“Guia do Empreendedor” é lançado em Orlando

“Guia do Empreendedor” é lançado em Orlando

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MAR/2017 – pág. 22

Durante encontro com Embaixador do Brasil em Miami, Adalnio Senna Ganem, o empresário Carlo Barbieri apresentou o guia para empresários e pequenos investidores com informações precisas para negócios na Flórida

Carlo-Barbieri
Carlo Barbieri

Durante o encontro do Embaixador do Brasil em Miami, Adalnio Senna Ganem, com líderes da Comunidade brasileira em Orlando, imprensa, empresários e religiosos, no salão de eventos do “I-Drive NASCAR Indoor Kart Racing”, foram abordadas questões de imigração, sugestões para procedimentos futuros, e projetos do Conselho de Cidadãos da Flórida. Na oportunidade, o empresário Carlo Barbieri – CEO do Grupo Oxford Carlo Barbieri, em Boca Raton -,  lançou o “Guia do Empreendedor”, um documento de quase 80 páginas, idealizado pelo Itamaraty, em Brasília, em conjunto com Consulado Brasileiro em Miami, orientando os empresários e pequenos investidores de como investir e administrar os seus respectivos negócios na Flórida.

A equipe do “Jornal Nossa Gente” conversou com Carlo Barbieri, formado em Economia e em Direito, com cursos de pós-graduação e especialização no Brasil e no exterior, que abordou sobre tópicos de extrema importância, especificados no guia, que ele denomina como “cartilha” do investidor. O empresário falou dos 62 Vistos disponibilizados pelo governo americano, que atendem a todas as demandas de empresários, artistas e de pessoas que objetivam estabelecer na Flórida com a família.

Jornal Nossa Gente – Quais os benefícios do Guia do Empreendedor para os investidores brasileiros?

Carlo Barbieri – O Guia do Empreendedor foi uma iniciativa do Itamaraty e do próprio Consulado Brasileiro, em Miami, que sentiu de preparar um documento de quase oitenta páginas, que, inclusive, está disponibilizado no site do Consulado Brasileiro. O objetivo desse guia é orientar o investidor brasileiro e o pequeno empresário de como buscar recursos, aonde se inscrever, que tipo de licença precisa e quais são os órgãos públicos da Flórida que o investidor pode recorrer para obter recursos. Com isso, ele poderá ter um panorama geral com um documento do próprio governo, sem a necessidade de despender de seus próprios recursos. Ele deve guardar os seus recursos para utilizá-lo no seu negócio.

JNG – Normalmente o investidor brasileiro tem dúvidas quanto ao Visto em que ele pode aplicar para abrir seu negócio nos EUA. O guia esclarece esse tópico?

CB – O guia traz toda essa orientação. Por exemplo, o fato de que uma pessoa pode abrir uma empresa sem a necessidade de ser cidadão ou de residir nos EUA. Traz orientação sobre as exigências dos principais Vistos que o país disponibiliza, onde ele deve se registrar e o que ele deve fazer para a sua empresa online. O guia orienta o empresário para que procure um contador ou um advogado, embora o guia também o oriente para que busque um profissional particularmente para as atividades mais complicadas. Mas o empresário pode entrar na Flórida com esse guia.

JNG – Qual o perfil do investidor que busca a Flórida como alternativa para abrir a sua empresa. O guia traz esse dado?

CB – Nós temos um levantamento muito superficial da quantidade de empresas brasileira na Flórida. Esse levantamento foi feito através dos contadores, que nós procuramos, cerca de vinte escritórios de contabilidade. E a nossa pergunta era: Quantos clientes brasileiros você tem? Claro, não é uma informação técnica ou científica, mas me surpreendeu porque a soma deles deu quase trinta mil empresas. Se você imaginar que nós temos 350 mil brasileiros na Flórida, seria como se dez por cento fossem empresários. E você identifica que aqui na região de Orlando tem quase mil empresas dedicadas a limpeza. São aquelas pessoas que criam pequena empresa para promover serviços de limpeza doméstica. No sul da Flórida temos aproximadamente mil pintores. São empresas que poderiam crescer na medida em que elas tivessem uma orientação de como fazê-lo com o menor custo possível.

JNG – Além de empresários, artistas brasileiros estão se mudando para Orlando com objetivo de se estabelecer aqui com a família. Por que Orlando se tornou o foco?

CB – Saiu recentemente uma matéria na Revista Exame falando do perfil do brasileiro que está vindo agora para os Estados Unidos e que tem a característica de Orlando. São pessoas que não querem ser vistas ou para ver, como acontece em Miami. São artistas bem-sucedidos, empresário médio, bem-sucedido, que ganharam dinheiro nos últimos dez anos e vinte com o seu trabalho. Essas pessoas querem segurança, tranquilidade, boas escolas para os filhos e saúde. E a segurança de Orlando é muito boa, as escolas excelentes. E na questão do artista, é outro ponto interessante que o guia destaca porque o artista não precisa abrir empresa, ele pode obter o Visto O, especial para pessoas que têm uma habilidade especial. O Visto O é fácil, mais barato e que não carece de investimentos.

JNG – Os artistas, e as pessoas de forma geral não têm essa informação.

CB – Infelizmente, o advogado em geral é muito profundo, mais não é amplo. Ele conhece muito bem aquele tipo de visto que ele faz: L1, E2, EB5. Mas há 62 tipos de vistos diferentes nos Estados Unidos. E esses 62 tipos de Vistos atendem a todas as demandas praticamente, depende da pessoa conhecer e ser orientada honestamente com condições de poder participar do processo de obtenção de Visto, dentro daquilo que o governo americano permite.

JNG – O perfil do emigrante na Flórida é diferenciado, ou seja, melhor informado e com condições de investimentos?

CB – Acho que o perfil do empresário que está vindo para Orlando é de empresário, ou seja, ele vem com o objetivo de investir e de ganhar dinheiro. Ele não vem aqui para desfrutar da aposentadoria e nem para passear nas praias South Beach. Ele está aqui para empreender e é por isso que a cidade de Orlando tem sido a grande catalisadora, com 66 milhões de pessoas que vêm para cá todo ano. A cidade oferece condições para inovações, criatividade, novos tipos de empresas. E aqui cabe desde o pequeno empresário que quer investir em imóveis – compra, reforma e aluguel de casas – , até as grandes empresas que vêm desfrutar dos benefícios que a cidade oferece.

JNG – A iniciativa de se criar o Guia do Empreendedor partiu exatamente de onde? Quem são os mentores dessa ideia?

CB – A iniciativa foi da Divisão do Itamaraty, em Brasília, que cuida dos brasileiros no exterior. Eles identificaram essa necessidade em quase todos os países onde se concentra a comunidade brasileira. E cada país está fazendo o seu guia, de acordo com a sua realidade. O benefício que nós tivemos aqui na Flórida, que tem o nosso embaixador Adalnio Senna Ganem, completamente voltado ao trabalho, possibilitou que o guia ficasse pronto em apenas dois meses. O embaixador coordenou e supervisionou os trabalhos. Sem dúvida, o guia é um mérito do trabalho que o embaixador desenvolveu.

JNG – Abordando sobre você, especificamente, empresário bem-sucedido e participativo nas questões dos brasileiros, fala de sua trajetória na Flórida.

CB – A nossa empresa tem 44 anos, dentre os quais 27 anos nos Estados Unidos. Atuamos na área de Consultoria e a nossa base fica em Boca Raton. Tínhamos uma empresa de advocacia e consultoria no Brasil, em São Paulo, e lá nós trabalhávamos com multinacionais americanas. Aqui trabalhamos com empresas brasileiras que querem se estabelecer na Flórida. A nossa atividade é apoiar empresários brasileiros, empreendedores, profissionais liberais e pessoas que querem se mudar para cá e se estabelecer com segurança na Flórida. Eu sou de São Paulo e a minha família está estabelecida aqui.

JNG – Alguma recomendação em especial ao empreendedor brasileiro que está chegando à Florida em busca de oportunidade?

CB – Vai um alerta. Não pense que você vai se sair bem nos Estados Unidos, fazendo muito bem aqui as coisas que você fazia no Brasil. Os Estados Unidos é outra cultura, uma outra forma de trabalhar. A legislação aqui é completamente diferente, e a forma de se obter sucesso aqui é baseado na cultura local. O primeiro alerta é tudo em frente, e se você não se adaptar à realidade daqui é um problema. E segundo, não economize na obtenção da informação certa. Improvisações aqui não funcionam e um erro pode ser fatal. O custo do erro nos Estados Unidos é muito grande. Na área empresarial não pode haver erros. E saber ouvir é um grande negócio.


WaltherAlvarenga

Walther Alvarenga