Estratégia no ensino para aluno estrangeiro

Estratégia no ensino para aluno estrangeiro

Coordenadora do Programa ESOL para estudantes que têm o inglês como segunda língua, Maria Daher realiza importante trabalho na “Southwest Middle School”, no Condado de Orange. Em 2016-2017 ano escolar foi eleita a “Teacher of the Year” da Southwest Middle School

Edição de Maio – pág. 26

Coordenadora do Programa de ESOL – que atende estudantes que têm o Inglês como segunda língua -, na  “Southwest Middle School”, no Condado de Orange, a professora Maria Daher não tem medido esforços para o bom aproveitamento do ensino e a integração entre alunos e professores. “É um trabalho minucioso que requer do professor habilidade para auxiliar o aluno que tem o inglês como segundo idioma na ambientação da escola e no desenvolvimento acadêmico. O meu papel na coordenação pedagógica é criar estratégias para que o mecanismo de aprendizado funcione de maneira favorável. E isso tem sido benéfico, pois temos tido ótimos resultados em sala de aula, alicerçando o nosso propósito”, complementa a educadora.

Em 2016-2017, Maria Daher foi escolhida pelo corpo docente da “Southwest Middle School” a “Teacher of the Year”, em reconhecimento ao know-how de suas atividades. Um título que a levou a representar a escola na “Night of Excellence”, evento que ocorre anualmente, homenageando os professores representantes de vários restabelecimentos de ensino, e que se destacaram em suas áreas de atuação. “Anualmente cada escola elege uma professora para ser a ´Teacher of the Year´, e as professoras selecionadas participam da ´Night of Excellence´. Fiquei lisonjeada com a minha escolha para representar a minha escola. Essa nomeação partiu dos próprios professores, através de votação, e isso foi muito significativo. Nesta celebração, promovida pelo Condado é anunciado o vencedor final, entre os professores presentes”, relata Maria.

“O meu trabalho à frente da coordenação do ´Programa de ESOL´ é focar na necessidade da criança estrangeira em sala de aula, no treinamento dos professores para trabalhar com essas crianças que têm o inglês como a segunda língua. É preciso avaliar qual a dificuldade entre aluno e professor e trabalhar para essa comunicação aconteça de forma precisa. São criadas estratégias para facilitar o ensino, ferramentas para que o conhecimento fique mais compreensível”, acrescenta a professora.

“É muito importante à adaptação da criança ao nível social e acadêmico. Evidente que não existe uma receita para isso, mas cada aluno traz em si uma bagagem que será a base para o desenvolvimento do novo idoma e a continuação do conhecimento acadêmico. E se o aluno tem uma base, o seu aproveitamento será muito melhor e ele terá muitas oportunidades de ingressar em uma universidade no futuro. O entendimento entre aluno e professor é imprescindível, reforça a educadora.

Importância no apoio dos pais

Ressalta Maria Daher que o apoio dos pais em casa é fundamental para que a criança possa aprender o idioma e obter bons resultados em sala de aula. “Os pais precisam colaborar com os filhos durante a fase de aprendizagem para que seja construída uma base sólida. Geralmente, quando se aprende o idioma, a criança se sente mais confortável, fica mais confiante, e isso é muito positivo. E como coordenadora, preciso estar atenta quanto a dinâmica da sala de aula, comenta.

Indagada sobre o número de crianças hoje no Programa de ESOL da “Southwest Middle School”, disse à coordenadora que há 210 estudantes, sendo a maioria hispânicos, seguida de brasileiros, haitianos e japoneses. “Temos muitas crianças brasileiras frequentando as aulas e elas têm tido muito sucesso. Inclusive, no ano passado tive um grupo maravilhoso de cinco meninas que se saiu muito bem academicamente e socialmente. Todas qualificaram para os programas especiais oferecidos na high school (Magnet Program), lembra com carinho.

Outro fator de alerta, disse a professora, é quanto ao boletim de notas do aluno. “Infelizmente isso ocorre, mas têm alunos que escondem as notas dos pais quando eles não falam o inglês. Os filhos começam a aprender a língua e omitem informações aos pais. Isso não é bom porque os pais não acompanham o histórico escolar dos filhos e desconhecem quando eles não vão bem nas aulas”, informa. “Mas quando percebemos que há algo errado, convocamos os pais para uma reunião e informamos o que está acontecendo com o respectivo filho. Cientes do fato, os pais passam a agir com determinação”, complementa.

“É importante ressaltar que os pais devem se envolver com a escola do filho, falar com a coordenadora e procurar saber sobre o rendimento da criança e obter informações sobre o estabelecimento de ensino”, avisa a professora. “Principalmente as crianças que chegam ao país para estudar, acompanhadas de seus respectivos familiares. O aprendizado deve continuar em casa. Ela deve rever o que foi dado em sala de aula, deve fazer exercícios, enfim, conhecer a ferramenta de aprendizado da escola. Os pais precisam estar atentos quanto ao rendimento acadêmico do filho para que haja maior aproveitamento”.

Natural da cidade do Rio de Janeiro, Maria Daher reside em Orlando desde 1996. É mãe de dois filhos – Marina (Assistente Social) e Henrique (músico). Ela iniciou suas atividades na escola pública de “Southwest Middle School” como professora de Language Arts through ESOL (Linguagem/Inglês para estudantes de outras línguas), posteriormente, em 2010, assumindo a coordenação do Programa de ESOL. Ela trabalha com alunos entre 11 a 14 anos de idade.

“As oportunidades estão aqui, elas existem. A escola pública é um estabelecimento de ensino que serve a todos, não há uma seleção. O aluno precisa abraçar a oportunidade e dar o seu melhor, objetivando chegar à universidade ou a seguir carreiras técnicas nos Estados Unidos. Todas as chances são disponibilizadas, então é imprescindível que haja determinação do aluno e dos pais. Com certeza o sucesso vai depender da energia individual do aluno e da participação da família”, finaliza a coordenadora.