O que é musicoterapia?

O que é musicoterapia?

Edição de fevereiro/2019 – p. 30 e 32

Musicoterapia é o uso da música para melhorar a saúde ou os desempenhos funcionais de uma pessoa. O musicoterapeuta é um profissional especializado que usa todas as facetas da música (física, emocional, mental, social, estética e espiritual) para ajudar os clientes a melhorar seu funcionamento cognitivo, habilidades motoras, desenvolvimento emocional, comunicação, habilidades sensoriais, sociais e qualidade de vida.

A “musicoterapia neurológica”, um modelo de terapia baseado na neurociência, usa um modelo neurocientífico de percepção e produção musical, e a influência da música nas mudanças em funções não-musicais do cérebro e do comportamento.

Existem dois tipos gerais de musicoterapia:

1. Musicoterapia receptiva, que orienta pacientes ou clientes a ouvir música ao vivo ou gravada, selecionada por um musicoterapeuta.

2. Musicoterapia ativa, às vezes chamada de musicoterapia expressiva, que envolve clientes ou pacientes no ato de produzir música vocal ou instrumental.

Para que serve a musicoterapia?

Alguns empregos comuns da musicoterapia incluem o desenvolvimento da comunicação e habilidades motoras, composição e compreensão auditiva com idosos e relaxamento rítmico para reabilitação física em vítimas de acidente vascular cerebral. A musicoterapia também é usada em alguns hospitais, centros de câncer, programas de recuperação de álcool e drogas, hospitais psiquiátricos, estabelecimentos prisionais e escolas.

Além disso, a musicoterapia é benéfica para qualquer indivíduo, tanto física como mentalmente, através da melhoria da frequência cardíaca, redução da ansiedade, estimulação do cérebro e melhoria da aprendizagem. Também pode ser útil para ajudar os pacientes em muitas áreas, que vão desde o alívio do estresse até neuropatias como a doença de Alzheimer.

Estudos mostram também efeitos benéficos com diferentes transtornos mentais, como ansiedade, depressão e esquizofrenia. A musicoterapia pode ser uma coadjuvante da terapia comportamental, terapia cognitivo-comportamental e terapia psicodinâmica. Ela pode melhorar o humor, diminuir o estresse, a dor, o nível de ansiedade e aumentar o relaxamento. Embora não afete a doença ela pode, por exemplo, ajudar nas habilidades de enfrentamento da doença com mais conforto.

A musicoterapia nas diversas etapas da vida

Recém-nascidos

Bebês prematuros estão sujeitos a inúmeros riscos para a saúde, como padrões respiratórios anormais, diminuição da gordura corporal e do tecido muscular, bem como problemas de alimentação. A coordenação para sucção e respiração ainda não está totalmente desenvolvida, tornando a alimentação um desafio.

Em geral, os recém-nascidos respondem muito bem à musicoterapia aplicada adequadamente em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal, ajudando na recuperação e desenvolvimento dos bebês, porém é necessário empenho e colaboração de uma equipe multiprofissional para o sucesso da terapia musical.

Ela pode ser conduzida por um musicoterapeuta e obedece a alguns critérios principais, tais como:

1. Música ao vivo ou gravada, eficaz em promover a regularidade respiratória, em melhorar os níveis de saturação de oxigênio e diminuir os sinais de desconforto neonatal.

2. Canções de ninar promovem uma melhoria do reflexo de sucção e ajudam a reduzir a percepção da dor pelo bebê.

3. Com uma combinação de canções de ninar e estimulação multimodal, os prematuros recebem alta da unidade de terapia intensiva neonatal mais cedo do que os bebês que não recebem este tipo de terapia.

4. A baixa estimulação sensorial da unidade de terapia intensiva neonatal pode ser compensada pela estimulação musical.

5. O canto dos pais direcionado ao bebê pode promover maior vinculação entre pais e filhos, promover um maior relaxamento do bebê e diminuir a frequência cardíaca de prematuros.

Crianças

Em crianças, a musicoterapia traz múltiplos benefícios para a manutenção da saúde e do impulso para a reabilitação em crianças lesionadas. A musicoterapia, juntamente com outros métodos de reabilitação, aumentou a taxa de sucesso da reabilitação sensitivo-motora, cognitiva e comunicativa. A reabilitação física depende da motivação e sentimentos existentes da criança em relação à música. A música tem, além disso, propriedades calmantes. Por exemplo, um paciente com dor crônica pode desviar a atenção da dor, concentrando-se na música.

A musicoterapia tem também ação benéfica sobre o desenvolvimento senso-motor, o equilíbrio, a locomoção, agilidade, mobilidade, amplitude de movimento, força, lateralidade e direcionalidade. Estímulos rítmicos ajudam o equilíbrio e os treinamentos para aqueles com lesão cerebral.

Cantar ajuda na reabilitação de deficiências neurológicas como apraxia, disartria, distúrbios de controle muscular, afasia e compreensão da linguagem. O canto melhora o pulmão, a clareza da fala e a coordenação dos músculos da fala, acelerando, assim, a reabilitação de deficiências neurológicas. Acredita-se que a musicoterapia seja também útil em crianças incluídas no espectro do autismo, fornecendo estímulos repetitivos que visam “ensinar” ao cérebro outras maneiras possíveis de reagir.

Adolescente

A musicoterapia pode ser usada em distúrbios diagnosticados na adolescência, como transtornos de humor, ansiedade, transtornos alimentares ou comportamentos inadequados, incluindo tentativas de suicídio, afastamento da família, isolamento social de colegas, agressão, fuga e abuso de substâncias. As metas no tratamento de adolescentes com musicoterapia, especialmente para aqueles de alto risco, incluem: maior reconhecimento e conscientização de emoções e humores, melhores habilidades de tomada de decisão, oportunidades de auto-expressão criativa, diminuição da ansiedade, aumento da autoconfiança, melhora da autoestima e aprimoramento das habilidades de escuta.

Dois métodos principais de musicoterapia nessa faixa etária são as reuniões de grupo e as sessões individuais. Ambos os métodos podem incluir ouvir música, discutir sobre as emoções na música, analisar os significados de músicas específicas, compor música, executar música e improvisação musical.

As sessões particulares individuais podem fornecer atenção pessoal e são mais eficazes quando a música usada é a preferida pelo paciente. Usar música com a qual um adolescente pode se relacionar ou se conectar pode ajudar pacientes adolescentes a ver o terapeuta como um adulto seguro e digno de confiança e a se engajar no processo terapêutico com menos resistência.

A musicoterapia conduzida em grupos oferece oportunidades para que um adolescente tenha o sentimento de pertencimento para expressar suas opiniões, aprender a socializar e verbalizar apropriadamente com os colegas, melhorar habilidades comprometedoras e desenvolver tolerância e empatia. As sessões de grupo enfatizam a cooperação e a coesão e podem ser bastante eficazes no trabalho com adolescentes.

Adultos e idosos

Em adultos e idosos, a musicoterapia pode melhorar a frequência cardíaca, a frequência respiratória, a pressão arterial em pessoas com doença coronariana e a recuperação de habilidades motoras nos casos de acidente vascular encefálico.

A doença de Alzheimer e outros tipos de demência estão entre os distúrbios mais comumente tratados com musicoterapia, levando a melhorias da interação social, da conversação e de outras habilidades. Ameniza o comportamento agitado, a perambulação e a inquietação e traz benefícios em relação às alterações cognitivas e do reconhecimento de pessoas. A eficácia do tratamento parece ser dependente do paciente, da qualidade e da duração do tratamento. Em pacientes com doença de Alzheimer, a música tem ainda um efeito calmante e protege o paciente de ruídos avassaladores ou estranhos em seu ambiente.

Na afasia, a música é usada para ajudar nos danos aos hemisférios cerebrais que levam aos defeitos de linguagem. Embora os resultados da musicoterapia na afasia sejam um tanto contraditórios, estudos encontraram, de fato, aumento da ativação do hemisfério direito em pacientes afásicos.
Fonte: www.abc.med.br/p/vida-saudavel/1333688/musicoterapia.htm