Mexa-se: efeito terapêutico da dança de salão

Mexa-se: efeito terapêutico da dança de salão

Vai ficar aí parado? Os benefícios da dança de salão são imediatos, estimulando a circulação sanguínea e a capacidade respiratória. E mais: melhora a autoestima e afugenta a depressão. A professora de dança de salão, Patrícia Alves de Souza, a Paty Brasil, temporariamente em Orlando, fala dos efeitos positivos na vida das pessoas

Edição de outubro/2018 – p. 14

Mexa-se: efeito terapêutico da dança de salão

Dançar é muito mais significativo e prazeroso do que se possa imaginar. E não é preciso ser bailarino profissional ou concorrer a concursos para colocar o corpo para mexer. Os efeitos positivos da dança são imediatos, estimulam a circulação sanguínea e melhoram a capacidade respiratória. Uma terapia essencial, a partir da iniciativa de se entregar à magia rítmica curativa, seja o jazz, axé, samba ou a tradicional dança de salão – conexão com suas emoções e instintos. “A dança além de ser um excelente exercício cardiovascular é um recurso fabuloso para superar obstáculos, autoestima e uma arma vinculada à psicologia para curar depressão”, esclarece a professora de dança de salão, Patrícia Alves e Souza – conhecida no mundo da dança como Paty Brasil. Temporariamente em Orlando, ao lado do esposo, Daniel Joffily, Paty vem aprimorando o inglês e aperfeiçoando conhecimentos da dança americana, através de estudos.

Supervisora de desenvolvimento de Projetos de Educação e Cultura do SESI – Serviço Social da Indústria –, em Brasília, Patrícia Alves é professora de dança e mentora do “Projeto Dançarte – Expressar o Corpo a Arte e a Educação” –, que agrega importantes feitos artísticos, estimulando jovens e crianças à dança, resgatando a cultura musical do Brasil. “Estou nos Estados Unidos desenvolvendo o meu inglês e estudando sobre a dança de salão, que começou aqui, e não no Brasil. A dança de salão é americana e o Brasil adotou o estilo muito bem”, informa. “Tenho um carinho especial pela dança porque através da dança resgatei meu casamento, saí de uma depressão e pude reaver os meus valores”, acrescenta.

“Nos Estados Unidos não trabalho com a dança. Eu e o meu esposo, Daniel Joffily – que também é professor de dança de salão –, estamos passando uma temporada aqui, e, como eu disse, aperfeiçoando o inglês e falando sobre o poder da dança de salão na vida das pessoas. Somos estudantes e não podemos trabalhar e nem desenvolver atividades. Esta entrevista é com intuito de orientar pessoas depressivas, do quanto dançar é benéfico, e não importa a idade. A comunidade brasileira precisa saber disso, pois ressentimentos e sintomas maléficos do corpo e da mente desaparecem quando você dança. É uma conquista da liberdade, de transpor limites de forma prazerosa. A dança também traz um grande benefício terapêutico. Basta dar o primeiro passo”, orienta Paty Brasil.

Tendo trabalhado ao lado de nomes consagrados da dança de salão, caso de Carlinhos de Jesus, Paty lembra que ela e seu companheiro foram selecionados em Brasília – 2005 –, para dar aulas de dança de salão. A escolha foi de uma equipe dos EUA que desejava implantar o ritmo americano na cultura do Brasil. “Somos pioneiros em dar aulas de dança de salão no Brasil, no estilo americano, pois somos os primeiros professores brasileiros selecionados para essa importante tarefa. Trabalhamos também com o Carlinhos de Jesus, e foi ótimo”, celebra Paty.

Pioneiros na terapia de dança de salão

“Fomos selecionados para sermos um dos primeiros professores da franquia americana, sediada no estado da Flórida, que teve sua primeira franquia na América Latina, em Brasília, a ‘Arthur Murray’. Fui classificada entre os melhores professores que ministravam aulas e apliquei meu conhecimento pedagógico e a terapia aprendida nas outras academias com casais e jovens, que procuravam na dança de salão uma terapia de vida. Tivemos sucesso imediato e muitos outros alunos buscavam a dança pela mesma razão”, ressalta.

Consultada sobre os ritmos que integram a dança de salão, a professora enumerou forró, salsa, tango, foxtrote, bolero, valsa vianense e o swing. Conta Paty que ela iniciou na dança com o jazz, entretanto, “a dança de salão aconteceu em um momento difícil de minha vida. Foi uma necessidade terapêutica, uma forma de terapia”, revela. “E o meu primeiro contato com a dança de salão – 1997 –, foi no estúdio de dança da Fabíola Gomes. Lá eu conheci o meu esposo, o Daniel, que era professor de country. Neste período – até 2001 –, descobrimos que a dança de salão é uma terapia poderosa para a terapia de casal. Para nós foi uma terapia de vida”, reforça.

“Com a Fabíola Gomes, que tinha a proposta de dança de salão como terapia, nós desenvolvemos projetos de entretenimento e de terapia de dança. Fomos o braço direito da Fabíola, então fizemos cruzeiros dançantes, bailes e outros projetos importantes, todos desenvolvendo a terapia na dança de salão. Somos pioneiros nesse assunto”, enfoca.

“A dança de salão resgata a autoestima, e nós, enquanto professores, focávamos no indivíduo e não apenas na técnica. Em Brasília, por exemplo, cidade de empregos públicos, doutores e advogados, o alto nível de estresse fazia com que essas pessoas buscassem a academia, a dança de salão como forma de terapia. Levamos o bairro nobre de Brasília para a academia. A dança americana é mais clássica, tem bolero foxtrote para as pessoas mais velhas”, diz a professora. “E com o fechamento da academia da Fabíola Gomes, eu e o Daniel fomos estagiar na academia de terapia ocupacional da Selma Machado – até 2002 –, oportunidade em que desenvolvi todo meu conhecimento na área de terapia”, conta Paty.

“Como Pedagoga, consegui agregar didática ao emocional e deu muito certo. No Brasil tenho alunos idosos, jovens e casais com problemas no casamento. Faço com que os meus alunos tenham uma reflexão sobre si mesmos. A dança expressa nossas emoções através dos movimentos do corpo. E se a pessoa pensa que não tem capacidade de quebrar barreiras, de quebrar paradigmas, se surpreenderá. A dança motiva e nos ensina que somos capazes de superar obstáculos pessoal e profissional. A pessoa se sente capaz e passa a olhar para si mesma”, incentiva.

“Para o jovem é muito importante porque está sempre preocupado com o olhar do outro. Através da dança, o jovem passa a olhar para si mesmo, descobrir os seus valores. É preciso, primeiro, se amar, conhecer os seus limites, ser um cidadão útil e frutífero”, elucida. “Sou dançarina e levo a dança como educação terapêutica. Eu me interesso pelo indivíduo. Queria ser aeromoça, mas nasci para ser educadora”, finaliza Paty Brasil.

Conquistas de Paty Brasil

Segundo Paty Brasil, em 2006, ela Daniel Joffily foram convidados para dirigir um projeto que se utilizava de Cruzeiros nos EUA com intuito de proporcionar aos alunos de dança de salão de Brasília momentos de terapia e diversão, e acompanhar alunos a classes de danças internacionais em Los Angeles. “Esse período ocorreu na ‘Arthur Murray’, com muito êxito”, lembra a professora.

No ano de 2007, “passei no concurso do SESI e fui convida a desenvolver um projeto educacional para ajudar as deficiências comportamentais existentes nas escolas. Assim nasceu o projeto ‘Dançarte’, que tinha como objetivo resgatar valores culturais, pessoais e emocionais diminuindo as dificuldades e desmotivação das crianças na unidade”.

Já em 2009, o casal Paty e Daniel foi classificado com o melhor projeto regional do “XI Arte na Escola Cidadã”, obtendo a quarta colocação. “O objetivo central do projeto ‘Dançarte’ foi analisar as relações entre arte e família tendo como campo de investigação a dança no contexto escolar. A partir dessas análises, percebemos que apesar de arte, dança, música e a família apresentarem relações interdependentes, a família exerce a principal influência em relação aos outros três eixos”.

O projeto “Dançarte” colaborou para as tradicionais festas juninas, olimpíadas, Festivais no “Teatro Yara Amaral” e o “Projeto Arte/Literatura Amador em Cena”. “Como coreografa – natural de Brasília – fui reconhecida em uma publicação de um livro relatando o sucesso do Projeto – ‘O Mestre, uma Homenagem aos Professores do SESI’ –, e também fui selecionada a ‘Melhor Iniciativa Nacional’, em 2010.”