“Caravana do Amor”, um gesto nobre de solidariedade

“Caravana do Amor”, um gesto nobre de solidariedade

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JAN/15 – pág. 40

Eles são os anjos da alegria, visitando hospitais, asilos e instituições que abrigam pessoas com necessidades especiais, em Orlando. Na bagagem, música, sorriso e esperança, proporcionando momentos inesquecíveis a quem tanto precisa

Walther Alvarenga

Caravanadfoamor04Há oito anos, a “Caravana do Amor” (Caravan of Love), integrada por um grupo de voluntários brasileiros, liderado pelos músicos Bruno Teixeira e Geraldo Coura, além de Sílvia Faria e Ibis Ishida, percorre semanalmente lares de idosos, hospitais e instituições para pessoas com necessidades especiais, em Orlando, levando amor e carinho aos residentes. Um gesto nobre de solidariedade, regado à música, sorrisos e abraços fraternos, consolidando uma prática que surgiu no Brasil, em Belo Horizonte, há mais de 50 anos, através da OCAS (Organização Cristã de Amparo Social). Nos Estados Unidos, esse importante movimento social também acontece em Miami, organizado pelo Grupo Espírita “Dr. Bezerra de Menezes”. “A Caravana do Amor” – Orlando -, foi fundada por Bruno Teixeira, com apoio dos centros espíritas, “Love & Charity (Amor e Caridade) e “Peace & Knowledge” (Paz e Conhecimento) e precisa de voluntários. “É importante doar algumas horas em solidariedade ao próximo. Levamos carinho, música e sorriso para pessoas solitárias, que necessitam de atenção. A maioria não tem família. Um encontro maravilhoso, alegrando crianças e idosos”, lembra a voluntária, Sílvia.

Uma trajetória incansável, por parte dos voluntários da “Caravana do Amor”, que adentram os hospitais, visitando os pacientes com câncer ou necessidades especiais, que são cortejados pela música, dança e vibrações positivas. Uma vez por semana, disse Sílvia Faria, cerca de oito instituições recebem a visita da equipe solidária. São asilos, instituições que cuidam de crianças portadoras da síndrome de Down e autismo, lar de idosos e Nurse home. Entretanto, explicou o músico e organizador, Geraldo Coura, que a falta de voluntários para atender os pedidos para visitações é o grande desafio. Ele, inclusive, requisita músicos e pessoas que queiram se integrar ao movimento social, auxiliando a “Caravana do Amor”, mediante as inúmeras solicitações. “Precisamos de mais voluntários para visitarmos um número maior de hospitais e asilos em Orlando. O objetivo é ampliar o nosso trabalho para outras cidades na Flórida, reforçando o movimento”, diz.

Fundação Caravana do Amor

Adiantou o organizador que será inaugurada a “Fundação Caravana do Amor”, em Orlando, e que os estatutos já estão prontos, a partir daí, dando um passo importante para o crescimento e fortalecimento da entidade. “A finalidade da fundação é expandir e agregar mais voluntários, portanto, estamos reivindicando a participação de estudantes americanos e brasileiros. Nos Estados Unidos, o que não acontece no Brasil, o aluno precisa complementar o seu histórico escolar com a chamada hora voluntária. É obrigatório que o aluno preste algum tipo de serviço comunitário. É uma exigência do país. Eu mesmo vou avaliar e validar, com autorização dos órgãos de Educação, o desempenho de cada aluno que prestar serviços para a nossa fundação”, acrescentou Geraldo. “Vamos aproveitar estes jovens para montar peças teatrais, com mensagens de amor e solidariedade ao próximo. Pretendemos formar grupos musicais e realizar um bom trabalho de marketing, beneficiando mais instituições na Flórida”, conta.

Mas o que há em comum, entre Bruno, Geraldo e Sílvia – além dos demais voluntários da “Caravana do Amor”? Respeito ao próximo. Segundo Sílvia, natural da cidade de São Paulo, “sinto falta quando não visitamos pessoas, pela insuficiência de voluntários. Criou-se um elo muito forte com os residentes que visitamos. Eu sempre gostei de trabalhar com gente. Nas primeiras visitas da Caravana, saía chorando ao presenciar a tristeza no olhar dos idosos. Visitamos locais pobres e isso mexeu comigo. Em momento algum, levamos tristeza para essas pessoas, pelo contrário, é música e alegria para todos. Hoje tenho consciência da importância de doar parte do meu tempo para os que tanto necessitam de carinho e atenção. E se o residente está doente e não pode sair da cama, vamos até o seu quarto e fazemos a festa. É muito prazeroso e divertido”, fala com emoção.

Geraldo Coura e a esposa Ibiza – que se conheceram no Brasil, durante as visitas aos idosos e necessitados – trabalham com afinco na “Caravana do Amor”. Lembra Coura que em Belo Horizonte, há 52 anos, ambos percorriam os bairros – acompanhados de outros voluntários – levando amor e carinho aos pacientes de hospitais e asilos. “Depois fomos para o São Paulo e participamos da Campanha do Agasalho, distribuindo comida e agasalhos para os desabrigados, embaixo de pontes. Mudamos para o Rio de Janeiro e continuamos com a nossa tarefa de visitação. Visitamos presídios, leprosários e até manicômios. É um trabalho de entrega ao próximo e não há como parar, impossível”, complementa.

Palhaços e Papai Noel

E não existe empecilho entre os voluntários da “Caravana do Amor” quando a meta é alegrar. Seja vestidos de palhaços, de Papai Noel, não importa, eles marcam presença, munidos de músicas alegres, arrancando o sorriso de pessoas que foram abandonadas pela família e que se confortam com a energia que recebem. Há oito anos, o grupo trabalha em Orlando, iniciativa do fundador e organizador, Bruno Teixeira, que participou do mesmo grupo com Geraldo, em Miami, e que trouxe a idéia para a cidade. “Essa gente faz parte de nossas vidas”, diz Sílvia. “Brincamos com as crianças e é maravilhoso poder proporcionar o bem a quem tanto precisa. Hoje eu trabalho em uma clínica de aparelhos auditivos, auxiliando pessoas. No Brasil, trabalhei em hotelaria, sempre estive cercada de gente”, lembra. “Gostaria de falar de uma idosa que visitamos, a senhora Beatriz, que completou 105 anos de idade. Ela é linda, lúcida e adora as nossas visitas. Hoje ela está acamada porque não consegue andar, mas vamos até o seu quarto e é maravilhoso”, conta Sílvia. “A Caravana é amor e dedicação”, finaliza.

Site – www.caravanoflove.org

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Walther Alvarenga