EUA testaram armas biológicas em ilha japonesa nos anos 1960

EUA testaram armas biológicas em ilha japonesa nos anos 1960

Exército norte-americano dispersou fungos em plantações de arroz; alvo dos experimentos era China, revelam documentos

Detalhe de uma lesão típica na planta de arroz causada pelo mesmo fungo utilizado pelos EUA como arma biológica. WikiCommons
Detalhe de uma lesão típica na planta de arroz causada pelo mesmo fungo utilizado pelos EUA como arma biológica. WikiCommons.

O exército dos Estados Unidos conduziu testes com armas biológicas na ilha japonesa de Okinawa durante a década de 1960. De acordo com  documentos revelados, os EUA também empreenderam os mesmos experimentos em Taiwan.

Segundo documentos secretos publicados neste domingo (12/01) pela agência de notícias japonesa Kyodo, forças norte-americanas levaram a cabo os experimentos ao menos doze vezes em campos de cultivo de arroz para entender como a arma afetava a plantação. “Acredita-se que os EUA tinham a China e a região do sudeste asiático em mente ao desenvolver tais agentes biológicos”, noticia a agencia japonesa, que diz ter obtido acesso aos papéis.

Os EUA utilizaram um patógeno vegetal que infecta a planta de arroz, causando consequência desastrosas à plantação. O fungo prende-se à planta, lesiona seu caule e sua folha e depois se reproduz. Uma única lesão pode gerar milhares de esporos em apenas uma noite; um ciclo completo de uma semana pode devastar a plantação.

De acordo com os documentos publicados, os testes com armas biológicas renderam “informações úteis” aos Estados Unidos no contexto internacional do auge da Guerra Fria.

Convenção internacional

Em 1969 — depois de um acidente químico que deixou dezenas de oficiais norte-americanos doentes —, os EUA descartaram seu arsenal de armas biológicas e descontinuaram seus testes em Okinawa.

Seis anos depois, em 1975, Washington assinou uma convenção internacional contra a produção e a posse de armas biológicas.

O governo dos EUA já havia revelado a existência de testes com armas biológicas na época; mas apenas nos territórios norte-americanos de Porto Rico (território sem personalidade jurídica dos EUA) e também nos estados de Utah e Havaí.

O arquipélago de Okinawa, no sul do Japão, esteve sobre controle norte-americano desde o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, até o ano de 1972. Atualmente, abriga mais da metade dos cerca de 48 mil soldados norte-americanos estacionados no Japão.

A presença dos EUA na região é uma fonte constante de instabilidade: são comuns delitos cometidos por oficiais em serviço, além da perturbação causada pelos voos militares na região.

Fonte: operamundi.uol.com.br