O complexo processo de entrar em uma Universidade nos EUA e os passos a serem seguidos

Por Lindenberg Junior

diploma for youO processo de entrar em uma Universidade nos EUA é muito diferente do Brasil e posso dizer que é bem mais complicado, principalmente se o estudante precisar optar por financiar os seus estudos. A média de gastos anuais para se graduar em uma Universidade nos EUA está em torno de US$35 a US$40 mil anuais, dividida em partes como “tution” (ensino), “housing” (dormitório), “food” (alimentação) e “books” (livros).

Sendo brasileiro e tendo chegado aos EUA depois de ter me formado em jornalismo, em Recife, nunca tive que passar por esse processo. Mas vivendo há mais de vinte anos em Los Angeles (Califórnia) e tendo filho americano (*nascido em 1995), fui passo a passo inteirando-me dessa cultura “Going to College”. O ano (*2012) em particular, com o meu filho Giovanni cursando o seu “último ano de High School (Senior Year), tive que, junto com minha esposa Magali, correr atrás e ir à busca de informações adicionais para poder ajudar nosso filho a concretizar seu sonho de entrar em uma universidade de relevância na área de seu interesse – Drama & Performance Arts, e ajudar a nós, no sentido financeiro – já que existem diversas alternativas em relação a financiamento e bolsas de estudos.

Uma das coisas que não concordo no que diz respeito a esse processo “Going to College” é o fato do estudante, que está para entrar na universidade, dar preferência a estudar longe de casa, da cidade que o viu crescer, dos pais e dos próprios amigos. Nos vários livros que já li sobre o assunto, não encontrei nada que dissesse que um garoto de 17 ou 18 anos deva ir para uma Universidade a 1000 milhas de sua casa e com os gastos extras adicionais que isso implicará. Esse é um comportamento americano passado de geração a geração. Uma tática usada para facilitar “novas experiências”, além da prioridade número um de “estudar”? Bem, se você vive nos EUA e já teve filho (a) passando por esse processo, dever saber do que eu estou falando.

especial_universidade_euaMas vamos ao ponto. Por tradição, os pais americanos começam esse processo de busca de informações e visitas a Universidades quando o filho (a) ainda está no ano Junior da “High School” (terceiro ano). Mas existem aqueles que já começam quando o filho é “Sophomore” (cursando o segundo ano) ou até mesmo “Freshman” (ainda no primeiro ano). No meu ponto de visto, no começo do último ano funciona bem, mas precisa de dedicação e tempo para ajudar o seu filho e também o seu bolso!
Dica inicial: deem uma “olhadinha” nos seguintes web sites:

  1. www.studentaid.ed.gov – o melhor atalho para começar a sua pesquisa por oportunidades de bolsas de estudo (Grants & Scholarship) é visitando o web site oficial do departamento de educação do governo Americano;
  2. www.collegiatechoice.com – passa muitas dicas interessantes como, por exemplo, visitas a diversos “campus” de diferentes Universidades. O que faz a diferença neste web site é o fato de ser produzido por “counselors” independentes e não vinculados a alguma Universidade;
  3. www.fastweb.com – um dos principais e mais conhecidos web sites no quesito “College” por apresentar diversos links úteis. Um fator relevante é o estudante poder utilizar uma ferramenta importante que cria um perfil no sentido de acelerar o processo de bolsas, incluindo ajuda no caminho para poder se qualificar;
  4. www.meritaid.com – possui excelente conteúdo sobre bolsas de estudos e descontos para diversas universidades por intermédio de méritos alcançados (artes, esportes, liderança etc.);
  5. www.finaid.org – o web site do Financial AID faz um excelente trabalho no que se refere à complexidade do tema, explicando diversos temas sobre o processo de financiamento para ir à Universidade e sobre bolsas de estudo.
Giovanni Souza da Silva cercado pela família. Foto: Claudia Passos
Giovanni Souza da Silva cercado pela família. Foto: Claudia Passos

Para melhorar as chances de se conseguir subsídios e bolsas de estudos para cursos superiores nos EUA, a regra básica inicial é começar o processo cedo e aplicar onde exista menos competição. Para os alunos residentes nos EUA e em High School (ou “College”), esse processo deve acontecer no máximo até o fim da primavera (nos EUA), em meados de abril e antes do ano letivo, que começa – geralmente – em agosto ou setembro.

Entre meus estudos e análises, cheguei a importantes conclusões. Apresento apenas cinco, que considero de muita relevância:

  1. sempre dar preferência às universidades públicas por muitas razões. A principal seria economizar o seu precioso dinheiro. Como bom exemplo, posso citar o fato de que as universidades privadas geralmente requerem que o estudante viva “on campus”, em um dormitório dentro da própria universidade durante os primeiros dois anos de curso (com poucas exceções) e, na maioria das vezes, com o custo de “housing” inflacionado;
  2. a maioria das universidades americanas, inclusive as públicas, apresenta “optional fees” para isso ou aquilo. Em sua maioria, são extras irrelevantes e/ou que podem ser evitados se você ler com cuidado as “papeladas” que uma determinada universidade pode apresentar-lhe. Por exemplo, a maioria das universidades inclui os novos estudantes automaticamente em programas especiais de seguro médico. Isso pode ser evitado. Basta passar um fax comprovando que o estudante tem seu próprio seguro de saúde;
  3. estar em uma universidade é muito mais importante do que estar em uma “específica” universidade. Um estudante que vai para uma universidade menos custosa de nenhuma maneira sai em desvantagem. O esforço que um estudante coloca em sua experiência educacional é mais relevante do que “para onde” ele está indo – outro mito americano;
  4. uma forma simples e efetiva de economizar no processo “Going to College” é ir para um “Community College” (como o Santa Monica College, em Los Angeles) por um ou dois anos e depois pedir transferência para uma universidade. Com essa simples tática, o estudante pode pagar cadeiras básicas por valores inferiores e receber os respectivos créditos no processo de transferência. Uma das personalidades americanas que usou essa tática foi nada mais, nada menos, que o Presidente americano Barak Obama. Ele estudou no Ocidental College por dois anos antes de ser aceito na Universidade de Harvard. Claro, pagando bem menos cadeiras com o crédito aceito do Ocidental College;
  5. na hora do estudante decidir por uma universidade americana (ou mesmo “College), é inteligente usar o lado racional – e não apenas o emocional. O país do Tio Sam ainda hoje (*2014) é afetado pela crise financeira que começou em meados de 2008. Apesar de achar que devemos sempre fazer o que amamos, meu conselho é usar o bom senso. Se possível, juntar o útil ao agradável. Como os custos universitários nos EUA são exorbitantes, seria inteligente também pensar no “depois”. Por exemplo, se o estudante conseguir 70% de financiamento do governo americano, esse débito é um dos únicos que não se pode incluir em uma lei de “bancarrota” nos EUA. Esse débito, o estudante (ou os pais) deverá pagar de qualquer maneira.

Lembro que o web site onde tudo começa é o http://www.fafsa.ed.gov/, você precisa preencher uma aplicação de estudante interessado em ir para o “College” e criar o seu perfil. Bem, espero que esse artigo tenha ajudado, seja você o estudante filho ou o pai preocupado com o melhor para o seu filho. Lembro que o processo de “Going to College” é complexo e é necessário “cascavilhar” para obter os melhores resultados. A intenção foi colocar a gasolina inicial necessária para você seguir em frente e chegar ao destino desejado. Se tiver gostado de ler esse artigo, agradecemos se você puder recomendar o link a um amigo ou compartilhá-lo nas mídias sociais. Sucesso!

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Economize em livros

Um dos gastos consideráveis, enquanto na Universidade, são os caríssimos “textbooks”. Boa opção para economizar pode ser alugando os textbooks através do Amazon.com. No fim de 2011, a gigante Amazon começou a oferecer versões eletrônicas de “college textbooks” em sua plataforma de eReader, o Kindle. Segundo a companhia, os estudantes podem economizar até 80% quando usa o serviço de aluguel (ao invés da tradicional compra). Os livros para a Universidade podem ser alugados de 30 a 360 dias e os Kindle eReaders software estão disponíveis para PC e MAC, inclusive para muitos aparelhos móveis.[/box]