Armando Monteiro promete fortalecer relações comerciais com Estados Unidos

Armando Monteiro promete fortalecer relações comerciais com Estados Unidos

Novo  ministro destaca importância da reaproximação com os Estados Unidos e  do  fechamento  de  acordos  com países banhados pelo Pacífico para o Brasil conquistar novos mercados Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Novo ministro destaca importância da reaproximação com os Estados Unidos e do fechamento de acordos com países banhados pelo Pacífico para o Brasil conquistar novos mercados Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A recuperação da economia norte-americana e as dificuldades do Mercosul farão o Brasil fortalecer as relações comerciais com os Estados Unidos no segundo mandato da presidenta Dilma Rousseff. Segundo o novo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro Neto, a reaproximação comercial com os Estados Unidos e o fechamento de acordos com países banhados pelo Oceano Pacífico, como México, Peru, Colômbia e Chile, são importantes para o Brasil conquistar novos mercados em meio a complicações no Mercosul.

“Os governos têm de responder às demandas e às circunstâncias em cada momento. Temos de ajustar o foco e a estratégia e integrar-nos a outras correntes de comércio, como países da Bacia do Pacífico, e revalorizar a parceria com os Estados Unidos, que estão se recuperando economicamente e voltaram a puxar o comércio internacional”, disse.

Apesar de ressaltar que o Mercosul representa uma construção importante para o comércio exterior brasileiro, Monteiro Neto ressaltou que o bloco econômico enfrenta dificuldades por causa da falta de coordenação das políticas econômicas dos países do bloco. “O Mercosul é uma construção complexa, na medida em que existem assimetrias dentro do bloco. É um desafio construir uma união aduaneira [onde as mercadorias podem circular livremente] em meio a uma realidade em que cada país tem uma política econômica diferente, sem coordenação.”

Mesmo com as dificuldades internas do bloco, o ministro ressaltou que a retomada das discussões do acordo entre o Mercosul e a União Europeia será importante para impulsionar as exportações brasileiras. “Todos os países do bloco já chegaram a um denominador para apresentar uma proposta à União Europeia”, explicou. A próxima rodada de negociações está prevista para março.

Sem se comprometer com uma meta de exportações, o novo ministro se disse otimista com o desempenho das vendas externas em 2015. Para ele, a queda no preço das commodities (bens agrícolas e minerais com cotação internacional) deve ser compensada pelo aumento da quantidade exportada. “Teremos uma safra maior. O quantum [volume] de exportação deve crescer, compensando a perda de receita por causa dos preços.”

Na opinião do ministro, outros fatores que devem reanimar as vendas externas são a recuperação da economia americana e a retomada da atividade de plataformas de petróleo paradas para manutenção nos últimos anos. Segundo ele, o déficit da conta petróleo – diferença entre exportações e importações de petróleo e derivados – deve continuar a cair em 2015, depois de atingir US$ 16 bilhões em 2014.

O novo ministro também disse que o dólar mais alto estimulará as exportações em 2015. “A taxa de câmbio será um elemento importante. Não o câmbio nominal, mas o câmbio real [quando se divide o preço das mercadorias estrangeiras em moeda doméstica pelo preço das mercadorias nacionais]. Se considerarmos o câmbio real, o Brasil ainda tem apreciação cambial. Mesmo assim, o câmbio oferece melhores condições que há um ano”, declarou. Ele não quis informar qual taxa de câmbio considera ideal para as exportações brasileiras.

Em relação à nova equipe, Monteiro Neto anunciou o nome de Ivan Ramalho para a Secretaria Executiva do ministério. Os demais secretários e os presidentes de órgãos vinculados ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, como a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, deverão ser anunciados nos próximos oito dias.

Fonte: Agência Brasil