A questão da segurança nos EUA

A questão da segurança nos EUA

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AGO/14 – pág. 40

Foto: bentbay.dk
Foto: bentbay.dk

A análise da segurança dos residentes e cidadãos americanos tem que ser vista, primeiramente sob o prisma de sua origem religiosa e cultural. Os imigrantes vieram para os Estados Unidos com o objetivo de viverem e, também, em busca de justiça e liberdade enriquecimento. Desde o início, houve uma separação clara entre certo e errado, bandido e mocinho, tão clara nos filmes que assistíamos desde a época de nossa infância. Deus sempre esteve na vida e na base da cultura do país.

Como decorrência, as leis foram sendo feitas para dar sustentação a esta cultura. O bandido tinha que ser enforcado para benefício da sociedade. Hoje esta regra ainda impera, na maioria dos estados americanos.

Na Flórida, por exemplo, o que tirou a vida ou cometeu crime bárbaro, é condenado à morte, independentemente da idade, bastando para isso que estivesse consciente quando da prática do crime. Mais ainda: a defesa da propriedade é absoluta. Se alguém cruzar as divisas da casa, o proprietário tem direito de atirar no invasor e a polícia só tem que retirar o cadáver. Não deve nem abrir inquérito de sorte a estimular a que o cidadão se defenda.

Como neste país os homens de bem têm direito a estar armados e, não apenas os bandidos, como em outros países, os meliantes temem praticar invasões às propriedades particulares. Porém, não apenas a lei defende a comunidade. A estrutura de defesa do cidadão é favorável. As polícias armadas são municipais, além daquelas pertencentes ao condado. Esses mecanismos permitem que a população saiba de quem cobrar sua segurança.

Mais do que isto, o xerife (equivalente ao delegado brasileiro) é eleito por voto popular. Se não der segurança a população não conseguirá ser reeleito. Da mesma forma o juiz e o promotor públicos são eleitos. Se forem “clementes” com os bandidos, também não serão reeleitos. Desta forma tem-se um controle direto da população com sua segurança.

As prisões são privatizadas. Ou seja, menores custos, maior segurança,, pois se houver uma fuga as penas pecuniárias são altíssimas. Como o preso é responsável por sua manutenção, pois não seria justo que a sociedade arcasse com o seu bem-estar, todos precisam trabalhar. Geralmente, a maioria das bolas de esporte e das placas dos automóveis é feita por presidiários.

Há casos pitorescos com o de Tent City, em Maricopa. O xerife Joe Arpaio faz com que os prisioneiros usem as tradicionais roupas listradas. Como lá o calor é grande e caso os prisioneiros queiram ficar só de cueca, eles têm uma opção: usar cueca na cor de rosa. A bem da verdade até as algemas são desta cor.

Para entretenimento os presos têm televisão, mas só podem assistir desenhos animados e matérias sobre culinária.

Para diminuírem a pena, não há regime progressivo e, sim, trabalho duro. Fora das prisões devem trabalhar na abertura de estradas e fazerem serviços voltados para a comunidade. Vão para lá, homens e mulheres…todos acorrentados.

A prisão é feita em barracas (construídas pelos próprios detentos) e com isto seu custo fica pouco mais de US$ 150,000, bem aquém do custo normal de U$ 8 milhões para a quantidade de prisioneiros que tem. Não há ar-condicionado, pois entende o xerife que, se os soldados americanos que estão lutando pela liberdade do país não os têm, porque os marginais o teriam? Para atemorizar os marginais, o xerife colocou um aviso luminoso a 15 metros de altitude com o anúncio “há vagas”!

“Cerca de 93% dos crimes de mortes são elucidados em menos de 6 meses.”

Este rigor não apenas acontece na prisão, mas nas condenações. Os EUA, com 5% da população do mundo, têm quase 25% dos prisioneiros de todo o globo. São dois milhões e trezentos mil presos no país, ou seja, cerca de 751 presidiários para cada 100,000 habitantes. Cerca de 93% dos crimes de morte são elucidados em menos de 6 meses. Os crimes são crimes desde que previstos em lei, podendo ser considerados como tais vários delitos, desde roubando um sabonete ou estuprando uma criança. Aqui os deputados não têm coragem de atribuir a culpa do furto à mídia que o levou o criminoso a desejar um produto que não podia comprar.

Como em todos os países, há nos Estados Unidos uma oscilação de crime e castigo. Quando Juliane criou a tolerância zero em Nova York, ele foi eleito e reeleito. No entanto, agora que a cidade está segura e em franco progresso, uma nova proposta ganhou espaço.

Atitude considerada absolutamente normal. Como disse Machiavel, o homem está mais para o inferno do que para o céu. Se não cuidarmos, nossa vida pode se tornar um verdadeiro inferno em decorrências das excessivas concessões sociais.

Publicado originalmente na revista digital Mercado Comum.

CarloBarbieri

Carlo Barbieri
CEO do Oxford Group
cbarbieri@oxfordusa.com