Ainda em testes, nova droga contra Alzheimer promete reverter demência

Ainda em testes, nova droga contra Alzheimer promete reverter demência

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MAIO/2015 – pág. 54

O que é Alzheimer

sua_saude_elaine2O Alzheimer é uma doença degenerativa cujo primeiro sintoma é a perda da memória. Com o avançar da doença, os pacientes tendem a apresentar irritabilidade, confusão mental e até comportamento agressivo. Estimativas afirmam que mais de 106 milhões de pessoas em todo o mundo terão Alzheimer em 2050, mais de três vezes o número de pessoas afetadas em 2010. A doença apresenta-se como demência ou perda de funções cognitivas (memória, orientação, atenção e linguagem), causada pela morte de células cerebrais. Quando diagnosticada no início, é possível retardar o seu avanço e ter mais controle sobre os sintomas, garantindo melhor qualidade de vida ao paciente e à família.

Seu nome oficial refere-se ao médico Alois Alzheimer, o primeiro a descrever a doença em 1906. Ele estudou e publicou o caso da sua paciente Auguste Deter, uma mulher saudável que, aos 51 anos, desenvolveu um quadro de perda progressiva de memória, desorientação, distúrbio de linguagem (com dificuldade para compreender e se expressar), tornando-se incapaz de cuidar de si. Após o falecimento de Auguste, aos 55 anos, o Dr. Alzheimer examinou seu cérebro e descreveu as alterações que hoje são conhecidas como características da doença.

Não se sabe por que a Doença de Alzheimer ocorre, mas são conhecidas algumas lesões cerebrais características dessa doença. As duas principais alterações que se apresentam são as placas senis decorrentes do depósito de proteína beta-amiloide, anormalmente produzida, e os emaranhados neurofibrilares, frutos da hiperfosforilação da proteína tau. Outra alteração observada é a redução do número das células nervosas (neurônios) e das ligações entre elas (sinapses), com redução progressiva do volume cerebral.

Estudos recentes demonstram que essas alterações cerebrais já estariam instaladas antes do aparecimento de sintomas demências. Por isso, quando aparecem as manifestações clínicas que permitem o estabelecimento do diagnóstico, diz-se que teve início a fase demencial da doença.As perdas neuronais não acontecem de maneira homogênea. As áreas comumente mais atingidas são as de células nervosas (neurônios) responsáveis pela memória e pelas funções executivas que envolvem planejamento e execução de funções complexas. Outras áreas tendem a ser atingidas, posteriormente, ampliando as perdas.

Nova droga contra Alzheimer promete reverter demência

Diminuição de determinada proteína no cérebro resultou na regulação da memória e do aprendizado; novo composto se mostrou promissor, mas ainda está sendo testado em animais. Pesquisadores da Universidade de Yale descobriram uma nova droga que pode ajudar a reverter os déficits cognitivos dos pacientes com Alzheimer. O composto TC-2153 inibe os efeitos negativos de uma proteína conhecida como STEP, que é o ponto chave para a regulação da memória e do aprendizado, as funções cognitivas deficientes no mal de Alzheimer.”A diminuição dos níveis de STEP reverteu os efeitos do Alzheimer em ratos”, disse Paul Lombroso, professor da Faculdade de Medicina de Yale e autor do estudo publicado no periódico científico PLOS Biology.

Os pesquisadores analisaram milhares de moléculas até encontrar uma que inibisse a proteína STEP. Uma vez identificados os compostos inibidores, eles foram testados em células cerebrais e em ratos-cobaia com mal de Alzheimer. O resultado mostrou que houve uma reversão dos déficits em vários exercícios cognitivos.Os pesquisadores notaram que os altos níveis de proteínas mantiveram a plasticidade neuronal, processo necessário para as pessoas transformarem as memórias de curto prazo em memórias de longo prazo. Quando o nível de proteína STEP é aumentado no cérebro, ele empobrece os locais de recepção sináptica e inativa outras proteínas que são necessárias para o bom funcionamento do cérebro. Essa perturbação pode resultar no mal de Alzheimer.” Uma única dose da droga resultou em melhoria da função cognitiva em ratos. Animais tratados com composto TC-2153 não se diferenciaram de um grupo de controle em várias tarefas cognitivas”, disse Lombroso.

A equipe agora está testando o composto em outros animais com defeitos cognitivos, incluindo ratos e primatas não humanos. “Estes estudos irão determinar se o composto pode melhorar déficits cognitivos em outros modelos animais,” disse Lombroso. “Se tivermos sucesso nos testes, estaremos a um passo de uma droga que melhora a cognição em humanos”.

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Elaine Peleje Vac
elaine@nossagente.net
(Médica no Brasil)
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