A integridade e dedicação do patrulheiro Carlos Sant’Ana

A integridade e dedicação do patrulheiro Carlos Sant’Ana

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AGO/15 – pág. 31

Ele atua como xerife voluntário, responsável pela segurança de cerca de 30 mil moradores do “Hunter’s Creek”, em Orlando. Um desempenho reconhecido pela Comunidade e por autoridades americanas

CarlosSantanaVoluntario

Ele circula pelas áreas do “Hunter’s Creek”, em Orlando, executando a missão de servir os moradores com integridade, imparcialidade e honestidade. Integrante do Citizen on Patrol – com 60 membros-, o patrulheiro Carlos Sant’Ana, ex-capitão do Batalhão de Guarda do Exército em São Paulo, atua como xerife voluntário, responsável pela segurança de cerca de 30 mil moradores. Um serviço de auxílio ao Orange County, coibindo o índice criminalidade e furtos em residências. “Não faço o trabalho de um policial, não uso armas ou colete, mas o fato de a viatura do Citizen Patrol estacionar em determinada área, principalmente em parques, intimida um possível furto. Fiscalizamos as tentativas de roubos em casas, roubos e furtos de veículos e, caso seja necessário, em situação de emergência, acionamos a polícia”, avisa. “Temos uma região privilegiada porque o Hunter’s Creek foi considerado o vigésimo primeiro melhor local para se morar nos Estados Unidos. Essa referência é pela localidade e não cidade. Na Flórida apenas dois locais foram qualificados para se viver, e Hunter’s Creek está em primeiro lugar”, comenta Santana com satisfação.

Atuando em um período de até doze horas ao dia, uma vez por semana, Carlos Sant’Ana – único brasileiro na Citizen on Patrol -, explica as exigências e quesitos para exercer essa função voluntária. “Passamos por vários testes, mas antes de qualquer iniciativa, somos fiscalizados pela Interpol. Assinamos um documento autorizando a busca em nosso histórico de vida, e, não havendo empecilhos, iniciamos a fase de treinamentos. Eles precisam saber qual o seu background. Isso faz parte do processo de qualificação. Têm várias perguntas e, dependendo das respostas, você é convidados para uma entrevista. Eles indagam se você está apto a dirigir um carro de polícia. O treinamento é difícil porque você passa por várias etapas, inclusive, fazer um zigue-zaque ao volante em um espaço quadrado. Você entra em um percurso monitorado por cores. E, dependendo da cor emitida, você freia ou continua. Inicia-se o percurso com 25 milhas e termina com 55 milhas. Você pode trabalhar como motorista de viatura, caso esteja apto, ou acompanhante, no caso de não ser aprovado como condutor”, explica.

Prêmio Life Time

Determinado e atento em suas funções como patrulheiro, Carlos Sant’Ana foi condecorado com importantes prêmios em reconhecimento ao seu empenho e dedicação ao Citizen on Patrol. Ele, inclusive, ressalta que a destacada ortoga “Life Time”, que recebeu em sua trajetória, reconhece sua disponibilidade como patrulheiro em agregar conhecimentos através dos cursos que frequentou. “Dentro do departamento é feita avaliação do seu trabalho durante o ano. Em doze anos de programa, fui o segundo a receber o Life Time. Participei das opções de cursos, disponibilizadas aos patrulheiros. Disse sim a todos os treinamentos. Fiz o Residential Security Services, depois o Trafic Control. Cursei também o Parking in Force Man, que me autoriza multar os veículos estacionados irregularmente. Tenho sido ativo no meu trabalho. Exige-se do patrulheiro voluntário o mínimo de quatro horas de trabalho ao mês, mas faço mais de 50 horas no mês. Quero atingir 500 horas por ano. Essa a minha meta. Certa vez eu me acidentei e fiquei afastado de minhas funções, mas quando voltei ao trabalho recebi o Silver, que é o reconhecimento máximo do empenho e dedicação de um patrulheiro”, lembra com orgulho.

Indagado sobre os riscos de um patrulheiro no exercício de suas atividades, disse Santana que há normas estabelecidas, portanto, “não posso ultrapassar o que está determinado para evitar riscos. E todas as vezes que você foge ao que lhe é passado durante os treinamentos, você está em risco. Eu, por exemplo, não posso fazer nenhum tipo de abordagem porque não sou policial autorizado. E se eu o fizer, coloco a minha vida em risco. Todas a vezes que um criminoso nos confundir com policial, o perigo é iminente. Tenho autorização para multar veículos e o dono do carro pode surpreender e revidar fisicamente. O meu colega foi agredido. Mas, para evitar situações como essa, é preciso ter cautela, e é o que tenho feito. Você tem que ter atitude firme e educada, faz parte do treinamento. O comportamento de quem usa um uniforme é diferente. Você precisa estar limpo, barbeado e atento ao que ocorre a sua volta”, acrescenta.

Dentre as atividades que ocorrem em Orlando, os voluntários do Citizen on Patrol são requisitados para escoltar grupos religiosos em caminhadas, participar de eventos de grande massa, providenciando segurança, estacionamento e a condução de pessoas nesses ambientes. Os patrulheiros estão inseridos nessa sociabilização. “Isso é importante porque na aplicação para a documentação americana, no caso de estrangeiros, você tem que comprovar para o Departamento de Imigração que você é uma pessoa integrada na sua comunidade. E a atividade do patrulheiro atesta essa integração. Hoje eu faço parte da comunidade americana. Esse reconhecimento veio de forma natural”, enfatiza Sant’Ana. “Eu também integro o Community Emergency Response Team (CERT), um grupo treinado para atuar, no caso de terremotos, com os primeiros socorros às famílias. Fui treinado para isso, embora na Flórida o grande problema sejam os furacões e os tornados”, assegura.

Alertou o patrulheiro que a chance para integrar-se ao “Citizen on Patrol” é dada ao cidadão que esteja disponível a trabalhar voluntariamente em prol da segurança da Comunidade. “É importante informar a você que está lendo esta matéria, de que poderá fazer parte de nossa equipe. Lembrando a célebre frase do presidente John F. Kennedy, não é o que a Comunidade e o Estado podem fazer por você, mas o que você pode fazer pela Comunidade e pelo Estado. Devemos pensar seriamente na forma que poderemos ajudar este país que nos acolheu e nos deu oportunidades. Gostaria de poder contar com mais voluntários em nossa equipe, e os interessados, que tenham green card, não importa a idade, poderão entrar no site (www.ocso.com na tab voluntter patrol) e buscar as informações necessárias. É importante que cada um faça a sua parte, visitando e ajudando pessoas em hospitais, colaborando de alguma forma com o Orange County para o bem de nossa Comunidade.

Nascido em São Paulo, e vivendo há oito anos nos Estados Unidos, Carlos Sant’Ana é casado com Kátia, pai de dois filhos – Daniel e Natália-, e tem um neto, Gabriel, filho da nora americana, Sara. Ele trabalha em uma empresa de Consultoria, em Orlando, com sede no Brasil, também é membro da diretoria do centro espírita, “ Love & Charity Spiritist Center”.

Reconhecimento do Congresso

“A vantagem do nosso trabalho voluntário é o reconhecimento das autoridades”, diz o patrulheiro, “mas é preciso demonstrar interesse e aprimorar o aprendizado, disponibilizando-se de horas para agregar conhecimentos”, comenta. Durante a entrevista, Sant’Ana mostrou à equipe do “Jornal Nossa Gente”, as condecorações que recebeu de autoridades americanas, pelo ímpeto e disponibilidade ao Citizen on Patrol. Destaque para o certificado concedido pelo Congresso Americano – Certificate of Special Congressional Recognition -, em novembro de 2014, através do deputado federal, Alan Grayson, pelos serviços prestados em prol da comunidade.


WaltherAlvarenga

Walther Alvarenga