Enxaqueca: saiba o que é e como tratar a doença

Enxaqueca: saiba o que é e como tratar a doença

Edição de janeiro/2018 – p. 31

Enxaqueca é um dos tipos de cefaleia ( termo médico que significa dor de cabeça), também conhecida por migrânea. É um distúrbio neuro vascular crônico e incapacitante; uma doença neurológica, com base biológica, multifatorial, de predisposição genética. Nos quadros graves, é importante definir as causas principais, os fatores desencadeantes e o tipo de predisposição genética.

Esse tipo de cefaleia primária pode ocorrer em qualquer idade, mas costuma manifestar-se mais em adolescentes e adultos jovens e afeta mais as mulheres do que os homens.

Em cerca de 15% dos casos, o quadro de dor é precedido (ou acompanhado) por uma aura premonitória que envolve sintomas neurológicos. Sua principal característica é o embaçamento da visão ou a presença de pontos luminosos, em zigue-zague ou manchas escuras nos períodos que precedem as crises dolorosas.

Atenção: pessoas que sofrem de enxaqueca com aura, especialmente as fumantes que fazem uso de pílulas anticoncepcionais, têm risco aumentado de sofrer acidentes vasculares cerebrais. Lembrando sempre que enxaqueca, cigarro e anticoncepcional juntos aumentam 18 vezes o risco de acidentes vasculares cerebrais. O fato de ter enxaqueca não impede que a mulher tome pílulas anticoncepcionais. Como há relatos de mulheres que melhoram da enxaqueca com o uso da pílula e relatos de mulheres que pioram, ela não é proibida nem indicada para o tratamento da enxaqueca. Portanto, a pílula em si, isoladamente, não é um fator de risco. O problema aparece quando se somam os três fatores: enxaqueca, tabagismo e pílula.

Causas

A enxaqueca é uma doença multifatorial, mas algumas de suas possíveis causas continuam indefinidas. No entanto, já se sabe que existem alguns gatilhos que podem desencadear as crises, tais como: jejum prolongado, estresse, insônia, chocolate, queijos fortes, embutidos, consumo excessivo de café e de bebidas alcoólicas, fumo, alterações hormonais, certos perfumes e o açúcar.

Sintomas

O sintoma típico da enxaqueca é uma dor latejante e pulsátil, geralmente unilateral, de intensidade moderada ou forte, acompanhada por náusea e vômitos, hipersensibilidade à luz (fotofobia), aos sons (fonofobia) e a certos odores (osmofobia), que se mantém de quatro a 72 horas e piora com o movimento.

Irritabilidade, depressão, agitação são transtornos de humor que podem estar associados às crises de enxaqueca, ou antecedê-las.

Diagnóstico

O diagnóstico é clínico baseado no levantamento da história familiar e nas queixas do paciente Para defini-lo, basta que a dor esteja acompanhada por três ou quatro dos sintomas acima enumerados.

Tratamento

O tratamento preventivo deve ser instituído quando há vários distúrbios associados: enxaqueca, depressão, ansiedade, problemas de sono. Enxaqueca com aura merece também cuidado especial. No mundo todo, a frequência das crises é levada em consideração para indicar o tratamento. Quatro crises por mês é o limite máximo para introduzir as medidas preventivas. Embora esse número de corte seja importante, crises infrequentes, mas muito incapacitantes, merecem tratamento diário para evitar que a dor apareça.

O tratamento da enxaqueca leva em consideração as características da dor e a frequência das crises. O objetivo é suprimir os sintomas e evitar a incidência de novos eventos. Nos episódios agudos, os analgésicos comuns, eventualmente associados a outras drogas, podem representar uma solução eficaz contra a dor, especialmente se tomados assim que surgirem os primeiros sintomas. Pacientes que não respondem bem a esse esquema terapêutico podem recorrer aos triptanos, uma classe de drogas com mecanismo mais específico de ação.

No entanto, é preciso cuidado: o uso repetido desses remédios, o abuso de analgésicos e o aumento progressivo das doses necessárias para alívio da dor podem resultar num efeito rebote cujo resultado é o agravamento dos sintomas.

Já está comprovado que mudanças no estilo de vida e evitar os gatilhos que disparam as crises são procedimentos não farmacológicos indispensáveis para a prevenção da enxaqueca. Alimentação equilibrada, sono regular, prática de exercícios físicos, redução do consumo diário de cafeína, controle dos níveis de estresse são medidas que ajudam a diminuir a frequência e a intensidade das crises.

 

Recomendações

  • Não pule refeições. Jejum prolongado é um dos principais fatores desencadeantes das crises;
  • Evite alimentos e bebidas que possam provocar ataques de enxaqueca;
  • Pratique exercícios físicos regularmente;
  • Estabeleça horários para deitar-se e levantar-se e procure respeitá-los;
  • Tente reservar algum tempo para o lazer. Relaxe. Não vai adiantar nada sofrer por antecipação.