Mãe idosa

Mãe idosa

Edição de outubro/2017 – pág.  38

Mãe idosa

O destino afastou-me da minha mãe quando me casei. Sempre nos visitávamos. Agora sou só eu. Com 93 anos, a minha mãe já não atravessa oceanos; ela continua a viver em sua própria casa, embora com assistência permanente. Este fim de semana, a ajudante sou eu. As duas sós outra vez.  Só que agora quem banha, veste e alimenta-a, sou eu, uma honra cheia de emoção. Olho à volta e encho-me de memórias. Foi aqui que nasci e cresci. O Dr. Rogério Brandão, oncopediatra, em Pernambuco, conta a história de uma menina paciente que definiu saudade assim: “É o amor que fica”. Eu sinto saudades do que foi e me desafio a amar o que vai ficando.  Parece que Deus vai nos preparando para o inevitável…

Costumava falar com a minha mãe todos os dias. Agora, não só não me ouve, como não se interessa e já não percebe muita coisa devido a uma ligeira demência (a médica diz que é ligeira, eu acho moderada). Nos Estados Unidos da América, 5.2 milhões de pessoas possuem o diagnóstico de demência; dois terços são mulheres; no mundo inteiro, 44 milhões.

Há vários tipos de demência:

  • alzheimer (60%-70%);
  • vascular (20%-30%);
  • Lewy Body (níveis hormonais e de proteína  anormais que causam alucinações e comportamentos parecidos com os da doença de Parkinson);
  • frontotemporal (exagero de proteínas cerebrais, que causa desinibição e impulsividade);
  • doença de Parkinson (afetando o sistema nervoso e motor) e Huntington;
  • pressão hidrocefálica, tumor, deficiência de vitaminas B1 e 12, hipotiroidismo (as únicas condições potencialmente reversíveis é apenas 1.5% do total de casos ligeiros a moderados).

O delírio (falta de atenção, memória, orientação e perturbação de percepção) surge rapidamente e é geralmente devido a uma condição médica como, por exemplo, uma infecção urinária.

Dr. Roy Steinberg, psicólogo geriátrico e escritor, com quem estudei e obtive esses dados (2016), considera que metade da população que atinge os 85 anos terá este diagnóstico, especialmente se tiver também predisposição genética, pouca educação e for socioeconomicamente desfavorecido. Assim, com o avançar dos anos, vai aumentando a probabilidade do diagnóstico (um em cada 10 indivíduos – a partir dos 65 anos de idade).

O tratamento é feito a nível psicofarmacológico e com intervenções comportamentais para ajudar a desacelerar o processo de perda de memória. A pessoa que assiste esses indivíduos precisa de muito apoio para conseguir ser paciente, respeitosa, gentil, criativa e flexível; bem como consistente e persistente. Convido-os para se juntar ao meu grupo de apoio mensal (todas as quartas terças-feiras do mês, das 10 às 11h30,  na igreja de St. Margaret Mary, em Winter Park, FL). Tudo gratuito. Telefone 407-628-1009 para mais informações.

Cuidado com a nossa própria discriminação contra os idosos! Ideias errôneas e comportamentos inapropriados também poderão contribuir para que nós próprios, ao chegarmos a essa idade, limitemo-nos com atitudes derrotistas. Alguns dos conselhos do doutor Larry Miller sobre saber envelhecer são:

  • manter amigos bem-dispostos;
  • ter vontade de sempre aprender coisas novas;
  • realizar atividades das quais se gosta e com pessoas que partilhem esses gostos;
  • verbalizar tudo isso com frequência.

Nunca se esqueça de que “a vida não é medida pelo número de respirações que damos, mas sim pelos momentos que nos tiram a respiração”.