Intolerância e ações polêmicas marcam primeiro ano do governo Trump

Intolerância e ações polêmicas marcam primeiro ano do governo Trump

Ano polêmico, pontuado por controvérsias, afrontamentos e austeridade na reforma imigratória marcam o período inicial do mandato do presidente Donald Trump. Ele enfrenta o risco de perder controle do Congresso nas eleições legislativas

Edição de janeiro/2018 – p. 16

Intolerância, ações polêmicas marcam primeiro ano do governo Trump

Desde que o presidente Donald Trump propôs fazer acordo sobre as políticas imigratórias no país que o assunto vem tendo desdobramento na mídia, a partir do encontro com grupo de políticos republicanos e democratas sobre o tema. Trump insiste em construir um muro na fronteira com o México, como parte de um acordo que inclua os “Dreamers” – beneficiados com o Programa Daca –, mas adianta que a partir daí o Congresso pode entrar em debate que reforme profundamente o sistema imigratório.

Em contrapartida, o futuro político de Trump pode ser definido ainda este ano já que ele enfrenta o risco de perder o controle do Congresso nas eleições legislativas (as midterms), que definirão as disputas pela Casa Branca em 2020. Trata-se de uma tradição que as legislativas de meio mandato nos EUA inclinem a balança para a oposição. Não é improvável que Trump enfrente esse cenário nas eleições previstas para seis de novembro.

No entanto, o aceno de Trump ao acordo sobre as políticas imigratórias faz parte de uma vontade expressada pelo presidente nos últimos tempos — a de promover uma solução abrangente para o status de 11 milhões de imigrantes sem documentos nos EUA. A situação pode deixar decepcionados eleitores que se posicionam contra imigrantes e que ajudaram Trump a se eleger.

Os deputados republicanos, no entanto, apresentaram ao Congresso uma minirreforma imigratória com apoio de Donald Trump, que assegura recursos para a construção do muro na fronteira com o México, acaba com o sistema de imigração por loteria ou vínculos familiares, e garante status legal aos “dreamers” que acompanharam os pais aos EUA, quando crianças, protegidos da deportação pelo DACA (Ação Diferida para Imigração Infantil), promulgado em 2012 pelo então Presidente Barack Obama, revogado em setembro de 2017 pelo seu sucessor na Casa Branca.

Trump revogou o programa Daca, que deu estatuto legal temporário a cerca de 800 mil jovens sem documentos, a maioria deles latinos, criando um clima de insatisfação no país – mobilizando os “Dreamers” que protestaram em Washington. O Congresso agora tem até o dia 5 de março para chegar a uma deliberação definitiva a essa população.

Um ano com Donald Trump

Um ano depois da posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, o ambiente político propiciado pela Casa Branca é exatamente o contrário que o seu antecessor, Barack Obama, buscava cultivar. O primeiro ano de Trump não representou uma alteração substancial. Sem deixar de lado a retórica mais inflamada entre o republicano e a Coreia do Norte e a sacudida no vespeiro do Oriente Médio causada pelo reconhecimento norte-americano de Jerusalém como capital de Israel. O acordo sobre armas nucleares com o Irã permanece, e os arremedos que Obama fez depois das guerras do Iraque e Afeganistão continuam.

Com a vitória de Obama em dois mandatos – 2009-2017 – se debatia no país a consolidação de uma sociedade pós-racial, tendo como símbolo a eleição do primeiro presidente afro-americano. No entanto, a chegada de Trump à Casa Branca – presidente taxado de racista e xenófobo –, avivou o fantasma da discriminação e da divisão, perpetuando ódio e medo, embora o republicano tentasse, inutilmente, desconstruir a imagem de intolerante, ao afirmar que, “Não sou racista”, após supostos comentários em que teria qualificado Haiti, El Salvador e outros países africanos como “países de merda”.

Obama, um bacharel em Direito que estudou em Harvard e representava a cicatrização da ferida racial nos EUA, foi substituído por seu oposto. Um magnata inoportuno que atira punhados de sal nessa ferida, lembrando os lamentáveis confrontos ocorridos em Charlottesville, na Virgínia, por conta de uma marcha de suprematistas brancos, desencadeando insultos, atropelamentos e morte. Esses grupos abraçaram o trumpismo em sua vertente nacionalista e se tornaram mais valentes com sua vitória eleitoral.

Os rumores quanto a possibilidade de uma presidenta afro-americana se propagam no país, com a provável candidatura da apresentadora mais célebre dos EUA, Oprah Winfrey, após inflamado pronunciamento durante a entrega do “Globo de Ouro”. Astros de Hollywood se unem para fortalecer a ideia de levar Oprah a disputar as próximas eleições presidenciais – em 2020 –, apostando na sua destreza. Com isso, um movimento reativo ganha força e uma lista de apoiadores conta com nomes de peso no mundo do entretenimento. Entretanto, caberá a Oprah Winfrey dizer se aceita ou não esse desafio.