Brasil espera continuidade nas relações com Estados Unidos em novo mandato de Obama

Agência Brasil

O Brasil deve esperar continuidade nas suas relações com os Estados Unidos no segundo mandato do presidente Barack Obama, que começou oficialmente no domingo, 20 de janeiro.

A principal mudança na equipe de política externa de Obama será a substituição da atual secretária de Estado, Hillary Clinton, pelo senador John Kerry – que ainda precisa ser sabatinado pelos colegas da Comissão de Relações Exteriores -, o que deve ocorrer na próxima quinta-feira (24). Até lá, o Departamento de Estado americano evitará comentar as mudanças de equipe ou de estilo que podem vir com o novo chefe.

Hillary Clinton, com estatura suficiente de presidenciável, elevou ainda mais a já alta visibilidade da diplomacia americana. Mesmo assim, não descumpriu a orientação do chefe, de estabelecer uma relação menos bélica e intervencionista entre os Estados Unidos e o mundo, em contraposição aos dois mandatos do republicano George W. Bush. A atual secretária de Estado é creditada com as iniciativas da diplomacia para promover a igualdade de gêneros, que muitos analistas acreditam será uma de suas marcas à frente da pasta.

Já John Kerry, dizem analistas, pode ser uma figura ainda mais adequada ao perfil de Obama. Ele é visto como menos “político” e mais pragmático do que Clinton e, devido à sua menor visibilidade, talvez até mais afeito às negociações de bastidores.

Mas não é esperado que uma mudança de estilo no Departamento represente grande mudança para as relações entre o Brasil e os Estados Unidos, “refundadas” pelos presidentes Dilma Rousseff e Barack Obama. A visita de Obama ao Brasil, em 2011, e de Dilma aos Estados Unidos, em abril do ano passado, injetaram uma dinâmica positiva no relacionamento, que estava desgastado no final do governo do ex-presidente Lula, em consequência das divergências em relação ao Irã, ao golpe em Honduras em 2009 e a posições conflitantes em fóruns multilaterais.