Ação Social Espírita

Ação Social Espírita

“Toda a moral de Jesus se resume na caridade e na humildade, quer dizer, duas virtudes contrárias ao egoísmo e ao orgulho. Em todos os seus ensinos, Ele (Jesus) mostra essas virtudes como sendo o caminho da felicidade eterna”. (Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. 15, item 3)

Edição de outubro/2018 – p. 26

Ação Social Espírita

No “Evangelho Segundo o Espiritismo” encontramos a caridade ao lado da humildade.

A palavra humildade vem de Húmus, que significa lama fértil que fica na beira do rio, depois das enchentes. A palavra homem também tem a mesma origem. Ser humilde é ser fértil, é fertilizar o deserto de sentimentos.

A ação social espírita sem humildade tende a fracassar, pois não estará atendendo plenamente o conceito de caridade, já que humildade e caridade formam uma dupla indissociável. A caridade só pode existir, como a caracteriza o Espiritismo, de dentro para fora da pessoa. Ela é uma pulsão que nasce em nossa essência divina e consegue vencer as puerilidades dos personalismos, para que a “voz” do Pai possa falar por nós(1). O homem atua como instrumento de Deus.

Caridade e humildade formam uma base em que se assenta a ação social espírita, e que deve ser constante. Não caridade de momento, com dia e hora marcados, como geralmente ocorre: fora daquela hora determinada, a pessoa atua com irritação, egoísmo, orgulho, prepotência. Os Espíritos superiores vivem em estado de caridade. O serviço no Bem, a caridade, é a ferramenta suprema da renovação. Todos podem e devem praticar a caridade, que é perdão, benevolência e indulgência. A pessoa que está em dificuldades materiais e que está recebendo amparo da instituição espírita deve receber todos os estímulos para usar essa abençoada ferramenta de renovação.

Outro aspecto importante nesse aprendizado é a fraternidade, sentimento que irmana as pessoas. Somos uma só e imensa família espiritual, porque somos todos filhos do mesmo Pai, que é Deus. Viver é transformar os laços materiais transitórios em relacionamentos construtivos para a eternidade. No livro dos Espíritos, item 799, Allan Kardec indaga: “Como o Espiritismo pode contribuir para o progresso?” Resposta dos benfeitores espirituais: “Destruindo o materialismo, que é uma das chagas da sociedade, ele (o Espiritismo) faz os homens compreenderem onde está o seu verdadeiro interesse. A vida futura, não estando mais velada pela dúvida, o homem compreenderá melhor que pode assegurar o seu futuro através do presente. Abolindo os prejuízos de seitas, castas e cores, ensina aos homens a grande solidariedade que os há de unir como irmãos”.

O Espiritismo leva à destruição do materialismo, ou, pelo menos, ao seu enfraquecimento, pelos fenômenos das manifestações dos Espíritos. São fatos objetivos, passíveis de comprovação por qualquer interessado. O homem não apenas crê, mas passa a saber que a vida continua depois da morte do corpo físico. Logo, seu verdadeiro interesse está no Espírito, que é imortal, permanente, e não no corpo transitório. A descoberta de que somos Espíritos e aprendermos a viver como Espíritos é muito importante para os nossos relacionamentos. Perceber o nosso potencial enquanto Espíritos. A bíblia afirma que Deus criou o homem a sua imagem e semelhança. Certamente, não segundo o corpo físico (não se pode conceber Deus como tendo uma forma, a imagem do homem), mas sim imagem e semelhança pelo Espírito. O Espírito tem todo o potencial, respeitada a devida proporção, do Criador. Os atributos do Pai: sabedoria, bondade, justiça, amor, felicidade, saúde, todas essas perfeições fazem parte da essência divina do Espírito. Esta descoberta da transcendência é fundamental para que todos se transformem em co-participantes, ou seja, para nos transformarmos em artífices de nossos destinos, de nossa felicidade.

“O amor resume a doutrina de Jesus, toda, inteira, visto que este é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso feito”(2).

Só poderemos amar havendo um verdadeiro sentimento de fraternidade entre nós. Aprender a amar-se decorre da descoberta da autotranscendência, tarefa importante, embora difícil.

1 – César Soares dos Reis – Ação Social Espírita, no livro “Visão Espírita para o Terceiro Milênio”.

2 – Lázaro – Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XI, item 8.