Brasileira está entre os dez melhores alunos do Valencia College

Brasileira está entre os dez melhores alunos do Valencia College

Pamela Bragança Tello foi destaque do curso “AS – Business Marketing” do Valencia College, recebendo placa de homenagem durante almoço de premiação pela excelência em sua performance acadêmica. Uma história de superação da jovem estudante que enfrentou a depressão e a síndrome do pânico

Edição de abril/2018 – p. 20

Sua performance acadêmica obteve o reconhecimento da direção do Valencia College, em Orlando, sendo homenageada no Distinguished Graduating Student Luncheon 2018 – evento que reuniu os dez melhores alunos da faculdade que estão graduando em seus respectivos cursos. A brasileira Pamela Bragança Tello foi o destaque do curso Business Marketing, recebendo placa de homenagem em almoço de premiação promovido pelo Valencia, denotando excelência nas aulas e GPA 3.96. No momento em que subiu ao palco para receber sua outorga, os olhos ficaram marejados de lágrimas: “Superação é a palavra que resume tudo o que eu passei para chegar até aqui”, reconhece Pamela durante entrevista. “Não fossem os meus pais, não fosse à ajuda que recebi de pessoas especiais, diria anjos, não sei o que teria sido de mim”, relata com emoção.

O convite da presidente do curso AS – Business Marketing, Cheri Cutter, do Valencia College, para comparecer ao almoço de premiação com os melhores alunos graduados, surpreendeu Pamela. “Cheri Cutter me enviou um e-mail solicitando a minha presença no almoço de premiação, reconhecendo a excelência de minha performance acadêmica. Pensei que seria um evento grande, mas quando cheguei la eram apenas os dez melhores alunos de toda a faculdade sendo homenageados, a maioria mulheres – tinha apenas um rapaz. Foi uma honra ter sido escolhida. Entre os alunos premiados quatro eram mulheres brasileiras, o que me deixou muito feliz e orgulhosa”, lembra a carioca, do Rio de Janeiro.

Mas, reconhece Pamela Tello, sua trajetória para estar entre os melhores alunos foi de superação. “Passei por momentos de muita dificuldade emocional, com dor insuportável na coluna, síndrome do pânico e depressão. Tive de superar as dificuldades da língua na faculdade, imagine, e já no primeiro semestre discursei à frente de alunos americanos, de pessoas que falam o inglês com perfeição. Fiquei nove anos sem estudar e, depois, entro numa faculdade americana. Não foi fácil, então precisei recorrer à ajuda de pessoas que não mediram esforços em me ajudar. Devo isso aos meus pais, que o tempo todo estiveram do meu lado”, fala com ênfase.

Conta Pamela que a síndrome do pânico e a depressão foram os grandes desafios, sintomas que já no Brasil, antes mesmo de se mudar para os EUA, davam indícios. “Eu tinha indícios de ansiedade no Brasil, mas quando surgiu à oportunidade de vir morar nos Estados Unidos – em 2008 – aproveitei o momento. Quando cheguei aqui entrei em depressão profunda e, depois, veio à síndrome do pânico”, relata.

“Fui para a psicóloga, tomei remédio e fiz terapia durante um ano, mas depois parei com os medicamentos. A síndrome do pânico foi voraz, fiquei um ano em tratamento, mas até hoje a ansiedade é um sintoma que precisa ser controlado”, alerta Pamela. “As complicações na coluna surgiram após um acidente de carro e uma vida sedentária nos Estados Unidos. Um dia não levantei mais da cama, as duas hérnias de disco na minha lombar atingiram o meu nervo ciático, e só conseguia ficar deitada, isso durou três semanas até eu conseguir ir para o hospital. A dor na coluna era insuportável”.

“A minha mãe – Rita de Cássia –, era quem me socorria o tempo todo. Até mesmo quando ia tomar banho e a água do chuveiro caía na minha cabeça, doía à coluna. Banho era uma vez por semana. A dor era constante, depois ela foi se espaçando, mas não sumia por completo. Eu fiquei três meses na cama até encontrar um médico que me desse injeções de cortisona direto na coluna e eu começasse a andar melhor. Eu andava toda curvada. O tratamento intenso a base dessas injeções, caminhadas na piscina e fora, alongamento, fisioterapia, cintas de suporte e suplementos de glucosamina duraram um ano. Nesse período também tive uma recaída da depressão, mas foi superada sem remédios conforme eu via melhora na minha recuperação”, conta.

Os anjos, a grande ajuda.

O brasileiro Daniel Galeli, que trabalha com acupuntura e massagem, além de utilizar a medicina alternativa, foi quem socorreu Pamela e a fez levantar da cama. “Ele foi um anjo na minha vida, só tenho de agradecê-lo por ter me colocado de pé quando tudo parecia remoto. O Daniel (Galeli) se empenhou muito com acupuntura, massagem, orações e em suas visitas virava até meu terapeuta. Ele me levantou da cama para ir ao hospital”, lembra.

“E quando fui para a faculdade, depois de anos de batalha contra a depressão e a síndrome do pânico, ainda sentia dor na coluna. Estava na sala de aula, tentando me concentrar, sentindo dor. Precisei recorrer a minha força interior para superar os desafios. O meu pai – Daniel – me ensinou a dirigir e me incentivou a ir para a faculdade de carro. Ele me mostrou o caminho da independência. Inclusive, me acompanhava até a faculdade e depois ia me buscar. Eu ia à frente dirigindo o meu carro e ele me seguia, no seu carro, até que me sentisse segura. Foi mais uma etapa vencida, graças ao empenho do meu pai”.

Pamela enumerou as pessoas especiais que a ajudaram e que continuam lhe dando apoio nessa trajetória de superação. “Gostaria de mencionar duas psicólogas brasileiras que foram fundamentais na minha difícil trajetória nos Estados Unidos. A doutora Branca Polanco foi a primeira psicóloga a me ajudar quando cheguei aos Estados Unidos; depois tem a psicóloga e terapeuta, Elaine Silva que, inclusive, me acompanhou até a faculdade quando me sentia insegura na direção. Ela fez exatamente como o meu pai. Além de excelente terapeuta, uma amiga muito querida, um porto seguro”, enfatiza.

A brasileira também externou gratidão pelo trabalho do médico Mark Konsinsky, que cuida das suas costas até hoje. “Todos esses profissionais maravilhosos, incluindo os meus pais, foram os anjos que me socorrem e que me socorreram nos momentos cruciantes de minha vida. Gostaria de agradecê-los pelo carinho. Não fossem eles, hoje estaria em condições complicadíssimas. Nunca vou esquece-los, sou muito grata por tudo que fizeram por mim”, reconhece. “Hoje faço fisioterapia, alongamento e trabalho a minha ansiedade. Todos os dias tem sempre um novo desafio e precisamos estar fortes para supera-lo”.

Atualmente graduando em dois cursos, “AS Business Marketing” e “Técnico em Planejamento de Eventos”, no Valencia College, Pamela faz projetos para o futuro e planeja cursar “Bacharel em Business”, consolidando a sua meta profissional. “O reconhecimento que tive na minha faculdade, e que continuo tendo, dentre os milhares de alunos, me motiva a continuar. As pessoas podem nos tirar tudo o que temos, mas jamais poderão tirar o nosso conhecimento”, finaliza Pamela Tello.