Obama recorre à Suprema Corte para revogar suspensão

Obama recorre à Suprema Corte para revogar suspensão

Em meio ao embate imigratório o “Jornal Nossa Gente” ouviu o conceituado advogado Walter Santos, em Orlando, que alerta e dá dicas imprescindíveis

Walter Santos
Walter Santos

A ação judicial contrária à Ordem Executiva, decretada em novembro de 2014 pelo Presidente Barack Obama, que beneficiará cerca de quatro milhões de indocumentados, permanece vigente após três juízes do tribunal de apelações do 5º distrito votara favor da manutenção da suspensão. Apenas um dos três juízes votou pela remoção da suspensão. Com isso, o governo Obama apela à Suprema Corte para que analise a questão e revogue a suspensão impetrada pelo Juiz Andrew S. Hanen, do Distrito Sul do Texas, apoiado por 26 estados. A medida de Obama, segundo os estados, é inconstitucional. A Casa Branca alega que o presidente agiu dentro de seus poderes para “acertar um sistema de imigração arruinado”. Em meio ao impasse, que deixa imigrantes na fila de espera, a equipe do “Jornal Nossa Gente” conversou com o conceituado advogado de Imigração, Walter Santos, da “Santos Law Firm”, em Orlando, para ouvir a sua opinião. Enfático, o advogado ressaltou a tentativa do presidente em restabelecer os devidos direitos, diante de um Congresso arredio e moroso. “O presidente Obama fez o que pôde, mas esbarrou em um Congresso que não agiu como deveria. Agora são nove juízes da Suprema Corte que vão analisar a medida. A questão ainda é uma incógnita”, ressalta.

“A Ordem Executiva impede que os pais imigrantes, com filhos que nasceram nos Estados Unidos, sejam deportados. O governo entende que os filhos precisam dos pais e a deportação é prejudicial nesse sentido. Ele quer reunificar as famílias. O governo tem pressa e quer que seja revogada a ação judicial. Ele argumenta que o Estado não tem poder e pede a anulação da liminar. Houve um retrocesso no benefício aos indocumentados, pois a Ordem Executiva entraria em vigorem fevereiro deste ano para os filhos, e no mês de maio para os pais”, comenta Walter. E quanto ao número crescente de deportações no governo Obama, segundo estatísticas, explicou Santos que, “muitas dessas pessoas deportadas tinham envolvimento com drogas e assassinatos. E não foi um problema do governo Obama, mas a eficácia do trabalho da Imigração. O número crescente de deportados, segundo apontam as estatísticas, foi à capacidade de atendimento da Imigração. Todos os dias tem gente entrando ilegalmente no país, têm novos processos. São casos que prolongam por muitos anos. É uma série de situações complexas que não se resolve em curto prazo”, argumenta.

Perguntado sobre a chegada constante de brasileiros a Orlando,com intuito de recomeçar uma nova etapa de vida, disse Walter Santos que o Brasil é um “exportador” de pessoas. “E não seria agora que os emigrantes brasileiros deixariam de tentar a sorte nos Estados Unidos. O Brasil tem essa característica, de exportar pessoas. O sistema social e político no Brasil vem se deteriorando. A Saúde não melhorou, a Economia estagnou-se. O índice de violência cresceu e a corrupção é vergonhosa. A presidente (Dilma Rousseff) envolvida com corruptos, o Presidente da Câmara Federal (Eduardo Cunha) também é corrupto. E com a alta do dólar, ao contrário do que se pensa, muitos brasileiros que moravam em Orlando foram embora. Pessoas que viviam aqui com recursos do Brasil deixaram o país. Tornou-se insustentável manter-se no país. Na fase do dólar baixo e a Economia estável no Brasil, era muito mais fácil conciliar as coisas”, relata.

“Aumentou o número de interessados no visto para empresas – L1 -, mas hoje o sistema está muito mais rigoroso porque a imigração constatou que houve fraudes e o controle passou a ser austero. E se o investidor não tiver uma empresa forte no Brasil, com porte de sustentação à empresa que pretende abrir nos Estados Unidos, fica difícil qualquer tipo de negociação”, alerta Santos. “Eu tenho conversado com as pessoas que me procuram e que almejam abrir negócios aqui sobre controle da imigração. O investimento é a expansão comercial de algo que deu certo no Brasil e que irá expandir-se aqui. Procuro orientar os empresários de como investir de forma correta no país. Muitos brasileiros no passado estiveram nas mãos de milagreiros, que prometiam o infundado. Essas pessoas até conseguiam entrar com o processo, mas eram planejamentos errados, com consequências desastrosas no futuro”.

E quanto ao contingente de brasileiros na fila de espera pelo green card e que apostam nos benefícios da Ordem Executiva, disse o advogado que muitos que continuam aguardando, acreditando no benefício, podem não receber. “O índice de indocumentados é grande. Têm casos em que a pessoa a ser beneficiada com green card, através de um parente, continua no país quando deveria estar aguardando no Brasil. É preciso preservar a legalidade ao máximo. Ficar aqui durante o trâmite é ilegal. Não se deve fazer coisas erradas. Aqui não é o Brasil”, enfatiza. “Esse negócio de jogar com a sorte tem de ser evitado. Nesse país tudo é planejado. E se a pessoa aguarda resposta de um pedido de legalização, melhor retornar ao Brasil e esperar por lá. É o certo”, avisa.

E ao mencionar o nome do pré-candidato à Presidência dos EUA, o republicano Donald Trump, que tem atacado os imigrantes, defendendo posicionamentos polêmicos, Walther foi incisivo: “Trump tem semeado o ódio e a discórdia, criando sentimentos de xenofobia. Colocar na presidência um homem com falta de bom senso é irrelevante. Ele não se curva a nada e a ninguém. Tem outros interesses e não está preocupado com imigrantes. Imagina ele na presidência (ironiza), levaria o país à guerra”.

Natural de São Paulo, Walter Santos estudou Direito na PUC (Pontifícia Universidade Católica), onde também fez Mestrado e deu aulas. Ele chegou aos EUA em 1999, se formando pela Barry University, em Orlando.É casado e tem uma filha. Voltado para a causa dos emigrantes brasileiros, explica que “já passei por tudo o que muita gente vem me procurar.Os advogados americanos de imigração desconhecem os problemas enfrentados pelos imigrantes porque nasceram aqui e nunca sentiram na pele o que essas pessoas vivenciam. Uma questão que requer empenho e conhecimento de causa”, comenta. Ao ser indagado sobre o Brasil e com que olhos ele vislumbra o país, a resposta foi imediata: “Vejo o Brasil com descrença. Quando deixei o país já estava descrente com tudo o que estava acontecendo lá. Em pensar que o Brasil é o quinto maior país em extensão territorial, com recursos naturais, temperatura perfeita e praias belíssimas. Hoje a corrupção impera e não há perspectivas de melhoras a médio prazo. Não tenho crença no Brasil”, finaliza.

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