Benefícios de uma dieta anti-inflamatória para crianças

Benefícios de uma dieta anti-inflamatória para crianças

Edição de abril/2018 – p. 31

Em entrevista concedida ao Medscape Pediatrics, a Dra. Diane Barsky, do Children’s Hospital of Philadelphia (CHOP), diz que a inflamação é uma maneira natural do corpo reagir para nos proteger, mas a inflamação crônica não funciona bem. Os ciclos de citocinas e mediadores anti-inflamatórios podem continuar a aumentar e, por sua vez, a resposta imune do corpo produz mediadores que permitem que a inflamação ocorra de maneira contínua e fora de controle. Esta inflamação crônica pode aumentar o risco de obesidade, diabetes tipo 2, doenças cardíacas e algumas formas de câncer, bem como outras doenças autoimunes.

O objetivo é manter a saúde, prevenindo, se possível, o ciclo inflamatório crônico, utilizando uma dieta anti-inflamatória. No entanto, precisamos lembrar que a comida não é um substituto para a medicina, mas uma parte da medicina para prevenção de doenças.

O que é uma dieta anti-inflamatória?

É uma dieta baseada em dois antigos padrões saudáveis de alimentação: a dieta asiática e a dieta mediterrânea. Acredita-se que a combinação dos dois seja uma das maneiras mais saudáveis de comer.

A dieta mediterrânea tem sido estudada nos últimos 30 anos. A dieta anti-inflamatória estimula a ingestão de alimentos frescos e evita alimentos processados, sabores artificiais, xarope de milho rico em frutose e gordura trans. Em vez disso, ela incorpora gorduras monoinsaturadas e poli-insaturadas saudáveis, que têm uma maior proporção de ácidos graxos ômega-3 a ômega-6. Ela inclui uma variedade de fontes de proteínas vegetais que são ricas em fibras e com baixo índice glicêmico, como feijão e outras leguminosas. É pobre em gordura animal saturada e, portanto, inclui gorduras saudáveis. A ênfase é em frutas e legumes que têm antioxidantes importantes, bem como ervas, nozes, sementes e chá verde.

Os fitoquímicos nesta dieta têm propriedades-chave anticarcinogênicas e anti-doenças cardiovasculares, promovem importantes antioxidantes (por exemplo, polifenois, flavonoides), são ricos em ácido oleico e ácidos graxos poli-insaturados e pobres em ácidos graxos monoinsaturados; tudo isso impulsiona a via anti-inflamatória e antitrombótica das prostaglandinas.

Porque esta dieta é rica em fibras e tem um baixo índice glicêmico, há uma diminuição do risco de diabetes. O maior teor de magnésio reduz a inflamação e melhora a capacidade cognitiva. Especiarias ricas em fitoquímicos, como gengibre, alho, pimenta-caiena, pimenta preta, alecrim e cúrcuma estão associadas à manutenção de um microbioma favorável. Outros fitoquímicos nessas dietas (por exemplo, ácido alfa-linolênico, betacaroteno, curcumina) oferecem importantes mediadores anti-inflamatórios.

A dieta asiática é relativamente menos estudada que a dieta mediterrânea. No entanto, o Projeto China, da Universidade Cornell, que está em andamento, avalindo aproximadamente 6.500 pessoas, demonstrou uma associação entre o consumo da dieta asiática na China rural na proteção contra muitos dos cânceres que vemos na civilização ocidental. Houve também uma diminuição na incidência de doenças cardiovasculares e uma longevidade significativamente maior. No entanto, assim que os chineses rurais se mudaram para as cidades e adquiriram a dieta ocidental, uma incidência muito maior de diabetes, câncer de mama, câncer de cólon e doença cardiovascular foi relatada.

A dieta mediterrânica anti-inflamatória foi estudada em pediatria nos últimos 20 anos. Nesse tempo, tem sido associada não apenas à redução na gravidade da asma e alergias em crianças, mas também à redução da recorrência da asma e na prevenção da asma crônica. Um estudo em uma população italiana descobriu que quanto mais cedo na vida os indivíduos aderiram a essa dieta, mais ela reduziu o risco de esteato-hepatite não alcoólica (NASH) e obesidade em crianças. O efeito também foi observado em crianças que já tinham NASH, que, no entanto, tiveram uma redução na gravidade e até mesmo uma regressão, quanto mais aderiram à dieta.

Um estudo recente publicado na revista Pediatrics ligou o transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) à dieta mediterrânea. Não está claro se aqueles com TDAH são mais propensos a consumir uma dieta não saudável, rica em fast food e alimentos processados, ou se aqueles que seguem a dieta mediterrânea têm menos risco de TDAH. Essa associação deve ser monitorada em estudos futuros.

  • As dietas tradicionais do Mediterrâneo e da Ásia têm muitas semelhanças:
  • São ricas em vegetais, com foco principal em legumes, frutas e alimentos frescos.
  • São moderadamente ricas em peixes e ácidos graxos ômega-3 associados.
  • Incluem algumas carnes magras e ovos, mas evitam alimentos processados, aromatizantes artificiais, xarope de milho rico em frutose, gordura saturada e gordura trans.
  • São ricas em antioxidantes que protegem o corpo de muitas doenças crônicas.

Há também um componente social nessas dietas, com foco em comer mais devagar e junto com a família. É uma abordagem cheia de alimentos integrais, com processamento comercial mínimo e uso de práticas mais orgânicas que minimizam herbicidas, inseticidas e resíduos tóxicos, enfatizando a interconexão entre a comida, o povo e a terra. Os adeptos sabem de onde vem a sua comida, seja através da sua própria agricultura, de suas aldeias e vizinhos locais.

A dieta mediterrânea é composta de gorduras saudáveis com gorduras monoinsaturadas, como azeitonas e azeite, nozes e sementes. Inclui especiarias, ovos e carne, mas com foco na carne branca e proteínas da soja. Também aconselha o consumo regular de água.

A dieta tradicional asiática se concentra em peixes oleosos, sopa de missô e alimentos fermentados como kimchi, picles e natto (soja fermentada) que estimulam um microbioma favorável. Isso está associado a uma menor incidência de doença do intestino irritável. Os cogumelos consumidos na dieta asiática (shiitake, enoki e shimeji-preto ou cogumelo ostra) atualmente estão sendo estudados em centros de câncer nos Estados Unidos, porque eles têm sido associados à diminuição do risco de câncer e de sua recorrência. A inclusão de ervas, guarnições medicinais, especiarias, açafrão, fenol e algas verdes, só para citar alguns aspectos desta dieta, oferecem antioxidantes importantes.

Concluiu-se com estas informações que a dieta anti-inflamatória é uma combinação de dietas mediterrânicas e asiáticas. Incorpora vegetais (4-6/dia) e enfatiza o consumo de frutas, peixes e proteínas vegetais. Inclui gorduras mais saudáveis (por exemplo, óleo de canola, azeite, sementes, nozes, abacate) que fornecem ômega-3, que promovem uma via de prostaglandina diferente que não é pró-inflamatória. Esta dieta destaca a ingestão de alimentos ricos em antioxidantes, bem como bebidas como o chá verde. Lembre-se, não se trata apenas de nutrição, mas de um estilo de vida mais saudável. Segundo a Dra. Diane Barsky, com essas dietas promove-se uma atitude duradoura de alimentação saudável, união familiar e atividade física, muito importante na prevenção de doenças crônicas e no gerenciamento de doenças inflamatórias em pediatria.

Para aqueles que procuram um recurso informativo, o Children’s Hospital of Philadelphia (CHOP) oferece uma pirâmide de dieta anti-inflamatória pediátrica em seu site, que pode ser vista no link:http://media.chop.edu/data/files/pdfs/anti-inflammatory-diet-pyramid-pfe.pdf