Entrevistando Skank

Entrevistando Skank

voltar

JUN/2016 – pág. 58 e 59

Skank celebrando os vinte e cinco anos de carreira

O Skank nasceu em 1991, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Completando vinte e cinco anos de estrada, o quarteto formado por Samuel Rosa (guitarra e voz), Henrique Portugal (teclado), Lelo Zaneti (baixo) e Haroldo Ferretti (bateria) prepara-se para, mais uma vez, excursionar pelos Estados Unidos. Os shows serão realizados em julho, nos dias 22 (Boston), 23 (Nova Iorque) e 24 (Miami). O Skank, que conquistou o público e a crítica com sucessos como “Garota Nacional”, “Resposta”, “Saideira”, “Vou Deixar”, “Jackie Tequila” e “Balada do Amor Inabalável”, dentre muitos outros, tem experiência suficiente quando o assunto é turnê internacional. Já se apresentou em países como França, Estados Unidos, Chile, Argentina, Suíça, Portugal, Espanha, Itália e Alemanha, em shows próprios ou em festivais, ao lado de bandas como Echo & The Bunnymen, Black Sabbath e Rage Against the Machine. Experientes em gravações ‘ao vivo’, lançaram em CD/DVD registros de shows como ‘MTV Ao Vivo’, ‘Multishow Ao Vivo – Cosmotrom’, ‘Multishow Ao Vivo – Skank no Mineirão’ e ‘Skank Ao Vivo no Rock in Rio’.

Quanto aos trabalhos em estúdio , “Velocia”, o nono CD, lançado em 2014, é o primeiro de músicas inéditas depois de seis anos sem gravações. Produzido pelo experiente Dudu Marote, o álbum que foi registrado entre os estúdios Máquina (Belo Horizonte), Abbey Road (Londres) e Avatar (Nova Iorque), traz composições em parceria com Nando Reis, Lucas Silveira, Emicida e Lia Paris. Segundo Samuel Rosa, “fico considerando a diferença de lançar um disco em 2014 e em 1998”, diz. “Esse conceito de tempo e espaço, e o quão as coisas estão mais rápidas, as informações são mais velozes, e o quanto entramos numa era de velocidade.”

Para falar sobre “Velocia”, turnê nos Estados Unidos e os vinte e cinco anos de carreira, confira entrevista exclusiva com Haroldo Ferreti para o Nossa Gente.

Estados Unidos

Nossa Gente – A turnê “Velocia” chega aos Estados Unidos. O público pode esperar um show com os sucessos que marcaram a história da banda?
HF – Sem dúvida. O show tem, sim, músicas do “Velocia”, mas não podemos deixar de fora os grandes hits que tivemos em nossa carreira. Principalmente por saber que encontraremos nos Estados Unidos um público que pode estar fora do Brasil já há um tempo e saudoso por ouvir nossos sucessos.

NG – O Skank talvez seja a banda que mais investiu em carreira internacional, se apresentando em países como a França, Suíça, Espanha, Dinamarca e Portugal. Tocar nos Estados Unidos é diferente de se apresentar em outros países?
HF – Se quando tocamos em cidades diferentes de um mesmo país já vemos diferenças, imagine quando comparamos países. Já fizemos muitos shows na Europa e nos Estados Unidos. Basicamente o que posso notar é que na Europa o público é mais mesclado, com a presença de brasileiros e cidadãos de cada país. Já nos Estados Unidos, a maioria é de brasileiros. Independentemente disso, a cada show nossa missão é envolver o público e fazer com que ele saia de lá interessado pela banda.

NG – Segundo opinião de alguns artistas brasileiros, cantar em português é um ‘fator limitador’ para conquistar novos mercados. Vocês tem a mesma opinião?
HF – Vivemos experiências de ter nossas músicas cantadas em português no primeiro lugar das paradas, mesmo em países onde é falado outro idioma. Mas acho que o inglês, sendo a língua universal, quebra barreiras. Temos um certo receio de cantar em outro idioma. Você se lembra do Sting cantando “..que fragilidade..” nos anos 80?

Crise fonográfica

NG – O Skank surgiu num momento relativamente positivo para o mercado musical. As gravadoras investiam nas produções dos artistas. Como é trabalhar hoje, quando o cenário é completamente diferente, e as gravadoras praticamente deixaram de existir?
HF – As gravadoras não deixaram de existir. Elas só mudaram a forma de trabalhar. Nós passamos por várias mudanças e fases dessa indústria. Vimos mudar de vinil pra cd, cd pra mp3 e por aí vai. As gravadoras vêm tentando se adequar a cada mudança de hábito das pessoas, mas continuam a ter uma grande importância nessa engrenagem. O que mudou foi que, aos moldes do que acontece nos países desenvolvidos, o mercado independente no Brasil se organizou de tal forma que hoje existe um circuito grande para bandas que não tem contrato com as gravadoras. Isso é muito bom para a música.

NG – Há muito tempo a banda produz os trabalhos em estúdio próprio. Vocês continuam investindo nesse formato de produção?
HF – Continuamos. Pra gente, o estúdio é onde conseguimos dar vazão a criatividade. Gostamos muito do ambiente, de pesquisar em cima de tecnologia. Aprendemos muito depois que montamos o nosso próprio estúdio.

NG – Foram seis anos sem gravar um álbum com inéditas. Algum motivo especial?
HF – Na verdade nesse intervalo lançamos dois projetos, que são o “Ao Vivo no Mineirão” e “Skank 91”. Esse segundo é um bootleg com sobras de estúdio que guardei desde o início da banda. Músicas que gravamos quando montamos a banda. Depois desse período sentimos a necessidade de lançar um de inéditas, daí veio o “Velocia”.

NG – Na sua opinião, o futuro para a música gravada está em novo formato para comercialização, como o retorno do vinil?
HF – Passamos por várias mudanças e provavelmente as coisas continuarão a mudar. Pela primeira vez, se não me engano, no final do ano passado, o valor arrecadado pelas gravadoras comercializando música digital, incluindo streaming e vendas, superou o de vendas físicas. Adoro comprar vinil, mas creio que seja um item quase que para colecionadores. Por mais que aumentem as vendas, não acredito que terá representatividade, pelo menos no Brasil.

NG – Críticos, músicos e público afirmam que a música brasileira enfrenta um período nebuloso. Como você vê o cenário atual?
HF – Acho um período de pouca criatividade quando falamos em ‘música de massa’. Paralamas, Titãs, Skank, Jota Quest, Raimundos e muitos outros já foram ‘música de massa’, e na minha opinião são todos mais interessantes se compararmos ao que hoje se tornou o estilo predominante nas rádios. No geral, o mais chato é que quando um artista faz sucesso, empresários que muitas vezes transitam em outro mundo de negócios, começam a investir em réplicas daquilo que faz sucesso, estagnando e contaminando um ambiente que poderia dar espaço a mais criatividade.

NG – A crise que o país enfrenta hoje motiva a banda a investir em uma carreira internacional?
HF – Não. Nossa tour nos Estados Unidos não tem relação com o que acontece na economia brasileira. Por aqui sentimos alguma diferença, mas o Skank é uma banda que nunca teve a filosofia de fazer o máximo de shows possíveis. Mantemos nossa frequência num volume que não se torne um sacrifício, e dessa forma é sempre prazeroso fazer shows.

Carreira de Sucesso

NG – O Skank completa 25 anos de trabalho e muito sucesso. O que mudou ao longo desses 25 anos?
HF – Bem, a começar o fato de hoje cada um de nós ter 25 primaveras a mais (risos). A maturidade nos fez bem. Família, filhos, tudo isso faz a gente mudar e isso reflete na banda. Conseguimos “sobreviver” a tantos momentos difíceis dentro e fora da banda. Continuamos sempre aprendendo com tudo o que acontece.

NG – Algum projeto especial para comemorar os 25 anos?
HF – Exatamente para comemorar não planejamos nada. Esse ano lançaremos um box comemorando 20 anos do ‘O Samba Poconé’. Dever ser um álbum triplo, com várias versões de ensaio e outras surpresas.

NG – Dudu Marote assina a produção de Velocia, a exemplo de produções anteriores como ‘Estandarte’, ‘Calango’ e ‘O Samba Poconé’. Como é trabalhar com um produtor que conhece tão bem o trabalho da banda?
HF – Fácil. Somos amigos, e o trabalho flui muito bem. Ele entende o que é Skank. Não precisamos ficar explicando quem somos.

NG – A parceria Samuel Rosa / Nando Reis é responsável por oito das onze faixas de “Velocia”. Como trabalham o processo de composição?
HF – Normalmente fazemos as bases sem letra no estúdio, já com estrutura, melodia e muitas vezes palavras em meio a melodias, e então enviamos para o Nando. Ele devolve, com letra, e aí começa o processo de “lapidação”. Vez ou outra o processo se inverte, e ele envia uma letra para o Samuel criar a melodia e o Skank musicar.

NG – A sonoridade de “Velocia” é resultado do trabalho coordenado entre três estúdios, como o Máquina em Belo Horizonte, o Abbey Road em Londres e o Avatar, em Nova Iorque. Dudu Marote sugeriu esse formato de produção ou a banda já tinha a idéia de conciliar diferentes estúdios?
HF – Na verdade gravamos quase tudo no Máquina. Já havíamos programado a mix em NY, no Avatar. O Abbey Road foi porque o produtor (Rob Mathes), que faria os arranjos e gravaria cordas, estava em Londres gravando com a Sinfônica de Londres no mesmo estúdio. Aproveitamos e fechamos tudo lá.

NG – Quais os próximos projetos da banda?
HF – Seguimos com o “Velocia” até o ano que vem. Ainda não falamos sobre os próximos projetos. Talvez um álbum para o ano que vem.
Fotos: Michel Alves Resende

Serviço:

www.skank.com.br

Shows nos Estados Unidos:

Boston
Produção: Brazil in Concert Group and Ipanema productions*
Sexta-feira, 22 de Julho, 2016
Local: WonderLand Ballroom (Former Club Lido)
Endereço: 1290 N Shore Rd, Revere, MA 02151
Tickets : www.brazilinconcert.com

Nova Iorque
Produção: Brazil In Concert Group
Sábado, 23 de Julho, 2016
Local: Melrose Ballroom ( http://melroseballroomnyc.com )
Endereço: 36-08 33rd St, New York, NY 11106
Tickets : www.brazilinconcert.com

Miami
Produção: Brazil In Concert Group
Domingo, 24 de Julho, 2016
Local: North Beach Band Shell (http://northbeachbandshell.com )
Endereço: 7275 Collins Ave, Miami Beach, FL 33141
Tickets : www.brazilinconcert.com


Salla-Foto-New-Bossa-PearlSallaberry
Músico, produtor musical e bacharel em Publicidade e Propaganda, membro do Latin Grammy. Autor do Manual Prático de Produção Musical.