Infertilidade

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DEZ/13 – pág. 55

Por que nós? Este é um pensamento muito comum em casais com infertilidade. Falta de controle sobre a situação, impotência e o medo são sentimentos que afligem esses pacientes. Afinal de contas, a capacidade de se reproduzir, ter filhos e perpetuar a espécie é inata ao ser humano, e todos nós crescemos com a ideia de que quando estivermos prontos para ter um filho: “é só parar a pílula e vai acontecer naturalmente”.

Infelizmente, não é sempre assim!

O que é Infertilidade?

A infertilidade é definida como a incapacidade de conceber uma gestação após um ano de relações sexuais frequentes sem o uso de contraceptivos. Mais recentemente, a Associação Americana de Medicina Reprodutiva reduziu esse tempo em 6 meses para casais em que a mulher tem mais de 35 anos de idade devido ao impacto da idade na capacidade reprodutiva.

Infertilidade é um problema relativamente comum. Mais ou menos 10% de casais em idade fértil são afetados por esse problema. Nos Estados Unidos, por exemplo, de acordo com CDC (Centro para Controle das Doenças), existem mais ou menos 6 milhões de mulheres enfrentando dificuldade para engravidar. Além disso, estudos recentes demonstram que a frequência da infertilidade está aumentando. As razões para isso ainda não estão totalmente esclarecidas, mas algumas dessas causas são bem conhecidas como o adiamento da idade de concepção e o aumento da frequência de doenças sexualmente transmitidas. É importante, porém, sempre lembrar que a infertilidade só deve ser diagnosticada depois de 1 ano (ou 6 meses para mulheres acima de 35 anos de idade) de tentativa. Isso porque as chances de concepção de um casal normal, sadio e tendo relações sexuais frequentemente é de somente 20 a 30% por mês.

As causas de Infertilidade

A infertilidade não é só um problema feminino. Ambos, homens e mulheres, podem ter problemas que causam infertilidade. Aproximadamente um terço dos casos é causado por fatores femininos, um terço por fatores masculinos e, no restante dos casos, tanto o homem quanto a mulher têm problemas que resultam em infertilidade.

A maioria dos casos de infertilidade feminina é causada por anovulação (falta de ovulação). Sem ovulação, não existem óvulos para serem fertilizados. Sinais de que a mulher não está ovulando regularmente incluem ciclos menstruais irregulares ou até mesmo ausência de menstruação. Outras causas de infertilidade de origem feminina incluem a obstrução das trompas, problemas anatômicos do útero, tais como miomas e endometriose.

Outros fatores que podem contribuir para a infertilidade feminina são a idade, consumo de cigarros, uso excessivo de bebidas alcoólicas, obesidade e desnutrição. Como mencionado anteriormente, a idade é um fator causal importante de infertilidade feminina. De fato, mais de um terço dos casais em que a mulher tem mais de 35 anos de idade tem infertilidade, e, a cada ano que passa, depois dessa idade, o problema se agrava ainda mais. A idade diminui as chances de concepção por diversos mecanismos diferentes, incluindo número reduzido de óvulos, óvulos de menor qualidade, chance maior de abortamentos espontâneos e chance maior de ter outros problemas de saúde, que também podem levar à infertilidade.

Como se faz o diagnóstico?

Se o casal tem infertilidade, na grande maioria das vezes, o ginecologista da esposa é o primeiro médico a diagnosticar o problema. Algumas vezes, o casal pode resolver procurar um especialista em infertilidade diretamente. De qualquer forma, vale lembrar que é sempre boa ideia que qualquer mulher (ou casal) que esteja pensando em engravidar procure o médico para ter certeza que não existe nenhuma outra intercorrência médica que dificultaria a gravidez. Além disso, o médico poderá responder a suas perguntas sobre fertilidade e dar dicas de como aumentar a chance de concepção.

A partir do momento que se constata que o casal está tendo dificuldades para engravidar, o ginecologista ou o especialista em infertilidade irá recomendar que se faça um check-up para infertilidade. Isso normalmente envolve uma consulta médica, incluindo a história menstrual e ovulatória, e um exame físico completo. Além disso, na maioria das vezes, há a necessidade de se obter exames complementares.

Para o homem, se obtém um espermograma completo, e em alguns casos outras provas de função espermática e um painel hormonal. Para a mulher, os testes geralmente incluem exames de sangue para avaliação hormonal e de reserva ovariana, ultrassom para a avaliação da anatomia pélvica, e uma histerossalpingografia para avaliação das trompas. Em alguns casos, e dependendo dos achados iniciais desses testes, o médico pode recomendar também uma laparoscopia para avaliação mais detalhada da anatomia e para o diagnóstico de endometriose.

Com esses exames, é possível obter em quase 70% dos casos um diagnóstico explicando a presença de infertilidade. Infelizmente, em aproximadamente 30% dos casos, os resultados são todos normais, ou seja, infertilidade sem causa aparente.

É óbvio que um diagnóstico de infertilidade carrega consigo uma carga emocional muito grande para o casal. Mas não há motivos para desespero. Um em cinco casais diagnosticados com infertilidade eventualmente consegue engravidar sem tratamento. Além disso, mais de 50% dos casais com infertilidade engravidam com tratamentos básicos, que não incluem a Reprodução Assistida, como Fertilização “in Vitro”.

Assim, o importante é manter cuidados preventivos regulares para que se proteja a capacidade reprodutiva. Lembre-se de discutir com o seu médico o quanto antes se você estiver tendo dificuldade para engravidar. Em uma próxima “Sua Saúde – Mulher”, abordaremos as opções de tratamento para infertilidade.

Celso Silva, M.D.;M.S.
Center for Reproductive Medicine
celso.silva@integramed.com
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