Espada artística

Espada artística

Esgrima, dança e música formam a receita de Nathalie Moellhausen para brigar por uma medalha brasileira em 2016

por Luiz Humberto Monteiro Pereira

jogoscariocas@gmail.com

Nathalie Moellhausen - Foto: Martin Traynor
Nathalie Moellhausen – Foto: Martin Traynor

Para muitos, a esgrima é uma luta disputada com espadas. Para Nathalie Moellhausen, a esgrima é uma arte. Nascida em Milão, no Norte da Itália, foi campeã européia e chegou a ser considerada a quarta melhor do mundo. Em 2008, iniciou paralelamente uma carreira artística. “Gosto de dançar e mesclar a dança com a esgrima, criando meus próprios espetáculos”, explica a esgrimista, que no seu site – www.nathaliemoellhausen.com– apresenta vídeos e projetos de arte. Após disputar as Olimpíadas de 2012, decidiu largar as competições para cuidar da direção de arte das comemorações do centenário da Federação Internacional de Esgrima (FIE), em Paris, em novembro de 2013. Depois do espetáculo, aceitou o convite para integrar a seleção de esgrima brasileira – ela é filha de um alemão e de uma italiana, mas tem uma avó brasileira, e por isso tem dupla cidadania. “O Brasil sempre esteve na minha casa, com a minha avó que tocava músicas brasileiras no violão. Meu sonho é um dia morar no Rio de Janeiro”, avisa Nathalie, que vive em Paris. Lá, é treinada por Laura Flessel, que ganhou cinco medalhas olímpicas entre 1996 e 2004.

Depois dos quase dois anos sem competir, Nathalie caiu da quarta para a 300ª posição no ranking mundial. Mas esse ano, após o sexto lugar na Copa do Mundo, em Budapeste, e a medalha de ouro no Pan-Americano de Santiago, já está em 16º lugar. Às vésperas de comemorar seus 30 anos, a esgrimista não esconde a expectativa de disputar as Olimpíadas no Rio. “Fico emocionada de imaginar como será ter o apoio de um país inteiro torcendo por mim”, confessa.

Jogos Cariocas – Como se aproximou da esgrima? 

Nathalie Moellhausen– Comecei com cinco anos. Minha escola tinha aulas de esgrima, que é um esporte popular na Itália. Entrei na equipe nacional italiana com 15 anos e, com 20, decidi ir para Paris para treinar comum dos melhores mestres do mundo. Lá, resolvi me dedicar de corpo e alma a ser uma grande esgrimista.

Jogos Cariocas – Como a esgrima influiu no seu jeito de ser?

Nathalie Moellhausen – A esgrima é o espelho de como somos. Me ensinou que não é suficiente sonhar em ganhar. Cada derrota serve para testar quão forte a pessoa é para acreditar realmente no seu sonho e seguir lutando até o final. Ensina a superar qualquer desafio da vida. A esgrima me deu a oportunidade de viajar, aprender idiomas, abrir a minha cabeça. Não há universidade melhor para mim. É um combate, uma luta, mas é uma dança também. É um esporte de precisão. É como jogar xadrez com o próprio corpo. E é bom encontrar estratégias sobre como enganar o outro…

Jogos Cariocas – Qual foi seu momento mais emocionante, dentro do esporte?

Nathalie Moellhausen – Ganhar a medalha de bronze no Mundial de 2010, pela Itália. Tinha vencido um concurso para a direção de arte do espetáculo de cerimônia de abertura do Mundial de Paris, no Grand Palais. Decidi fazer as duas coisas, treinar e trabalhar como criadora do evento. Foi uma loucura! Tentei esconder de todos na equipe até o dia anterior do evento. Trabalhava de noite, depois dos treinos. Na cerimônia, tudo foi ótimo. No dia seguinte, havia a minha competição e todo mundo estava preocupado, porque eu estava cansada. Mas consegui ganhar a minha primeira medalha em um mundial.

Jogos Cariocas – Como estão suas chances para as Olimpíadas de 2016? 

Nathalie Moellhausen – Não sei quando a CBE vai oficializar, mas graças à minha qualificação pelo ranking mundial, não vou precisar usar uma das oito vagas do Brasil como país-sede.Meu objetivo final é ganhar uma medalha nos jogos Rio 2016. Estou trabalhando por isto. Como dizem no Brasil, “se Deus quiser”, naquele dia estarei nas mãos do meu destino.

Jogos Cariocas – Você mora em Paris. Onde estava durante os atentados do dia 13 de novembro?

Nathalie Moellhausen – Estava na China competindo e voltei a Paris apenas na segunda-feira, dia 16. Foi chocante para mim.Fui diretamente a uma praça onde ocorreram ataques terroristas. Morava ali até dois anos atrás. A cidade está parecendo uma tumba. Só se escuta os barulhos das sirenes, a polícia em todos os lados. Uma sensação de medo e insegurança. Não tenho palavras. Nunca podia imaginar que uma cidade tão mágica como Paris podia se transformar em um campo de guerra. Não sei como vou enfrentar o futuro aqui. Temos que olhar para frente e não deixar que o medo destrua os nossos caminhos.

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