Causas e consequências da síndrome do pânico
Leila Tardivo

Causas e consequências da síndrome do pânico

Levantamentos da Organização Mundial da Saúde mostram que atualmente cerca de 33% da população no mundo sofre de ansiedade. A psicóloga Leila Tardivo alerta para os sintomas da doença

Edição de agosto/2017 – pág. 14

A síndrome do pânico é doença que tem aumentado consideravelmente nos últimos cinco anos, atingindo homens e mulheres e até mesmo crianças, em contingente preocupante. Levantamentos da Organização Mundial da Saúde (OMS), mostram que atualmente cerca de 33% da população mundial sofre de ansiedade. O Brasil tem aparecido sempre entre os primeiros das listas da organização. Mas quais os fatores que desencadeiam sintoma tão maléfico, que deixa pessoas inertes, reféns do medo?

Segundo a psicóloga Leila Tardivo, do Departamento de Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia da USP e pesquisadora na área da Saúde Mental e Psicologia Social, “crises fortes de medo e ansiedade – o medo do medo – podem ocorrer a qualquer hora e em qualquer lugar. Podem surgir de forma intensa e descontrolada”, alerta.

A origem da palavra “pânico” é proveniente do grego “panikon” que tem como significado susto ou pavor repetitivo. Explica Leila Tardivo que há uma série desse sintoma: “pode um sintoma grave ou algo não tão grave. Têm pessoas que sentem muito medo, com uma intensidade de gravidade. A síndrome é um conjunto de sinais e sintomas, que pode vir isoladamente, ou pode ser o resultado de um trauma”, relata.

“Pode, inclusive, ser uma manifestação física ou psíquica, portanto há uma variedade ampla. Mas de qualquer forma, o que se caracteriza finalmente, o que denomina síndrome do pânico é um transtorno de classificação psiquiátrica; em psicologia dinâmica e psicanálise classifica mais como sintoma ligado a angústia”, confirma a psicóloga.

“Nas classificações, a síndrome do pânico está relacionada especificamente aos transtornos de ansiedade. E relaciona-se também com os transtornos de humor”, explica.

Indagada sobre a angustia, se a causa ou consequência da síndrome do pânico, Leila Tardivo disse que, “na verdade é um resultado como consequência, mas também como causa. De repente a pessoa fica angustiada sem uma causa, e passa a sentir medo de alguma situação que a pessoa não consegue localizar. A o sintoma da síndrome do pânico é difuso, e diferencia um pouco da fobia. A fobia tem uma causa específica que seria medo de lugar aberto, medo de lugar fechado, medo de avião, de cachorro, enfim, todas essas fobias tem um objeto definido”.

“A síndrome do pânico a princípio não tem um objeto definido, mas depois pode acarretar. Por exemplo, a pessoa passou mal em um supermercado e não quer voltar lá mais; passou mal dando aulas e não quer mais dar aulas. E como qualquer manifestação humana, ela tem aspectos biológicos, psicológicos e sociais, o biopsicossocial”, informa.

Manifestação em criança

A síndrome do pânico infantil não difere da manifestação em adultos: há sintomas no corpo e na mente. Normalmente, ela é marcada pelas crises de ansiedade – que podem durar de cinco minutos até meia hora e, em casos mais graves, uma hora – e por algum tipo de fobia.

Se não tratada, ela pode aumentar as chances do desenvolvimento de TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo), hipocondria e depressão.

Cerca de 5% das crianças e adolescentes ocidentais sofrem de algum transtorno de ansiedade, conforme dados da Associação Internacional de Psiquiatria da Infância e Adolescência e Profissões Afins (IACAPAP, na sigla em inglês), dos EUA.

Tratamento

Os profissionais da saúde mental são os responsáveis por acompanhar os pacientes no tratamento da síndrome do pânico, sendo eles os psicólogos, psiquiatras, conselheiros de saúde mental e assistentes sociais. No entanto, o único que pode prescrever medicamentos é o psiquiatra. Já os tratamentos da psicoterapia podem ser realizados tanto por psiquiatras como psicólogos.