail pode levá-los a um local onde eles vão digitar informações pessoais sensíveis, e/ou o próprio link pode inserir um vírus nos computadores da empresa. Malware pode vir disfarçado, como um download em um e-mail de alguém que você conhece. Esse golpe também é dado por telefone: os golpistas têm por norma chamar as pessoas ao telefone, dizendo que são do suporte técnico da Microsoft ou do suporte técnico de um provedor de Internet, e pedir acesso a redes de computadores. Se for bem-sucedido, o céu será o limite para o golpista.

2. Contas Falsas

Alguns golpistas aproveitam-se da grande quantidade de contas legítimas a pagar para tentar incluir uma conta falsa. Esse é mais um golpe antigo obtendo uma nova vida on-line e, provavelmente, o mais simples de qualquer item desta lista. Esses golpistas não têm que anunciar, enviar e-mails maliciosos ou apresentar aulas falsas ou publicações. Tudo o que fazem é enviar faturas falsas para um monte de pequenas empresas, sentar e esperar o dinheiro chegar.

Pensa-se que as grandes corporações são melhores alvos para este golpe. Quanto mais pessoas, departamentos e documentos envolvidos no processamento das contas, mais fácil será passar alguma conta falsa, perdida na burocracia. Grandes empresas costumam ter tanto dinheiro que algumas centenas de dólares – aqui e ali – dificilmente são notadas; além disso, eles também têm contadores treinados, salvaguardas e equipes jurídicas. Pequenas empresas, com baixa segurança, menor poder legal e contadores que estão sobrecarregados (e talvez não treinados profissionalmente), são presas mais fáceis para contas falsas. A taxa de sucesso não precisa ser grande – se os golpistas obtiverem apenas alguns cheques, a tentativa já valeu a pena. E o trabalho deles é mínimo!

3. Golpe da Vaidade

Alguém está querendo-lhe dar um troféu? Ótimo! Somente tenha cuidado para descobrir se não estão atrás de taxas de afiliação ou outro pedido de dinheiro. O chamado “golpe da vaidade” é uma estratégia de negócios que o golpista utiliza, jogando com suas emoções. Nesse caso, ele trabalha com seu orgulho e vaidade, duas características que normalmente os empresários tentam manter ocultos. Esses golpes acumulam uma ajuda extra de constrangimento no topo da vergonha de ser ingênuo, porque só se admite que isso aconteceu em um momento de fraqueza (mesmo que momentânea).

Veja como o golpe da vaidade age quando usado contra um pequeno empresário. Receber-se-á um e-mail com uma oferta muito emocionante, geralmente um prêmio ou a perspectiva de ser incluído em algum tipo de “Quem é quem?”. Finalmente, todo o seu trabalho duro foi reconhecido! Gente como você, eles realmente gostam de você! Tudo que se tem a fazer é pagar uma taxa para ser incluído ou para receber o prêmio – que poderia ser mostrado como uma “adesão anual” em um determinado clube.

Isso deve aparecer em seu caminho. Talvez um anuário possa valer uma taxa, mas nem todos os prêmios anuários devam cobrar uma premiação. De qualquer forma, leia as entrelinhas e pesquise. Uma rápida olhada no Google – ou checar com o “Better Business Bureau” – irá dizer-lhe rapidamente se a oferta é legítima ou não, muitas são as chances que não seja.

4. Pagamentos Indevidos

O golpe dos pagamentos indevidos “overpayment” existe mesmo antes da Internet e encontrou um caminho novo dentro da era digital. Esse golpe é outro clássico consagrado pelo tempo, foi renovado e é bem-sucedido no mundo online. Como funciona? Uma empresa (normalmente pequena e aparentemente vulnerável) recebe um cheque de um comprador, geralmente de um item caro. Mas, de repente, há um engate – o comprador preencheu o cheque com um valor maior do que a quantia correta. Para evitar fazer outra operação, o comprador pede que o cheque seja depositado e a “diferença” depositada para eles por meio de um cabo. Todos nós sabemos aonde isso vai dar, certo? Os cheques são devolvidos, a transferência bancária não poderá ser rastreada, o golpista é indetectável e o proprietário da empresa, além de tudo, ficará responsável pelas taxas bancárias.

Golpes de pagamentos indevidos são bastante fáceis de evitar com algumas precauções. A política de não aceitar cheques instantaneamente resolveria o problema, bem como a empresa evitar fazer transferências bancárias. Se existe a necessidade de aceitar cheques por alguma razão, sempre peça todas as informações do contato do comprador e, em seguida, verifique, ou melhor, trate com clientes que possuam cheque de um banco local. Espere os cheques serem compensados antes de usar os fundos e, acima de tudo, nunca aceite um cheque com valor maior do que o acordado.

5. Phishing/Smishing

Hackers usam e-mails e mensagens de texto muito semelhantes (porém falsos) para ganhar acesso a informações confidenciais. Phishing (e-mail) e smishing (mensagem de texto) – nomes engraçados que soam inocentes – são golpes odiosos, usando mensagens de e-mail e texto para enganar as pessoas e conseguir informações pessoais sensíveis. Cair em um deles pode resultar no roubo de identidade, vírus de computador ou outros resultados desastrosos.

Ambos podem ter como alvos qualquer pessoa ou negócio. Todos podem ser vítimas (proprietários de pequenas empresas são as vítimas mais comuns). O método básico é um e-mail ou uma mensagem de texto com um dos dizeres: “Seu cartão de crédito foi roubado; sua conta bancária, bloqueada; uma queixa foi apresentada contra você no “Better Business Bureau”. O e-mail pretende vir de um negócio respeitável que provavelmente é usado com regularidade, e a língua e os gráficos parecem legítimos e oficiais à primeira vista. Depois, se é convidado a entrar em um link e digitar as informações pertinentes: número de senha pessoal, nome de usuário, número de seguro social, para restaurar a conta ou ajudar a acertar as falhas. Então, o inferno acontece. Se o que receber parece questionável, pegue o telefone e ligue para seus contatos, verificando o e-mail ou a mensagem de texto.

6. Aulas sobre Negócios

Aulas sobre negócios não devem ser difíceis de serem vendidas, fique de olho para altas taxas de inscrição e a forma de indução como tática de venda. Quando se está lendo um site que se refere a como iniciar um pequeno negócio, sempre aparecem anúncios para programas de treinamento e seminários. Essas empresas prometem transformar o seu negócio e, portanto, a sua vida, se você só aceitar o conselho… e dar-lhes o seu dinheiro.

A marca registrada de golpes de negócios on-line (e a maioria dos golpes em geral) é a exigência de taxas iniciais, e os seminários de aconselhamento de negócios não são diferentes. O que os diferencia são as somas exorbitantes que alguns acabam cobrando quando tudo for descrito – às vezes, na casa das centenas de milhares de dólares. Eles também têm outras péssimas características: jogam com as emoções e induzem as pessoas a usá-los mais vezes e voltar outras. Se alguém está lutando para iniciar um negócio e as coisas não vão bem, esses golpistas jogarão com seu desespero, prometendo o objetivo final: uma nova vida cheia de sucesso e livre de preocupações.

Claro, há muitas empresas honestas, treinadores de negócios eficazes no mercado, mas pode ser difícil distinguir o bom do mau, especialmente quando as emoções estão envolvidas e as apostas são tão altas. As bandeiras vermelhas são muitas, e os cuidados a tomar são os mesmos com qualquer esquema, porém, cuidado com as taxas, telefonemas constantes, ofertas acima do que precisa e táticas de vendas de alta pressão, assim como com pessoas que prometem coisas que provavelmente não podem entregar.

7. Expertos em aumento de tráfego nos veículos de pesquisas (Search Engine Optimization – SEO)

SEO é de vital importância para qualquer empresa, porém ‘expertos’ desonestos podem ainda superfaturar e não entregar o que prometem. Como em qualquer negócio, ele pode ser lento no início, quando se está começando uma empresa online. Seu mercado-alvo pode levar um longo tempo para encontrá-lo e pode parecer que o tráfego nunca vai chegar, não importa quais os métodos que usar para atingir os clientes. Se você não tem tráfego, não pode melhorar seus rankings do “Search Engine”. E, se não tiver posicionamento bom em um veículo de busca confiável, nunca vai obter mais tráfego. Em desespero, muitos donos de empresas voltam-se para Search Engine Optimization, empresas e consultores (SEO), que ficarão felizes em intervir e ajudar – a uma taxa substancial -, é claro. E não importa se SEO não funciona tão bem quanto costumava funcionar.
SEO já foi uma ferramenta bastante eficaz. Os “expertos” irão mexer com os sites para torná-los atraentes nos todo-poderosos veículos de busca, bombardear com muitas palavras-chave, adicionando vídeos e outros periféricos (alguns visíveis, outros não) – essencialmente, para artificialmente inflar os números. Essas alterações também tendem a tornar a experiência do usuário menos agradável, pois se está disposto a fechar os olhos para isso. Mas o Google, que naturalmente foi descobrindo o esquema, introduziu um algoritmo em 2012, que poderia detectar os sites que estavam tentando enganar o sistema. Expertos SEO (com má reputação) ainda existem, tanto para a venda de serviços já desatualizados, quanto esperando que donos de empresas não percebam que o sistema deles não é tão eficiente. Um experto honesto irá discutir os recursos legítimos, bem como as limitações atuais de SEO.

8. Esquema de Pirâmides

Criminoso russo e ex-político, Sergei Madrodi, montou uma série de esquemas de pirâmides – também conhecidas como MMM. Esquemas de marketing em multinível têm história longa e carreiras lendárias. São geralmente um subconjunto do “trabalho de casa” de golpes (“venda direta” é muitas vezes a palavra-chave) que oferecem somas quase inacreditáveis de dinheiro em troca de uma quantidade mínima de trabalho. Há uma abundância de empresas de marketing multinível legítimos lá fora – Avon e Tupperware são dois grandes -, mas a Internet também está repleta de golpes que podem acabar por custar caro, capazes inclusive de deixá-lo com problemas legais.

Há dois aspectos que formam a estrutura de marketing das empresas multiníveis: vender um produto ou serviço e recrutar novos membros para o crescimento da pirâmide. Vergonhosos esquemas de marketing multinível de má reputação tendem a induzir ao recrutamento de novos membros ao invés de vender o produto real. Não é um bom sinal passar a maior parte do tempo tentando atrair outras pessoas para participar ou não estar totalmente certo de que o produto oferecido existe realmente no mercado. Se houver pouco ou nenhum treinamento focado no recrutamento de novos membros ou se paga para “subir” um nível, caia fora enquanto dá tempo.

9. Comprador Misterioso

O legítimo Comprador Misterioso age em anonimato como um controlador de qualidade para as empresas. Mas golpistas tentam recrutar pessoas assim por uma taxa. O cliente misterioso é um desdobramento muito comum do esquema de “trabalhar-de-casa”. Há pessoas que adorariam ganhar seu sustento enchendo envelopes no sofá ou enviando cartas-corrente de seu escritório (dentro da própria casa). Alguns de nós já nascem para fazer compras. Quem não gostaria de passar seus dias no shopping e ganhar dinheiro? Infelizmente, isso pode ser mais um caso de “bom demais para ser verdade”.

A boa notícia é que a “compra misteriosa” é um trabalho real. Há muitas empresas respeitáveis de compradores misteriosos que empregam pessoas para avaliar anonimamente lojas, restaurantes e outras empresas, agindo como um cliente. O segredo é eliminar os golpistas, pois há muitos. Felizmente, isso é muito fácil de fazer. Todos os golpes têm as mesmas manobras básicas. No entanto, a regra número 1 é esta: se for convidado a pagar uma taxa de inscrição, recuse qualquer contrato na hora. Seja cauteloso com empresas que pretendem pagar por hora (cliente misterioso é pago pelo trabalho) ou que anunciam posições de tempo integral (esse trabalho é sempre parcial). Melhor ainda, pesquise com a entidade que associa as empresas, “Mystery Shopping Providers Association”.

10. Trabalhar de Casa

Trabalhar de casa! Conseguir toneladas de dinheiro! Isso realmente parece ser muito bom para ser verdade (esse golpe é antigo). Originalmente anunciado nos versos de revistas e em postes, encontrou uma nova vida na Internet, tentando atrair otários. O bom senso diz que, provavelmente, não dá para “fazer” $ 5.000/por mês enchendo envelopes no conforto da própria casa. Entretanto, se procura emprego durante meses e realmente precisa de dinheiro, o bom senso pode abandoná-lo. E é o que acontece quando se responde a um desses anúncios.

Esse golpe varia bastante de formato. Envelope para enchimento é o mais antigo, mas o faturamento médico, montagem de escritórios, digitação e marketing multinível também são comuns. Realmente não importa qual é o trabalho anunciado, o que importa é que os golpistas ganharão seu dinheiro sobre a taxa que vão exigir (para um “starter kit”, software ou uma lista de clientes potenciais). Pode-se, ainda, ser solicitado a ligar para um número 1-900 (e pagar por isso, é claro). Seja qual for o caso, depois de pagar e começar, algo inevitavelmente dará errado (a lista de clientes é falsa, eles não lhe enviarão o software). Infelizmente, alguém ficará um pouco mais pobre.