O valor da educação

O valor da educação

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MAIO/2015 – pág. 50

“Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” – Paulo (I Coríntios, 3:16)

momento_espiritualO Espiritismo é essencialmente pedagógico, verdadeira obra de educação. Não é uma doutrina salvacionista que se preocupa só em “salvar as almas”. A Doutrina Espírita propõe a educação. Educar é desenvolver as potencialidades do ser. Diferente de “instruir” que significa receber de fora as informações, os conhecimentos.

O Espírito possui, desde seu início, todas as qualidades boas do saber e das virtudes. Mas estas qualidades estão em germe para serem desenvolvidas. O Criador quis que esse desenvolvimento, o atualizar da potencialidade, fosse trabalho de cada um, para tanto nos dando os meios necessários e adequados.

A educação assim entendida não se reduz ao processo intelectual, ou ao ensino profissional. Não é só preparar o homem para a vida no plano material. É muito mais, tem por objetivo desenvolver as potencialidades do ser integral, isto é, visa o progresso do Espírito.

Este ideal não surgiu com o Espiritismo. É antigo. Sócrates e Platão já ensinavam de acordo com esses princípios. Jesus, que Orígenes chamava de o Pedagogo da humanidade, como verdadeiro Mestre, nos recomendou: “Buscai em primeiro lugar o reino de Deus e sua justiça, e tudo mais vos será acrescentado”. Como o reino de Deus está em nós (Ele também nos ensinou), buscar o reino de Deus é buscar o desenvolvimento do Espírito, é evoluir. Assim, à medida que resolvemos o problema do Espírito, pela educação, todos os outros problemas se solucionam, naturalmente.

Mas esta educação para a transcendência, para um futuro que transcende a vida na Terra, só tem sentido se tivermos convicção de que a vida realmente continua depois da morte do corpo físico. O Espiritismo nos mostra que a morte é apenas transformação. Pelos fenômenos produzidos pelos Espíritos desencarnados, a Doutrina Espírita nos permite formar a convicção sobre a imortalidade. Agora não apenas cremos, e sim sabemos que a vida continua depois da morte do corpo material, porque as manifestações dos Espíritos nos esclarecem plenamente a esse respeito.

Na questão 799 de “O Livro dos Espíritos”, Allan Kardec indaga: De que maneira o Espiritismo pode contribuir para o progresso? Resposta: “Destruindo o materialismo, que é uma das chagas da sociedade, ele faz os homens compreenderem onde está o seu verdadeiro interesse. A vida futura não estando mais velada pela dúvida, o homem compreenderá melhor que pode assegurar o seu futuro através do presente…”.

E como entender esse desenvolver das potencialidades do ser, se a grande maioria parece mudar tão pouco durante uma existência? Aí entra outra importante contribuição do Espiritismo, esclarecendo-nos que o processo evolutivo se realiza ao longo do tempo, em muitas vidas, neste e em outros mundos, até atingirmos a perfeição relativa para a qual fomos criados. A evolução do Espírito não se dá numa única existência na Terra. Realiza-se ao longo do tempo. Para isto o Espírito tem o seu livre-arbítrio – liberdade de agir, que amplia à medida que ele evolui. Está dentro da lei do progresso e tem o tempo que necessitar. Assim, a meta da educação sofre total modificação. Não é só para a vida material, mas para o futuro, para a transcendência. Essa educação, esse desenvolver das potencialidades do Espírito, finalidade de nossas vidas, requer esforço, trabalho, muita luta, para subirmos a escada do progresso, que é quase infinita. Assim, compreendemos que é possível esse aperfeiçoamento e que ele é o bem maior. A nossa felicidade depende do patamar evolutivo em que nos achamos. Maior a quantidade de degraus vencidos, maior a felicidade. Razão tinha o filósofo quando afirmou: “Saber é o maior bem; todos os males vêm da ignorância”.

Emmanuel (1) esclarece:

“….Interpretemos a dor e o trabalho por artífices celestes do nosso acrisolamento. Educa e transformarás a irracionalidade em inteligência, a inteligência em humanidade e a humanidade em angelitude. Educa e edificarás o paraíso na Terra. Se sabemos que o Senhor habita em nós, aperfeiçoemos a nossa vida a fim de manifestá-Lo.

(1) do livro “Fonte Viva”, cap. 30, psicografado por Francisco Cândido Xavier.

José Argemiro da Silveira
Autor do livro: Luzes do
Evangelho, Edições USE