“Grupo dos Oito” quer reativar reformas em 2017

“Grupo dos Oito” quer reativar reformas em 2017

Em meio ao clima de frustração entre os milhões de imigrantes indocumentados com o bloqueio aos programas de imigração, após decisão da Suprema Corte, senadores cogitam ressuscitar o “Gang of Eight” e reativar novas propostas

Lindsey Graham
Lindsey Graham

Na reta final do mandato do Presidente Barack Obama o clima é de preocupação e incerteza entre os imigrantes que aguardam uma resolução para o impasse que continua se arrastando na mudança das leis de Imigração no país. A decisão da Suprema Corte em manter o bloqueio aos programas de imigração – DAPA e DACA -, que protegeriam aproximadamente cinco milhões de indocumentados, incluindo jovens e pais de residentes e cidadãos americanos, transformou este ano eleitoral em realidade crucial para os latinos. E no embate cada vez mais acirrado entre Hilary Clinton e Donald Trump na corrida presidencial em novembro, que poderá definir a derrota dos republicanos – com a força do voto dos hispânicos -, o senador Lindsey Graham (R-South Carolina) já articula a volta do “Grupo dos Oito” (Gang of Eight), senadores de ambos os partidos que promoveram um projeto de reforma imigratória integral em 2013. Ele pretende reativar o projeto e melhorá-lo em alguns tópicos, além de convidar outros políticos a ingressarem no movimento, que irá ocorrer a partir de 2017.

Além Lindsey Graham, vários outros parlamentares veem uma oportunidade para a reforma em 2017, especialmente se Hillary Clinton for eleita presidente e os Republicanos sofrerem nova derrota entre latinos. O grupo étnico que mais cresce nos EUA está mais do que nunca afastado do GOP (Grand Old Party – o Partido Republicano), graças as declarações polêmicas do candidato do partido, Donald Trump, que já prometeu deportar todos os 11 milhões de imigrantes irregulares nos Estados Unidos, e que já chamou mexicanos de “estupradores” e “assassinos.”

O líder do Grupo dos Oito, Chuck Schumer, está cotado para se tornar líder da maioria no Senado, caso os Democratas retomem o controle da Casa em novembro. O senador por New York já afirmou em entrevistas recentes que o assunto imigração tem prioridade no Capitólio. O bloqueio das ações executivas do presidente Obama pela Suprema Corte demonstrou que qualquer grande mudança na política imigratória deve necessariamente passar pelo Congresso. É grande a pressão sobre os Republicanos para uma ação imediata. Vários senadores oriundos de estados com grande população latina – como David Perdue (Georgia) e Thom Tillis (North Carolina) – foram eleitos em 2014 e ansiosos para tratar do assunto.

O debate sobre a reforma imigratória vai ser conduzido ao sabor da corrida presidencial, e os dois candidatos divergem radicalmente na questão. O crescimento de Donald Trump dentro do Partido Republicano é justificado por muitos como consequência de sua linha-dura com relação à imigração: a construção do muro (pago pelo México), a deportação sumária de irregulares e a proibição de entrar no país para estrangeiros muçulmanos. Hillary Clinton abraçou a causa liberal e prometeu uma reforma nos primeiros cem dias de seu governo.

Nos últimos meses, várias instituições de apoio à reforma têm trabalhado com afinco e longe de Washington para construir uma base sólida para a causa. O “National Immigration Forum” organizou mais de 90 encontros este ano, entre organizações religiosas, policiais e empresariais. A organização “FWD.us”, liderada pelo co-fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, promoveu diversas reuniões em junho para debater o assunto.

Conquistar visibilidade

Com a decisão da Suprema Corte, milhões de indocumentados que acreditavam conquistar a visibilidade e finalmente sair das sombras, ainda há dúvidas quanto aos risco de colocar tudo a perder ao revelarem seus respectivos status. Entretanto, mais pessoas têm se arriscado para pressionar pela mudança, principalmente em ano eleitoral. Há quatro anos, esta foi à estratégia usada por ativistas para pressionar o Presidente Barack Obama a deixar com que jovens sem documentos vivam e trabalhem legalmente nos Estados Unidos, o que o levou a assinar a Ordem Executiva da primeira versão do DACA (Deferred Action for Childhood Arrivals) – cuja versão mais extensa permanece bloqueada.

Por outro lado, a procuradora-geral dos EUA, Loretta Lynch, disse que a Administração Obama está estudando se deve recorrer da decisão da Suprema Corte. Ela não mencionou quais seriam as opções legais. Embora o presidente Obama tenha prometido que essas pessoas seriam protegidas da deportação por seus planos de imigração, o medo voltou a assombrar imigrantes e ativistas, ainda mais dependendo do resultado das eleições presidenciais caso Donald Trump vença pelo Partido Republicano. “Estamos conscientes que nesse momento nossa comunidade está mais vulnerável”, disse Cristina Jimenez, uma das fundadoras do movimento United We Dream.

Taxas de imigração

A partir do próximo mês de outubro poderão ser cobradas novas taxas para alguns serviços de imigração, anunciou o “US Citizenship and Immigration Services”. Os novos preços variam de 7% a 258%. O custo para a cidadania aumentará de $595 para $640. Entretanto, quem vive abaixo do nível da pobreza ou tem baixa renda poderá pagar a metade, disse o “USCIS”. Outro detalhe, a agência antecipou que o valor da Cidadania para pessoas de baixa renda será de $320 dólares. Os beneficiários desse programa deverão demonstrar salários anuais entre $36.450 e $48.600 dólares. “Essa mudança permitirá que famílias de imigrantes, muitas das quais trabalham sem descanso todos os dias em trabalhos que pagam muito pouco, paguem pelos custos da naturalização e finalmente se convertam em cidadãos com direitos”, disse Kica Mato, porta-voz da “Fair Immigration Reform Movement”.

Com isso, ficaram assim estabelecidos os valores de taxas: Pedido de residência permanente – taxa atual: $365, novo valor: $455; Naturalização – aumento de 8%: de $595 para $640 dólares. Trabalhadores não-imigrantes – aumento de 42%, de $325 para $460 dólares.

Ligações com terrorismo

O governo federal propôs adicionar uma linha aos formulários preenchidos por visitantes estrangeiros na chegada ao país, pedindo que revelem seus perfis em redes sociais. A medida, ainda em análise, serviria para facilitar a busca por ligações com o terrorismo. Segundo o projeto, os viajantes não precisariam oferecer suas senhas nem seriam forçados a preencher o campo, mas o “Customs and Border Protection” acredita que tais informações dariam ferramenta extra para investigações.