É Sílvio Santos: o homem por trás do mito

É Sílvio Santos: o homem por trás do mito

Aos 84 anos, é patrimônio nacional e não há quem não goste de suas divertidas brincadeiras aos domingos no SBT. Empresário de hábitos simples, faz questão de preparar a própria comida e escolheu Orlando para ficar nos dias de folga

Silvio-Santos

Ele é uma lenda da televisão no Brasil. Um dos maiores comunicadores do país que transforma os domingos em um dia muito especial. Aos 84 anos, Silvio Santos é patrimônio nacional e não há quem não goste de suas divertidas brincadeiras, envolvendo donas de casas e gente simples do cotidiano. É dono de um dos maiores patrimônios televisivos, o SBT (Sistema Brasileiro de Televisão), com estúdios no bairro da Lapa, em São Paulo, a segunda mais importante Rede de Televisão brasileira. Senor Abravanel, o Sílvio, tem seis filhas e um humor invejável, além da disposição para gravar os seus programas durante horas ininterruptas, deixando evidente que tem boa saúde e faz o que realmente gosta: entreter.

Nascido no bairro da Lapa, no Rio de Janeiro, foi vendedor ambulante – vendia canetas – e seus pais, Alberto e Rebecca Abravanel eram imigrantes, ele da Grécia e ela da Turquia. O empreendedor nasceria mesmo nas conhecidas barcas que ligam Niterói ao Rio de Janeiro. Observando a monotonia da viagem, Silvio criou um serviço de alto-falantes em que animava as viagens com a execução de músicas. Nos intervalos, anunciava produtos e serviços aos passageiros. Foi nessa época que, formado Técnico em Contabilidade, assumiu a empresa Baú da Felicidade, de Manoel da Nóbrega (pai de Carlos Alberto da Nóbrega, conhecido pelo programa “A Praça é Nossa”) depois que o antigo dono levou um golpe que minou a empresa. Em uma época em que o crédito ao consumidor não era abundante como é hoje, reformou o plano de negócios do Baú e passou a vender carnês que, se pagos em dia, davam direito a sorteios e que, ao final, poderiam ser resgatados em mercadorias. Foi um sucesso.

O Sílvio recebeu convite para trabalhar em São Paulo, onde desenvolveu um show em que apresentava espetáculos com artistas e realizava sorteios, que ficou conhecido pelo interior do estado. Percebendo o potencial da televisão, que aos poucos se tornava o entretenimento mais popular do país, alugou um espaço na TV Paulista, onde iniciou comandando um programa de auditório chamado “Vamos Brincar de Forca”. Lembra o apresentador que “como camelô, eu já era um empresário. Mantinha três funcionários. Um ficava olhando quando vinha o rapa. O outro cuidava do estoque de canetas e o terceiro funcionava como farol. Ele chegava de 15 em 15 minutos e dizia: ´Gostei da caneta, me dá uma´, chamando a atenção dos clientes”.

Transformação no palco

Nesses mais de 50 anos de carreira, Silvio Santos participou, e ainda está presente, no crescimento e surgimento de diversas gerações, que acompanham a evolução do apresentador e se divertem com as brincadeiras de seus programas. Domingo, diversão e televisão viraram sinônimos de Silvio Santos, o maior comunicador do Brasil. O curioso é que em cena ele é descontraído, fala o que pensa, mas de forma engraçada e precisa, transformando o que poderia ser bizarro em algo hilário. E quando cisma com o entrevistado, se aproxima e faz uma série de perguntas. Para os diretores e produtores de seus programas é uma espécie de senha, ou seja, quando o “patrão” se interessa pelo convidado o resultado, em termos de audiência, está garantido. Mas isso é a tradução de anos diante das câmeras, afinal, a experiência sobrepõe a qualquer dúvida.

Sílvio não permite erros de sua produção e quem trabalha ao seu lado sabe disso. Nada pode dar errado, com raríssimas exceções, o segredo do seu sucesso. E se algo não lhe agrada, ele interrompe e muda o foco dos acontecimentos. Um gesto imprevisível, mas que garante ao SBT a vice-liderança no Ibope – empresa que mede o índice de audiência da televisão no Brasil -, em várias situações. E apesar do lado enérgico, o apresentador é humano e faz questão de cumprimentar os seus funcionários durante as festas de fim de ano, na emissora. Despojado do terno e gravata, chega muito à vontade nas confraternizações, trajando bermuda e camisa florida. É sempre assim.

Cidadão de Orlando

Não é novidade a ninguém que Sílvio Santos tem casa em Orlando. E durante os dias de folga de suas empresas no Brasil, vem para Orlando e se livra da roupa informal, se permitindo transitar com as famosas camisas floridas, bermuda e o bom humor que lhe é peculiar. Dispensa motoristas ou qualquer tipo de ostentação. É um homem simples, de hábitos comum e, inclusive, gosta de preparar a própria comida. Ele lava a louça, vai ao supermercado e conversa com as pessoas que o reconhecem nas ruas, sem formalidades.

E quando se fala em dinheiro, do patrimônio que construiu no Brasil, Sílvio é objetivo, em alguns aspectos, surpreendendo quem o interpela: “Muitas coisas na vida são mais importantes que o dinheiro, mas custam caro. Depois de certa faixa, depois de garantir o conforto necessário, dinheiro é apenas troféu. Ter muito dinheiro é ter muitos troféus, que atestam que você foi bem sucedido no que fez”, ressalta.

Sílvio careca? Mito ou verdade?

Para esclarecer essa incógnita, até hoje questionada por muita gente, a equipe do “Nossa Gente” descobriu que ele não é careca e que tudo não passou de um golpe publicitário para salvar a polêmica “Revista Melodias – hoje extinta – que na ocasião estava em situação financeira difícil. Em 1971, Silvio Santos fez uma das capas de revistas mais polêmicas da história da imprensa brasileira. Nessa época, a “Revista Melodias”, que cobria o mundo dos artistas, estava com dificuldades financeiras. Plácido Manaia Nunes, criador do “Troféu Imprensa” – que anualmente premia os melhores da televisão brasileira -, passou a comandar a publicação. Silvio Santos aceitou que colocassem na capa uma foto com uma montagem dele completamente careca. A revista alcançou uma vendagem histórica e conseguiu sair da crise. Foi também a partir de 1971 que o “Troféu Imprensa” passou a ser exibido dentro do “Programa Silvio Santos”. Foi nesse mesmo ano que o contrato de Silvio com a Globo terminou. Na época, diretores da emissora queriam mudar sua imagem popular e haviam estipulado outras bases no novo contrato, o que não agradou Silvio. Por causa disso, o apresentador sentia ainda mais necessidade de ter uma emissora de televisão em São Paulo. Os diretores do Grupo Silvio Santos tentaram negociar a compra de ações da Record, mas acabaram não conseguindo. Até que em um certo dia, o apresentador recebeu um telefonema de Roberto Marinho dizendo que gostava de seu programa e queria que ele continuasse na emissora. Silvio assinou um contrato de cinco anos com a Globo.

 Íris Abravanel, a mulher de Silvio Santos, era funcionária do Baú da Felicidade. Com ela, o animador teve Patrícia, Rebeca, Daniela e Renata.
Íris Abravanel, a mulher de Silvio Santos, era funcionária do Baú da Felicidade. Com ela, o animador teve Patrícia, Rebeca, Daniela e Renata.

E dentre as manias de Sílvio, no dia a dia, gosta de comer doces nos finais de semana. A sua camareira, Raimunda Maria da Silva, conta que ele come quatro torradas, bife e 50g de queijo, além de um copo de café com leite. Isso é o seu café da manhã. Diariamente acorda às 5h da manhã, faz exercícios, cuida da alimentação e vai trabalhar. Silvio dorme todos os dias às 22h30. Dentre as seis filhas, as duas primeiras, Cíntia e Silvia, foram adotadas durante seu casamento com Maria Aparecida Abravanel, a Cidinha, como era conhecida a primeira esposa do apresentador, que morreu de câncer em 1977. Um ano depois, Silvio casou-se com Íris Abravanel, com quem está há quase 30 anos. Juntos, os dois tiveram quatro filhas: Daniela, Patrícia, Rebecca e Renata.