O despertar do racismo nos EUA

O despertar do racismo nos EUA

Os tempos são difíceis, a intolerância e a xenofobia estão acirradas no país. É preciso cuidado para não abrir precedentes que façam de você uma vítima de um sistema preconceituoso

Edição de agosto/2017 – pág. 06

Desde a posse de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, o país entrou em colapso ideológico e intolerância, levantando questões polêmicas contra muçulmanos, imigrantes sem documentos, mexicanos e negros. A banalização dos “excluídos”, orquestrada pela fala impulsiva do republicano – manifestações de xenofobia já pontuava os seus discursos de campanha -, acena para uma era sombria, predominada pelo medo.

O fato é que, o que se previu com Donald Trump na Casa Branca, vem acorrendo em ritmo acelerado, desencadeando o ódio entre pessoas, dividindo-as em grupos radicais – pros e contras ao racismo e a homofobia -, em manifestações à luz do dia. Não há o que esconder: ações preconceituosas denotam o passo retrógrado, encorajado pelo prejulgamento.

O que ocorreu na cidade de Charlottesville, no estado da Virgínia, quando ultranacionalistas com inclinação racista e nazista, reclamaram o direito de uma ‘América para os brancos’, foi o estopim. No outro extremo, antirracistas contrapunham ao movimento de supremacistas brancos, originando o confronto. Pessoas foram mortas, manifestantes feridos e o presidente arredio, com um discurso superficial – pressionado Trump se posicionou -, foi o saldo da banalização.

São tempos difíceis no país, em que o cidadão com status de imigrante terá de reeducar os seus hábitos, se proteger em meio a uma avalanche de afrontas, lembrando os anos sessenta, quando os negros andavam na parte de trás dos coletivos, hostilizados pelos brancos.

A xenofobia – aversão a estrangeiros – é tão sagaz quanto qualquer espécie de preconceito. É necessário que a Comunidade Brasileira, a partir de sucessivos atos de intolerância e ataques verbais que ocorrem no país, fique atenta. Ninguém está a salvo de um indesejável ato de provocação, seja no restaurante, na avenida ou na entrada de um shopping. Isso, evidente, poderá resultar em constrangimentos e desordem emocional.

A nova era americana aponta para dias complicados. É certo é que as coisas tomaram um rumo diferente, e que ninguém em sã consciência poderia imaginar. Estar no olho do furacão é perceber que tudo muda a sua volta. E evitar ser apanhado por essa rede de degradação, que nos deixa combalido, é extremamente fundamental.

Paira na atmosfera o medo e a indecisão, diante de pessoas com pendores racistas e preconceituosos que se sentem empoderadas, muito mais fortalecidas desde que Donald Trump assumiu a Casa Branca com um discurso de intolerância e xenofóbico. Foi o republicano que ateou fogo e incendiou ideias torpes, que agora ganham espaço e visibilidade.

Obama rompe silêncio

O ex-presidente Barck Obama rompeu com o silencio, diante de provocações e o ressurgimento acirrado do racismo nos EUA, com declaração de repúdio em seu Twitter. Ele condenou o ato de selvageria durante o confronto entre supremacistas brancos e grupo antirracial na cidade de Charlottesville, que provocou mortes e ferimentos.

“Ninguém nasce para odiar outra pessoa devido à cor da sua pele, o seu passado ou a sua religião. As pessoas aprendem a odiar e, se podem aprender a odiar podem aprender a amar, porque o amor é mais natural no coração humano do que o seu oposto”, dizia  publicação.

Esta citação de Barack Obama foi retirada da autobiografia do livro de Mandela, “Um Longo Caminho Para a Liberdade”, que demonstra o quanto o ex-presidente está ressentido com a onda de ataques racistas que cresce desordenadamente em solo americano.

Segundo o ex-presidente, os negros já sofreram em demasia nos EUA, nos anos de intolerância e humilhação, quando não tinham o direito de usar o mesmo banheiro do americano loiro, de olhos azuis.

São dias conturbados, considera Obama, com o domínio da supremacia branca que se fortalece mediante aos discursos inflamados, intolerantes e preconceituosos de Donald Trump. Ele – o republicano – hostiliza a tudo e a todos, se colocando acima do bem e do mal.

O silêncio de Obama, para os americanos negros, era preocupante. Eles queriam ouvir do ex-presidente uma avaliação sobre os percalços no país, desde que Donald Trump assumiu a presidência em janeiro de 2017, abrindo caminhos para uma era sombria, xenofóbica e de medo.

Como se precaver da intolerância

A pergunta que se faz, diante de situações imprevisíveis, e essa: Como se comportar com quem é intolerante, preconceituoso e homofóbico?

O Jornal Nossa Gente traz a você, leitor, alertas que podem contribuir no seu dia a dia, evitando que você se transforme em vítima do sistema:

  • Jamais reaja a qualquer comentário ou provocação;
  • Se for agredido fisicamente chame a polícia;
  • Se for discriminado, denuncie;
  • Cuide para que seu comportamento não incomode ninguém;
  • Lembre-se que em tempos de intolerância as pessoas podem se sentir atingidas com alguns comportamentos;
  • Não urine em público;
  • Respeite os horários de festas e reuniões com seus amigos;
  • Algumas cidades exigem autorização prévia para festas e celebrações;
  • Cuidado com música alta, gritaria e bebedeiras;
  • Se sujou, limpe;
  • Não estacione em frente a garagens e nem manobre em driveway de ninguém;
  • Você tem direitos, mas respeite o direito dos outros.