Cidão, estrela do vôlei revela desafios que Brasil desconhece

Cidão, estrela do vôlei revela desafios que Brasil desconhece

Alcídio Mello, o Cidão, fez história na Seleção Brasileira de Vôlei, integrando o time que deu à modalidade respeitabilidade em âmbito mundial. Ele fala com exclusividade ao “Nossa Gente”

Edição de março/2018 – pág. 14

Cidão, estrela do vôlei revela desafios que Brasil desconhece

Alcídio Mello, o Cidão, responsável por acontecimentos memoráveis nas quadras do Brasil e de vários países, fez história na Seleção Brasileira de Vôlei, integrando o time que deu à modalidade respeitabilidade em âmbito mundial. E quem é que não se lembra do sujeito grandalhão, o Cidão, que derrotou poderosos adversários ao lado de Marcelo Negrão, de Giovanne, sob o comando técnico de Bebeto de Freitas – entre os anos de 1983 a 1991. Atualmente residindo em Orlando com a família, Cidão está estudando, aprimorando o inglês, mas ainda não vislumbrou seu futuro no país, embora tenha todas as possibilidades para se tornar “coach”, ele que é formado em Educação Física pela Universidade de Santa Cecília, em Santos (SP). “No momento estou voltado apenas para os meus estudos e é o que posso adiantar”, comenta o ex-craque.

“Tenho amigos do vôlei que residem nos Estados Unidos, mas não estou aqui a trabalho”, acrescenta Cidão que também exerceu o cargo de Secretário de Esportes na cidade de Santos, em São Paulo – de 2013 a janeiro de 2017 –, na gestão do Prefeito Paulo Alexandre Barbosa. “A minha vinda para Orlando proporcionou à mim e a minha esposa – Cláudia –, novas oportunidades. A minha esposa é funcionária pública e está licenciada, o que a permite estudar, assim como a minha filha de com oito anos. Orlando é uma cidade maravilhosa. Sempre encontro brasileiros que ainda se lembram dos meus jogos pela Seleção Brasileira”, enfatiza. “Outro dia estava no supermercado e um senhor olhou para mim e disse: você não é aquele jogador da Seleção de Vôlei?”, conta Cidão.

Indagado sobre o período importante de sua carreira esportiva, integrando um time de estrelas do voleibol brasileiro que fez história – Marcelo Negrão, Mauricio, Giovanne, Tande, Cidão, Jorge Edson, Janelson, Paulão, Pompeu, Pampa, Carlão –, o ex-atleta lembra do futuro promissor. “A minha geração no vôlei atuou entre a conquista das medalhas de prata e de ouro. A minha ascensão no esporte foi muito rápida. Aos 17 anos saí de Santos a convite do técnico Bebeto de Freitas para integrar a equipe da Atlântica Boa Vista no Rio de Janeiro. Aos 17 anos, já era atleta de seleção. Eu e os meus colegas contribuímos muito para que o Brasil chegasse onde chegou”, destaca o atleta.

Mas, lembra Cidão, que ele não jogou nas Olimpíadas de Seul, na Coreia do Sul, e nas Olimpíadas de Barcelona, na Espanha, por ter machucado o joelho às vésperas das respectivas convocações. “Não me considero um atleta olímpico porque infelizmente machuquei o joelho antes das olimpíadas. Como eu disse, contribui muito com o meu país para levar a nossa seleção ao pódio”, comemora.

Quando questionado se as contusões que o deixaram de fora das Olimpíadas o entristeceram, Cidão foi enfático. “Evidente, a gente se ressente de alguma forma, mas dá a volta por cima e continua. Na época eu era muito jovem e a única coisa que eu queria naquela ocasião era jogar vôlei. Estar em quadra jogando, era maravilhoso. A decepção passa muito rápido. Mas estive em competições importantíssimas que deram visibilidade à nossa seleção”, ressalta.

No comparativo entre Brasil e EUA, quanto a jogar vôlei e ser escalado para a seleção, explica Cidão que a metodologia americana é bem diferente. “Aqui os atletas saem das universidades. As universidades dão importância aos talentos em suas respectivas modalidades esportivas, o que não acontece no Brasil. Todo atleta americano de seleção tem uma universidade, o que representa a valorização do indivíduo através da educação, lhes proporcionando bolsas de estudos e ótimas condições de aprendizado”.

“No Brasil há um trabalho de base para o atleta chegar à seleção. Ele vem das categorias menores, galgando potencial técnico até ser enxergado pelos grandes treinadores. É um trabalho louvável porque o atleta adquire muito mais experiência e potencial técnico para defender uma seleção. Quando é convocado, ele reúne os quesitos essenciais para disputar campeonatos”, relata Cidão.

Ao ser perguntado sobre o atleta de expressão, na sua ótica, que atualmente integra a Seleção Brasileira de Vôlei, Cidão não hesitou na resposta, apontando Lucarelli Santos de Souza, mais conhecido como Lucarelli, que atua como ponta. “O Lucarelli é um ótimo jogador. Gosto muito da maneira como ele atua na quadra. O Brasil tem feito um trabalho muito bom no vôlei, com um trabalho de base que tem revelado grandes talentos. Temos hoje ótimos olheiros que estão peneirando a molecada para levar à seleção brasileira”.

“Veja que o Brasil hoje está nas principais finais, entre os quatro primeiros do mundo. Temos uma comissão técnica com profissionais capacitados, em todas as categorias, avaliando e recrutando novos talentos o que garante ao Brasil posição de destaque nas competições”, avalia Cidão.

Quanto aos salários milionários pagos aos jogadores de futebol no mundo, Cidão disse que tem sido a tendência do mercado do esporte. Sobre o voleibol, quando questionado, “evidente que temos jogadores de seleção que ganham bons salários. Na minha época não era assim, a gente jogava por amor à camisa e é por isso que não fiquei rico”, brinca. “Mas o vôlei, sem duvida, é outra cultura”, afirma.

E mesmo residindo temporariamente em Orlando, Cidão comanda uma ONG (ANE – Associação Nacional de Esportes) no Brasil, na cidade de Santos, voltada ao esporte. “Tenho dito que Santos tem o DNA do esporte. Com os meus contatos, mesmo quando atuei na Secretária de Esportes, fiz conexões internacionais importantes e levei para Santos eventos de extrema valia que tem dado oportunidade aos atletas de ingressarem no esporte e de vislumbrarem um futuro promissor. Levei o esporte para a cidade inteira e isso foi muito compensador”, finaliza Cidão.