Exposição fotográfica sobre imigração no Brasil e EUA, em Nova York

Exposição fotográfica sobre imigração no Brasil e EUA, em Nova York

unnamedA exposição Retratos Imigrantes, com a curadoria de João Kulcsár, promove um intercâmbio entre os acervos iconográficos do Museu da Imigração e do Museu da Imigração de Ellis Island, em Nova Iorque. Composta por 40 fotografias das duas primeiras décadas do século 20, a exposição compartilha as semelhanças do cenário imigratório da época nos dois países. A inauguração aconteceu no dia 1º. de maio de 2015 no Museu da Imigração de Ellis Island, em Nova Iorque.

“O diálogo inédito entre parte dos acervos das duas instituições – ambas sediadas em antigas hospedarias de imigrantes – tem como objetivo a preservação da história e memória do processo migratório para construção de seus países. A exposição une essas imagens dos imigrantes do início do século 20.” Diz João Kulcsár, curador da exposição e que morou em Cambridge, Massachusetts, quando foi bolsista da Comissão Fulbright na Universidade de Harvard. “O tema imigração é sempre contemporâneo para os Brasileiros, tive a oportunidade de trabalhar com jovens imigrantes brasileiros em Cambridge em 2003, e percebi como é importante” completa. Kulcsár.

Retratos Imigrantes

“Um retrato! O que poderia ser mais simples e mais complexo, mais óbvio e mais profundo?”

Charles Baudelaire

A exposição Retratos imigrantes apresenta o resultado de pesquisa sobre acervos de fotografia no Brasil e EUA, iniciado em 2002 como visiting scholar na Universidade de Harvard, com bolsa da Comissão Fulbright. Dentre estas investigações encontram-se dois dos mais importantes museus sobre imigração localizados em países que receberam milhões de pessoas, num período que percorre o final do século 19 e primeiras décadas do século 20: Ellis Island, em Nova York, EUA, com imagens de Augustus F. Sherman, e Museu da Imigração, em São Paulo, Brasil, com fotografias de seu acervo.

Retrato

No campo da fotografia, o gênero retrato sempre foi o mais praticado e suas mudanças estéticas mostram a linha do tempo da própria evolução imagética. Nas imagens desta mostra é possível perceber que o retrato de uma pessoa ou um grupo remete a complexas questões culturais, ideológicas, sociológicas e psicológicas, que provocam reflexões sobre nossa própria identidade. Aqui estes retratos contém um registro fascinante e impressionante de rostos e expressões que seriam de outra maneira desconhecidos ou esquecidos há muito tempo.

Sherman nos EUA

Augustus F. Sherman, fotógrafo amador, foi funcionário de administrativo em Ellis Island, e entre os anos de 1905 e 1920 registrou os imigrantes que chegavam à ilha, ponto de inspeção para os viajantes. As fotos, seguindo as convenções de pose da época, eram produzidas quando os imigrantes eram conduzidos para entrevistas suplementares, pois assim havia mais tempo para o registro de uma imagem satisfatória de um indivíduo, de um grupo ou de uma família, com trajes tradicionais mais elaborados ou folclóricos de seus países de origem. Sherman documentou não só a variedade e a riqueza da herança étnica de cada um, mas contribuiu também com projeto maior de categorização e de tipologia etnográficas típicas daquele momento histórico. Seu trabalho encontra-se na mesma linhagem de Edward Curtis sobre os índios norte-americanos e de August Sander, o retrato do povo alemão.

Museu da Imigração no Brasil

As fotos do Museu da Imigração, em São Paulo, têm sintonia com as do fotógrafo americano. São registros das pessoas que chegaram ao Brasil e que passaram pela Hospedaria do Imigrante, que funcionava exatamente no prédio que hoje abriga o Museu. As imagens deste acervo tiveram duas fontes: a primeira com fotografias de passaporte dos imigrantes e a segunda como parte formal dos registros oficiais da instituição. Inaugurada em 1887, a Hospedaria tornou-se local de abrigo na chegada ao país. Passaram por ali mais de 2,5 milhões de pessoas entre 1887 e 1978, que deixaram marcas indeléveis na cultura do país e na constituição de seu povo.

Deslocamentos e direitos humanos

Estas imagens evocam questões como a da movimentação humana entre países, que sempre deixa traços na demografia, cultura, sociedade, economia, na arte e no sotaque, contribuindo assim para multiplicidade étnica e a miscigenação. A migração não é um fenômeno vinculado ao passado. Os deslocamentos continuam a acontecer pelo mundo pelos mesmos motivos: perseguições políticas e religiosas, pobreza e desastres naturais, assim RetratosImigrantes fomentam a reflexão sobre estes ciclos permanentes. Esta mostra é uma oportunidade para apreciadores da arte fotográfica visitar imagens clássicas da história da fotografia do início do século 20 numa exposição inédita que ocorre simultaneamente nos dois países, ampliando desta forma o intercâmbio cultural entre Brasil e Estados Unidos, o repertório estético, a valorização da diversidade cultural e, fundamentalmente, a questão do deslocamento de pessoas e dos direitos humanos.

João Kulcsár – Curador

Serviço

Exposição “Retratos Imigrantes – Immigrants Portrait ” em Ellis Island.

Data: 1º. de maio a 30 de setembro de 2015

Curadoria: João Kulcsár

http://www.alfabetizacaovisual.com.br/exposicoes/retratos-imigrantes/