Mérito ao talento, mas que prevaleça a ética com quem contribuiu com o país

Mérito ao talento, mas que prevaleça a ética com quem contribuiu com o país

Edição de março/2018 – pág. 03

Mérito ao talento, mas que prevaleça a ética com quem contribuiu com o país

A busca por novas alternativas para as pessoas gerirem suas necessidades de permanência nos EUA vem mobilizando um número crescente de brasileiros por meio do mérito profissional, de aplicarem para o Visto de Habilidades Extraordinárias, que abre precedentes nas áreas da Educação, Ciências, Artes, Negócios e Esportes. É um modelo em debate no Congresso americano que se transformou na Caixa de Pandora aos que vislumbram agarrar a grande chance, ficando para trás todos aqueles que ainda “cochilam” na fila de espera – cerca de 11 milhões –, na esperança quase remota de legalização por tempo de permanência no país, sem antecedentes criminais, e assim vai… Reconhecimento questionável na ótica do poderio republicano.

Há um racha nessa questão, pois se o avanço na obtenção do visto que reconhece os talentos tem sido positiva – embora haja burocracia –, na contramão dos fatos, a convicção de imigrantes que lutam pelo direito ao Green Card, pela contribuição dada ao país, mingua no ostracismo. Os EUA sabem que há um contingente expressivo de pessoas nessas condições, mas congressistas relutam, dificultam os caminhos pertinentes. A questão imigratória é queda de braço e ainda não se chegou a um consenso de quem leva a melhor nessa competição de interesses escusos.

Neste contexto, inclui-se outro pacote: os Dreamers, desprotegidos desde que o Programa DACA foi revogado pelo Presidente Donald Trump, deixando cerca de 800 mil jovens sem alternativas. Como pode avaliar o nobre leitor, o provérbio português procede em reduto americano: “Se correr o bicho pega, se ficar…”

Subentende-se que os EUA estão mesmo dispostos a selecionar os que ficam – grupos de interesse – e se livrarem dos que não lhe interessam. Mas na ótica do bom senso, isso seria um equívoco. Diria, uma alternativa infundada, inviável, pois os emigrantes que aqui trabalham, que somam ao crescimento do país, têm uma parcela de merecimento. Descartar o que dignifica seria mesmo que dar um tiro no próprio pé, sem precedentes.

A questão é como esse impasse poderá ser solucionado. A alternância dos acontecimentos, na esfera imigratória, torna-se a situação complexa. Sem tirar o mérito daqueles que se legalizam pelo talento, pela mão de obra especializada, mas não podemos – não devemos – nos esquecer dos que criaram vínculos nos EUA, que se estabeleceram com trabalhos importantes e que criaram suas respectivas famílias. Que prevaleça o valor ético!