Obama apresenta nesta terça visão sobre reforma migratória nos EUA

Obama apresenta nesta terça visão sobre reforma migratória nos EUA

Pronunciamento vem um dia após propostas de comissão bipartidária do Senado.

O presidente dos Estados UnidosBarack Obama deve divulgar nesta terça-feira (29) as suas propostas de reforma migratória. O líder americano já frisou que reformar as leis que regem o tratamento dados a imigrantes no país é uma das prioridades de seu segundo mandato, segundo o O Globo.

Na segunda-feira, no primeiro exemplo concreto da renovada simpatia em Washington para reformar as leis americanas de imigração, um grupo de senadores dos partidos Democrata e Republicano apresentou um rascunho para basear as discussões sobre uma possível reforma migratória.

O principal pilar da proposta, segundo um comunicado de cinco páginas enviado à imprensa antes do anúncio, é a criação de um caminho para legalizar os cerca de 11 milhões de imigrantes indocumentados que vivem no país, desde que antes entrem em vigor medidas de reforço à fiscalização interna e das fronteiras.

A Casa Branca saudou a iniciativa bipartidária dos senadores dos dois partidos.

Propostas
Prevê-se a destinação de mais recursos para as fronteiras, tanto de pessoal quanto de ‘última tecnologia’ – como aviões não tripulados. Além disso, seriam postos em prática controles de saída mais rigorosos, a fim de evitar que estrangeiros permaneçam no país após a expiração dos seus vistos.

Cumpridos esses objetivos, os imigrantes indocumentados precisariam se registrar junto ao governo, pagar qualquer imposto ou multa devida, e só então entrar em um período probatório antes de alcançar o status legal.

O documento menciona a necessidade de os indocumentados entrarem ‘no fim da fila’ da legalização, como qualquer outro candidato, e aprenderem inglês e história americana.

Mas o processo seria mais rápido para os indocumentados mais jovens – hoje uma força significativa na política americana – ou que façam trabalho agrícola, onde a mão de obra é essencialmente estrangeira.

No futuro, os senadores querem permitir a vinda de imigrantes com base nas necessidades da economia americana, porém acopladas a verificações mais rigorosas de status migratório por parte dos empregadores, para combater a mão de obra ilegal.

A ideia é que os resultados sejam avaliados por comissões formadas por autoridades políticas e policiais, e líderes comunitários nos Estados de fronteira com o México.

Entendimento político
O grupo de oito senadores que apresentou a proposta na segunda é formado pelos democratas Charles Schummer (Nova York), Robert Menendez (Nova Jersey), Richard Durbin (Illinois) e Michael Bennet (Colorado), e os republicanos John McCain e Jeff Flake (Arizona), Lindsey Graham (Carolina do Sul) e Marco Rubio (Flórida).

‘Reconhecemos que o nosso sistema de imigração está com problemas’, disseram os senadores na apresentação da proposta.

‘Nossa legislação reconhece essa realidade, finalmente destinando recursos necessários para patrulhar as fronteiras, modernizar e tornar o nosso sistema legal de imigração mais eficiente, ao passo que se cria um programa rigoroso, porém justo de legalização para os indivíduos que já vivem aqui.’

Os congressistas se comprometem a ‘assegurar-nos de que esta seja uma reforma migratória permanente, que não precise ser revista’.

A proposta acolhe a visão democrata de uma legislação que abra as portas da legalização para todos os imigrantes – e que seja votada de uma só vez – e a reivindicação republicana de policiamento mais efetivo. O rascunho poderia começar a ser discutido no Senado já na primavera.

Além disso, um outro grupo de senadores democratas e republicanos está trabalhando em um projeto para duplicar o número de vistos temporários concedidos para imigrantes qualificados (vistos H-1B) e elevar o número de green cards, ou autorizações para residência nos EUA.

O presidente Barack Obama apresentará suas próprias propostas sobre o assunto em um discurso nesta terça-feira em Las Vegas.

Pressão popular
Analistas consideram que a reforma migratória foi uma aspiração que ‘saltou’ das urnas nas eleições de novembro de 2012.

Os latinos, que hoje compõem cerca de 10% do eleitorado americano, votaram em massa pelos democratas, vistos como simpáticos à reforma migratória, e penalizaram os republicanos, vistos como linha-dura no assunto.

‘Veja as últimas eleições: estamos perdendo dramaticamente o voto latino, que achamos que deveria ser nosso’, disse o senador republicano John McCain em uma entrevista à rede de TV ABC no domingo.

‘Não podemos ignorar para sempre 11 milhões de pessoas vivendo nas sombras neste país, ilegalmente.’

No ano passado, Obama soube capitalizar eleitoralmente com a ordem executiva que permitiu a legalização temporária para jovens trazidos para os EUA pelos seus pais quando crianças – conhecidos aqui como ”dreamers”, ou sonhadores.

Uma proposta de legalização definitiva através do Congresso – o chamado Dream Act – está parada há mais de dez anos por obstrução dos republicanos.

Nas atuais propostas em estudo, o caminho para a cidadania aberto aos ‘sonhadores’ é mais rápido que para outros imigrantes. Senadores como Marco Rubio, um dos talentos em ascensão no partido republicano, defendem uma legalização mais penosa e lenta para o resto.

Entrevistado no mesmo programa da ABC – This Week with George Stephanopoulos – o democrata Robert Menendez disse que qualquer proposta de reforma da imigração deve abrir a possibilidade de legalidade não apenas para os mais jovens, mas para todos os 11 milhões de indocumentados que vivem no país.

‘Primeiro, os americanos apoiam (a legalização)’, disse o senador. ‘Segundo, os eleitores latinos a esperam. Terceiro, os democratas querem. E quarto, os republicanos precisam’, resumiu.