A divina revelação do Plano Espiritual

A divina revelação do Plano Espiritual

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ABR/2016 – pág. 04 e 06

Em entrevista exclusiva ao “Jornal Nossa Gente”, o ator e diretor, Renato Prieto, que viveu o médico André Luiz no longa de maior sucesso no Brasil, “Nosso Lar”, baseado na psicografia de Chico Xavier, fala da carreira e do sucesso no teatro, espetáculo visto por seis milhões de pessoas

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A Doutrina Espírita revela a existência do mundo espiritual, o destino das pessoas após a morte. E a imortalidade da alma permite a comunicação com os espíritos, seja através da psicografia, entre outros adventos, evidenciando que a vida continua além-túmulo. Livros importantes, difundidos em vários países, a exemplo de O “Livro dos Espíritos”, “O Livro dos Médiuns” e “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec, testificam o processo evolutivo no desencarne, na maioria dos casos, acalentando famílias quando na perda de um ente querido. E como profetizou William Shakespeare, “Há mais mistérios entre o céu e a terra do que a vã filosofia dos homens possa imaginar”. As pessoas que amamos, desencarnadas, segundo estudos mediúnicos, nos aguardam do outro lado da vida.

A entrevista com o ator e diretor teatral, o capixaba Renato Prieto – natural de Vitória da Conquista (ES) -, protagonista do longa “Nosso Lar”, dirigido e roteirizado por Wagner de Assis, baseado na obra homônima psicografada pelo médium Chico Xavier, sob a influência do espírito André Luiz, aconteceu em uma sexta-feira à noite, em Orlando. Na ocasião, Prieto se apresentou na cidade com um dos espetáculos mais vistos no Brasil, “Encontros (Im)possíveis, dirigido por Gustavo Gelmini e escrito por Rodrigo Fonseca, relatando as experiências espirituais do jornalista Adão, em fim de carreira, que se encontra com celebridades já falecidas, em seu apartamento, incluindo, Freud, Carmen Miranda, Marilyn Monroe, Chico Xavier, Martin Luther King e Frank Sinatra. Vale ressaltar que Renato levou seis milhões de pessoas ao teatro para assistir aos seus espetáculos espíritas. O veterano ator fala ao “Nossa Gente” com exclusividade, abordando sobre a carreira, a espiritualidade e alguns detalhes do próximo longa, “Nosso Lar 2”, que será rodado ainda esse ano.

Jornal Nossa Gente – Como você lida com a espiritualidade? Essa engrenagem espiritual, digamos assim, se processa de que forma na sua avaliação?

Renato Prieto – As evidências espirituais sempre estiveram presentes em minha vida. Deus é justo. Deus é Onipotente, Onisciente e Onipresente. E, desde pequeno, questionei o porquê de a Justiça não ser igual para todos, e que não deveria haver diferenças. No Brasil existe uma diferença cultural e moral muito acentuada. Eu queria saber o porquê dessa desigualdade social. Quando eu era criança, ocorreu um fato marcante, sempre lembrando pela minha mãe. Eu adoeci e estava acamado. A minha mãe tinha recorrido a tudo, médicos, enfim, mas minha saúde continuava debilitada. Foi quando uma mulher apareceu misteriosamente na varanda de minha casa. O estranho, segundo contou minha mãe, é que os portões estavam trancados e que ninguém poderia entrar na casa. Essa mulher, que se identificou pelo nome de Noêmia, chamou a minha mãe e lhe passou uma receita com ervas. Disse que seria muito bom para a minha recuperação. A minha mãe saiu em busca das ervas e quando voltou à mulher tinha desaparecido. Os portões continuavam trancados e as chaves estavam com a minha mãe. Eu fiquei curado, depois de ter tomado o chá receitado pela Noêmia. Eu cresci ouvindo de minha mãe que o Anjo Noêmia tinha me curado. Estudei sobre a doutrina de Allan Kardec, fiz vários cursos sobre o tema, também cursei faculdade e a minha carreira está voltada para a espiritualidade.

NG – No filme “Nosso Lar”, o seu personagem, o médico André Luiz, passa pelo Umbral e depois vai para um hospital. Como é o processo do chamado refazimento espiritual, depois da morte física?

RP – O Umbral é um estado mental onde o nível dos espíritos lá aprisionados é de rebeldia. E eles só alcançarão a elevação espiritual ao se redimirem do apego e quando estiverem afinados com a bondade. E mesmo aprisionados no Umbral, esses espíritos são visitados por espíritos socorristas, evoluídos, que lhes mostram o caminho da resignação espiritual. O Umbral são máculas de espíritos que precisam de ajuda. O André Luiz era um homem de instinto egoísta no plano terrestre. Ele só pensava em ganhar dinheiro e não pensava no próximo. Ele estudou, mas não fez uso de sua sabedoria como médico para ajudar os menos favorecidos. O André Luiz aprendeu, a duras penas, com o Plano Espiritual.

NG – Como aconteceu o personagem André Luiz na sua carreira? Você acredita na preparação do Plano Espiritual ou um acaso da profissão?

RP – Não existe o acaso. O acaso não é a providência de Deus. Eu vinha de um preparo muito bom dos espetáculos que tinha feito no teatro, como O Doce Pássaro da Juventude, de Tennesse Williams. Eu tinha participado de reuniões espíritas e realizado quatorze espetáculos diferentes sobre o tema, mobilizando seis milhões de pessoas. E através desses trabalhos ajudamos ONGs no Brasil, que ajudam pessoas necessitadas. Foi um fenômeno de massa o teatro. Eu estava fazendo, E a Vida Continua, no teatro, adaptação do romance de Chico Xavier, quando uma amiga, que também estava no espetáculo, me disse que o diretor e roteirista Wagner de Assis estava a minha procura. O Wagner foi várias vezes ao teatro para assistir ao espetáculo quando veio falar comigo sobre o personagem André Luiz do seu roteiro. Falou do Filme Nosso Lar, que iniciaria as filmagens, e me fez uma série de perguntas. Disse que eu seria o protagonista do seu filme (lembra com satisfação). E durante seis meses fiz um trabalho de treinamento com o Luiz Augusto Queiros para interpretar o André Luiz. Tive de emagrecer dezessete quilos para fazer as cenas em que o André Luiz passa pelo Umbral. Foi uma grande entrega para viver o médico.

NG – O filme foi um sucesso no Brasil, recordista de bilheteria, e o seu trabalho, inclusive, recebeu elogios da crítica.

RP – A resposta da crítica e do público, sem dúvida, foi excelente. Agora (o ator surpreende com a importante informação), vai ser rodado o Nosso Lar 2. Ainda não li roteiro, portanto, não posso lhe adiantar nada sobre o filme, mas, no momento, está sendo feita a captação final dos recursos para rodar o longa. Eu sei que setenta por cento do orçamento já foi conseguido e tudo indica que as filmagens começam em agosto ou setembro desse ano. Estou muito entusiasmado com a nova etapa do Nosso Lar 2 (pequena pausa). Fiz o filme A Menina Índigo (termo utilizado para descrever crianças que a denominada “pseudociência” e a parapsicologia acreditam serem especiais), com o Murilo Rosa e a Letícia Braga, que fala de uma menina à frente do seu tempo, com a sua inquietude. Trata-se de uma criança índigo, uma nova geração de seres especiais, seres cristais, que chegam a Terra com o dons especiais. É um trabalho muito interessante.

NG – E na questão do teatro, nos minutos antes de entrar em cena, quando o ator está se preparando na coxia, como se processa esse momento para você? Qual o seu ritual?

RP – São os dez minutos mais importantes para o ator. Eu fico quieto, não gosto de falar com ninguém. Estou compenetrado, concentrado, então penso no meu personagem, no caso do Adão de Encontros Impossíveis. Resgato a história dele, seus valores. O público precisa do meu melhor em cena, então é o momento de doar, de me doar através do meu trabalho. Claro, tenho uma preparação para isso. Eu faço yoga, corro durante quarenta minutos todos os dias, também faço terapia comportamental, portanto, a minha concentração é total. Não quero ser interpelado na hora de entrar no palco. E essa prática é em qualquer lugar do mundo. Seja no Brasil, aqui nos Estados Unidos ou na África, o meu papel como ator é fundamental. O ator, a meu ver, deveria ter entrada livre em qualquer lugar do mundo, sem restrições. Deveríamos ter uma carteira que liberasse a nossa entrada em quaisquer circunstâncias. Sou um operário da arte e a arte não tem fronteiras. Em qualquer país do mundo o trabalho do ator é reconhecido.

NG – Você atua e também dirige espetáculos no teatro. Como é o seu trabalho enquanto diretor? Qual o seu critério?

RP – Presto muita atenção no trabalho dos meus colegas e me coloco no lugar de cada um deles. Sou democrático. Faço leitura de mesa (leitura de texto), e procuro deixar todos muito à vontade. Estou atento, mas de forma pacífica porque detesto diretores que gritam com os atores. E se algum diretor gritar comigo, perco a minha estrutura de trabalho. Não gosto disso.

NG – Vou citar duas pessoas consagradas, nos seus respectivos âmbitos de trabalho, e você faça as suas considerações da forma que lhe for conveniente, tudo bem? Chico Xavier e a humorista e atriz Berta Loran.

RP – (sorri com entusiasmo) O Chico Xavier, sem dúvida, é um dos maiores seres iluminados que passou por esse planeta. Diria que ele é um homem chamado amor. Quanto a Berta Loran é uma amiga que eu adoro. Quando o Lúcio Mauro me convidou para fazer alguns quadros de humor na Globo, fiquei muito amigo da Berta, uma pessoa dócil e amável. A gente conversava muito. E quando íamos embora para as nossas casas, depois das gravações, eu, a Berta Loran e a Dercy Gonçalves voltávamos no mesmo táxi. Imagine você dividir o táxi com duas mulheres fantásticas. E a rota do táxi era assim: primeiro o motorista deixava a Dercy, depois deixava a Berta e, por último, eu ficava na Praia do Leme (no Rio). Fazíamos esse trajeto quase todos os dias, era muito divertido (sorri com saudosismo).

NG – Você fez novelas na Globo. Por que você está afastado das novelas?

RP – Fui contratado da Globo durante oito anos. Fiz ótimos trabalhos musicais com o Augusto César Vannucci e também atuei na novela Sinhá Moça, de Benedito Ruy Barbosa, nos anos oitenta. Depois fui para a Manchete fazer novela, mas isso me incomodava. A novela é um processo industrial, muito intenso. Gosto mesmo é de fazer teatro e cinema. O teatro e o cinema são artesanais e eu me identifico com isso. Talvez eu volte para a televisão, mas agora estou em um processo intenso com o teatro. Termino minhas atividades em Orlando e vou para Nova York. E quando encerrar a turnê vou à Itália e depois Portugal. Em seguida, tenho as filmagens do Nosso Lar 2, a minha agenda está bem comprometida no momento. Mas eu volto a fazer novelas desde que os horários de gravações não atrapalhem o meu trabalho no teatro. Posso gravar a semana toda, mas preciso estar liberado nos fins de semana para o teatro. Estou em busca de trabalhos desafiantes, personagens desafiantes, compreende? Gosto muito da naturalidade dessa novela do Benedito Ruy Barbosa, Velho Chico, que tem um belo roteiro. O meu amigo, Rodrigo Fonseca, que é um excelente crítico e que escreve coisas incríveis, inclusive, autor de Encontros Impossíveis, também escrevendo para o programa da Fátima Bernardes – Encontro com Fátima Bernardes -, sabe de minha busca por trabalhos de qualidade. É um jovem diretor e autor contratado da Globo, com quem converso muito, e tenho dito a ele que quando surgir um personagem interessante, do jeito que eu gosto, pode me chamar que eu vou.

NG – A peça Encontros (Im)possíveis é um sucesso de público. As pessoas se divertem e se emocionam, não é mesmo?

RP – O texto do crítico Rodrigo Fonseca realmente emociona. A peça está em cartaz há três anos e o público fica encantado com tudo o que ocorre no espetáculo. É a história do Adão, um jornalista em fim de carreira que tem encontros homéricos em seu apartamento, com personalidades que já desencarnaram. Entre tantos nomes famosos com quem ele se comunica estão Judy Garland, Gandhi e Madre Teresa de Calcutá. Algo realmente surpreendente. Gostaria de ressaltar a presença no palco do ator Vitor Meirelles.

NG – E por falar em comunicação espiritual, o que você pensa a respeito da psicografia?

RP – É um meio de comunicação espiritual muito lindo. Uma forma grandiosa de contatar nossos entes queridos, no Plano Espiritual. É muito bom saber que existem pessoas especiais, familiares e amigos desencarnados, que nos esperam no Plano Espiritual. Pessoas que amamos e com as quais podemos manter contato.

NG – E qual a sua mensagem para os emigrantes?

RP – Eu sei que muitos precisaram sair do Brasil, mas que encontraram nos Estados Unidos excelentes oportunidades de trabalho. Espero que todos possam voltar um dia ao nosso país, com todas as condições possíveis. O meu abraço a cada um de vocês com muito afeto e verdade. Saibam que vocês são pessoas excelentes, que se adaptam em qualquer lugar do mundo, mas que fazem a diferença. Quero agradecer a todos pela oportunidade que me deram de estar aqui. Vocês são os responsáveis por isso, pois abriram portas para que outros brasileiros, assim como eu, possam mostrar os seus trabalhos. O meu muito obrigado.


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Walther Alvarenga