Obama tenta conter a fúria republicana e rebate críticas

Obama tenta conter a fúria republicana e rebate críticas

imigracao2aDesde que oficializou a Ordem Executiva, no último dia 20 de Novembro, mudando os rumos da imigração no país, que o Presidente Barack Obama vem recebendo ameaças por parte de uma oposição enfurecida. É o pano vermelho estendido para o touro na arena política, e a retaliação republicana aperta o cerco, mas os Democratas se unem, na tentativa de fortalecer a iniciativa da Casa Branca, que aliviou milhões de indocumentados do medo da deportação. “Nosso sistema de imigração está quebrado há muito tempo e todos sabem disso”, justificou Obama durante discurso. “Não podemos mais esperar”. No Congresso aumenta a oposição dos Republicanos e vários estados estão entrando com ações executivas contra o DAPA. Alguns brasileiros sentiram o beneficio da medida que irá ajudar apenas 22% dos brasileiros ilegais, segundo o “PEW Research Center”. O “Department of Homeland Security” (DHS) se prepara para atender a demanda, contratando cerca de 1.000 funcionários para agilizar as aplicações. Mas é preciso cuidado, alertam os ativistas de imigração, pois os oportunistas entram em cena na tentativa de ludibriar os imigrantes, portanto, consulte um advogado de imigração ou os centros de ajuda aos imigrantes para evitar as enganações.

A maioria dos beneficiados da Ordem Executiva de Barack Obama são os mexicanos e centro-americanos. Entre os brasileiros, cuja população irregular nos EUA soma aproximadamente 100 mil pessoas, 22% (ou 22 mil) estão entre as que podem ficar livres da deportação pelas novas medidas. As informações são do “Pew Research Center”. Os brasileiros estão entre o menor grupo entre os beneficiados. Somando-se aos que já eram protegidos por programas prévios, a porcentagem de brasileiros sobe para 31%, ou 31 mil pessoas. Levando-se em conta todos os sul-americanos, 37% (ou 275 mil) estão agora mais distantes da deportação, tanto por conta da medida assinada por Obama quanto pelas iniciativas humanitárias prévias. As estimativas são feitas com base em dados demográficos de 2012. Atualmente, estima-se que 11,2 milhões de imigrantes vivam ilegalmente nos Estados Unidos.

Depois do México, cuja população de indocumentados é estimada em quase 6 milhões, vem El Salvador, com 675 mil; Guatemala, com 525 mil; Índia, com 450 mil; Honduras, com 350 mil; Filipinas, com 200 mil; e Coréia, com 180 mil. Depois, a lista segue com República Dominicana (170 mil), Colômbia (150 mil), Equador (130 mil), Canadá (120 mil), Peru (120 mil), Haiti (110 mil) e Brasil, (100 mil).

O “Department of Homeland Security” está em processo de contratar mil trabalhadores em tempo integral para atender as ações executivas anunciadas por Barack Obama. De acordo com comunicado interno, o “U.S. Citizenship and Immigration Services” está contratando mil posições em tempo integral em um novo centro operacional em Washington, D.C. Muitas das vagas foram postadas no dia depois que Obama anunciou que irá oferecer autorização de trabalho e status temporário legal para quase 5 milhões de imigrantes indocumentados. Enquanto as mudanças ainda estão sujeitas a batalhas legais e no Congresso, as posições de trabalho indicam que a administração estava bem preparada para entrar em ação com as ordens. As posições variam entre assistentes especiais e oficial de serviços de imigração, com salários que chegam a $157 mil por ano.

Em um boletim, o USCIS informou que abrirá mil vagas em tempo integral e permanentes, em uma variedade de posições em um novo centro que será aberto em “Crystal City”, na Virgínia, próximo a Washington, DC.

Orientação aos imigrantes

Em eventos em várias instituições, advogados e especialistas têm se reunido com imigrantes indocumentados, ansiosos para saber se seus quadros se encaixam nas novas medidas anunciadas por Barack Obama. “Não há nada para preencher no momento. Você não deveria estar pagando nada a nenhum advogado no momento”, alertou Laura Rotolo, advogada no “American Civil Liberties Union of Massachusetts”. Para tirar dúvidas, encontros acontecem nas igrejas, centros comunitários e mesmo na Prefeitura de Boston. Advogados estão a postos se preparando para pegar novos casos, mas ativistas de imigração insistem que imigrantes desesperados não caiam nas mãos de pessoas que posam como experts legais.

Como muitos imigrantes têm casos complexos, como a entrada ilegal, histórico criminal que pode ou não desqualificá-los para as novas medidas. A “American Immigration Lawyers Association” recomenda que todos os imigrantes busquem esclarecimentos de um advogado de confiança. Em programas de rádio, os ativistas estão sugerindo que imigrantes reúnam documentos e informações para as suas aplicações, incluindo certidão de nascimento e passaportes para a identificação, além de evidências que demonstrem a sua presença nos Estados Unidos desde 1º de janeiro de 2010.

Flórida se opõe a Obama

“Essa ação judicial não tem a ver com imigração. Ao invés disso, tem a ver com o Presidente Obama que novamente ultrapassou o poder concedido a ele pela Constituição dos Estados Unidos”, escreveu a promotora pública geral da Flórida, Pam Bondi, anunciando que o estado entraria no processo judicial contra a Ordem Executiva de Obama, que afastaria, temporariamente, o risco de deportação de milhões de imigrantes indocumentados. Dos 18 estados envolvidos na ação, todos possuem governadores ou promotores públicos republicanos. Entretanto, a Flórida é o único colégio eleitoral com uma imensa população latina, fazendo com que a decisão de Bondi influencie a campanha presidencial em 2016. Através de um comunicado, ela alegou que o processo não tinha a ver com política e sim com o fato de Obama ignorar o Congresso e agir unilateralmente.

Os Democratas disseram que Bondi está levando os Republicanos a terem problemas com os hispânicos que os rejeitaram na última campanha presidencial e tendem a fazer o mesmo novamente. O governador republicano, Rick Scott, ficou fora do assunto e transferiu as perguntas para o escritório da promotora pública. O pronunciamento de que a Flórida se juntou ao processo judicial ocorreu no dia seguinte que legisladores na Câmara dos Deputados, controlada por Republicanos, se uniram a alguns Democratas conservadores e votaram contra a Ordem Executiva de Obama.

“Qualquer administração futura que tente punir as pessoas por fazerem a coisa certa, eu acho, não teria o apoio do povo americano”, rebateu Obama. O Presidente falou que o seu sucessor não poderia anular suas ordens executivas, pois isso acarretaria em consequências políticas graves. “O próximo presidente não se atreverá a assumir o risco político que ele correria se revertesse a recente ação executiva na reforma imigratória”, desafiou Obama.

Os legisladores do Partido Republicano (GOP) prometeram lutar contra a ação executiva nos tribunais, como fizeram pelo menos 18 estados, que já acionaram judicialmente Obama. Os legisladores republicanos argumentam que as ações do presidente colocam os americanos seguidores da lei em desvantagem durante um período que a economia permanece frágil.

“Mais de 200 mil residentes no Tennessee continuam sem trabalho, mas ao invés de priorizar a dificuldade enfrentada por eles, o presidente está colocando à frente os interesses daqueles que burlaram as leis. Por que os residentes desempregados têm que competir com imigrantes ilegais por trabalho? Por que esses que burlaram nossas leis vêm aqui e são recompensados enquanto muitos aqui esperam legalmente? Isso é errado e o presidente não possui a autoridade de mudar as leis migratórias sem o Congresso”, disse a deputada republicana Diane Black, do Tennessee. “A administração Obama tem sido um desastre e não vejo a hora de ela acabar, mas, por enquanto, trabalharei com os meus colegas no Congresso para lutar contra o abuso de poder do presidente”, complementou.

Tirando dúvida do DAPA

Para que não haja dúvida, o programa DAPA é parecido com o “Deferred Action for Childhood Arrivals (DACA)” em alguns aspectos importantes, entretanto, seus critérios de elegibilidade são distintos. Com data prevista para iniciar aproximadamente em maio de 2015, o DAPA estará aberto para indivíduos que:

  • Possuem filho(s) que seja(m) cidadão(s) norte-americano(s) ou residente(s) permanente(s) (portadores do green card) nascidos antes de 20 de novembro de 2014;
  • Residem continuamente nos EUA antes de 1 de janeiro de 2010 (mínimo 5 anos);
  • Estavam presentes fisicamente nos EUA em 20 de novembro de 2014 e no momento da aplicação;
  • Tinham o status migratório irregular em 20 de novembro de 2014;
  • Não possuem antecedentes criminais.

Os benefícios do DAPA terão a validade de 3 anos. O programa estará pronto para receber aplicações em 180 dias (Maio 2015).