Descontração no encontro com atores de “Selfie”

Descontração no encontro com atores de “Selfie”

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JAN/2017 – pág. 10

Mateus Solano e Miguel Thiré abordaram tópicos da comédia que agradou o público em Orlando e Miami, analisando a era da tecnologia que cria um universo paralelo, com janelas abertas para o mundo. Simpáticos e brincalhões falaram de personagens e dos desafios da carreira

Fabiana da Kaluah Tours, Marcio  do Nossa Gente, Priscilla da BIS, Miguel Thirre, Matheus Solano e Paulo do Nossa Gente
Fabiana da Kaluah Tours, Marcio do Nossa Gente, Priscilla da BIS, Miguel Thirre, Matheus Solano e Paulo do Nossa Gente

 

Imagine o encontro de dois atores amigos na vida cotidiana, que tiveram a ideia de montar um espetáculo teatral baseado na palavra selfie, que viralizou a partir de 2014 nas redes sociais em todo o planeta, com flagrantes de artistas, políticos, socialites, enfim, do povo de forma geral. Mateus Solano e Miguel Thiré delinearam o tema, mas não dispunham de texto, diretor ou mesmo por onde começar a desenvolver a iniciativa, embora entendessem que uma comédia abordando o assunto selfie era a grande sacada. “Pensamos em alguém para dirigir e lembrei-me do Marcos Caruso, que conheci há pouco tempo, um profissional muito querido e ele perguntou o que tínhamos para desenvolver o trabalho. Eu disse que dispúnhamos apenas da palavra selfie. Ele olhou surpreso e mesmo assim apostou na nossa proposta. Em três meses e meio montamos um espetáculo diferente, que nasceu de nossas improvisações. A gente está sempre mexendo no texto e já tivemos 210 apresentações, surpreendentemente em um país onde há falta de apoio para o teatro”, relata o ator Mateus Solano durante entrevista em Orlando.

Mateus Solano e Miguel Thiré conversaram com a imprensa durante encontro programado pela “Bis Entertainment”, promotora do evento, em parceria com outras empresas, abordando sobre a comédia “Selfie”, texto de Daniela Ocampo e direção de Marcos Caruso, protagonizada por ambos os atores. O espetáculo teve apresentação única em Orlando, no “Bob Carr Theater”, posteriormente seguindo para o “Olympia Theater”, em Downtown Miami, onde encerrou a temporada. A grande novidade no palco foi à tradução simultânea para o inglês, de Tiago Martins e Fábio de Souza, que favoreceu americanos, hispânicos e pessoas que não dominam o idioma português e que puderam se divertir com o texto.

Acrescentou Miguel Thiré que a comédia “Selfie” alerta sobre o domínio da tecnologia em nossas vidas. “Esse universo paralelo está com a janela aberta para o mundo e nos tira da vida real. A peça é uma brincadeira sobre isso. A história de uma cara, o Cláudio, superconectado e que está fazendo uma plataforma, mas ele acaba perdendo as informações, importantes conexões, então resolve enfiar um chip em seu cérebro. Mas isso é o que hoje nós já somos. São dez personagens que eu faço, ao lado do Mateus (Solano), mostrando a realidade de pessoas que vivenciam a tecnologia da selfie. O espetáculo não é uma crítica, mas deixa uma reflexão no final”, conta Thiré. “É uma comédia que não tem cenário, apenas a composição de roupas de voz e de mímica”.

Mateus Solano, abordando a sua trajetória no teatro, disse que começou muito jovem e que quando foi picado pelo o que ele denomina “a mosca azul”, passou de fato a se empenhar na carreira. E o seu ingresso na Globo ocorreu em 2009, quando foi chamado para fazer um teste para a minissérie “Maysa – Quando Fala o Coração”, enfocando a vida e carreira da cantora Maysa. O ator acabou ganhando o papel do compositor Ronaldo Bôscoli, surgindo outros convites para novelas na emissora. “O teatro realmente é uma faculdade para o ator e quando um belo dia me convidaram para o teste na Globo, era o começo de uma nova etapa na minha carreira”, lembra.

Segundo Miguel Thiré, a sua carreira sempre teve o apoio dos pais. Venho de uma família de atores, o meu pai (Cécil Thiré) a minha avó (Tônia Carrero), são referências, mas nunca me impuseram isso. Pelo contrário, o meu pai falava dos desafios e até sugeriu que eu fosse advogado porque se algo acontecesse no nosso mercado todo mundo ia para o buraco (risos). Estreei em ´Malhação´, depois fiz a novela das oito, mas sempre com essa paixão intensa pelo teatro”, diz.
Mas Thiré faz ressalva em seus comentários, ressaltando a força da Globo que transformou a vida do seu amigo, se referindo a Mateus Solano. “Eu brinco dizendo que o Mateus é a mesma pessoa, pois somos amigos há muito tempo, mas a sua aparição em novelas e minissérie o transformou em Mickey Mouse. Ele virou Michey (risos). E curiosamente estamos nos apresentado na terra do Michey”.

Indagado sobre o sucesso de seu personagem Felix na novela “Amor à Vida”, que conquistou o público no Brasil e nos Estados Unidos, e se isso seria o real motivo pela ida das pessoas ao teatro para ver “Selfie”, responde Mateus Solano o seguinte: “pessoas que vão pela primeira vez ao teatro para ver o artista da televisão se surpreendem com a linguagem teatral, com o texto, e a performance do artista que ele assiste na televisão. Eu ficou feliz em saber que através do meu trabalho na televisão eu trago pessoas para o teatro que é um exercício de concentração e de reflexão. Hoje em dia, por exemplo, é difícil uma pessoa se concentrar na leitura de um livro em função do seu cotidiano e o teatro proporciona esse momento especial”.

O personagem Félix em “Amor à Vida” teve grande repercussão, e isso é fato. Mas o que se percebe é que Mateus Solano nas entrevistas deixa escapar os trejeitos do personagem. Consultado quanto às dificuldades para se despojar de tipos tão marcantes, o ator brinca: “Vamos ao Felix, bem eu sempre dei pinta? (risos). Não tem jeito (risos). Acho que foi o contrário, o Felix é que me transformou (risos). A construção do personagem você usa quando o diretor diz, gravando, então você recorre ao que você tem do personagem. E é exatamente isso que a gente gosta de fazer. Acho que todo bom ator dá um pouco de pinta”.

Perguntado a respeito da selfie no dia a dia, na vida real, e como lidar com a situação, e mesmo a experiência de estar nos Estados Unidos, Mateus Solano foi enfático na sua colocação: “Olha a recepção que estamos tendo desde a chegada a Orlando tem sido calorosíssima. E o que me impressiona é o respeito e a importância dos Estados Unidos com o entretenimento. O ator aqui canta, dança e sapateia, algo impressionante. Aos 14 anos estive em Orlando com meu irmão. O meu irmão nasceu em Washington e morei em Washington. Ainda menino eu aprendi o inglês, mas esqueci tudo”, lembra.

“O ano passado estive seis vezes nos Estados Unidos, trabalhando em um filme em Nova York e foi um desbunde porque a equipe americana foi excelente, muito bacana e tive uma ótima experiência”, ressalta. “Agora a selfie vem crescendo muito comercialmente porque é algo que a gente faz o tempo todo, e ganha-se dinheiro com isso. Eu por exemplo não sei tirar foto minha com o público, é sempre eu em algum lugar. Mas essa intensidade é um inferno , e como cansa isso. Eu procuro me afastar. Eu nem tenho Facebook, apenas front page”, relata.

Miguel Thiré confessou ser um aficionado por celular, o tempo todo fazendo uso do aparelho. “Duas coisas que não abro mão é consultar o trânsito e a previsão do tempo. Às vezes estou em algum lugar e fico sabendo onde está engarrafado ou como vai à temperatura, além de falar muito pelo celular”, admite. “Eu morei em Lisboa e todos os dias dou uma olhada para saber como anda a previsão do tempo por lá. E para mim é muito curioso estar nos Estados Unidos. É muita novidade por aqui. A cultura americana é referência para o ator, morei em Nova York e estudei aqui. E nós atores aprendemos muito aqui”, ressalta.

Quanto à possibilidade de vir a morar em Orlando no futuro ou em outra cidade dos Estados Unidos, a exemplo de vários artistas brasileiros, Miguel Thiré, quando perguntado, disse que “tenho uma identificação com o país, já estive outras vezes aqui, agora quanto a morar aqui, pela minha convivência seria em Nova York. Falo inglês, fiz aulas na Broadway, dá vontade de encarar esse mercado, mas ao mesmo tempo há certo receio. E recomeçar a essa altura, depois de vinte anos de estrada, é algo para analisar. Eu não gostaria de vir morar aqui porque o Brasil não está bem. Se venho para cá é para aprimorar o meu trabalho e não fugir da responsabilidade com o Brasil. Acho que não seria justo, como artista tenho responsabilidade com o meu país.”, determina.

Já Mateus Solano afirma que nunca teve a intenção de morar nos Estados Unidos. “O meu objetivo é interpretar personagens, seja ele um sujeito mau ou veado, não importa, é um se humano. Se ele é um sujeito mau porque tem razão para isso, e se é veado é porque é assim, e devemos gostar das pessoas como elas são. Então essa construção dos personagens é o que eu amo fazer, seja no Brasil ou em qualquer lugar do mundo. Eu tenho uma grande responsabilidade de estar nos Estados Unidos fazendo um trabalho para o país. Eu tenho muito orgulho estar aqui fazendo meu trabalho. E como artista brasileiro, somando ao que foi dito pelo Miguel (Thiré), tenho um compromisso com o meu país também”, relata.
Elogiando o potencial de Orlando em consolidar o elo cultural com o Brasil, Mateus Solano enaltece o trabalho da “Bis Entertainment”, comandada pela empresária e promoter, Priscila Triska, e das empresas parceiras, pelo empenho de trazer grandes atores e espetáculos para os Estados Unidos. “Um projeto muito bacana que permite aos atores brasileiros de se apresentarem na Flórida, para o público brasileiro que reside aqui e para os estrangeiros também, o que considero louvável”, finaliza.


WaltherAlvarenga

Walther Alvarenga