A desigualdade econômica nos Estados Unidos

A desigualdade econômica nos Estados Unidos

Edição de setembro/2016 – pág. 19

Desigualdade econômica é o tema da agenda política dos candidatos presidenciais nos Estados Unidos. Para revelar como essa desigualdade não deveria ser considerada um problema, pelo menos na magnitude que os candidatos querem mostrar para a opinião pública, o Instituto CATO, por intermédio de um de seus maiores colaboradores e escritores – Michael Tenner – autor de 20 livros e formado em Oxford, lançou um artigo de 28 páginas, com gráficos que suportam a sua visão de melhoria do equilíbrio financeiro das pessoas na sociedade americana.

Condensando o estudo e apresentando um dos gráficos, tento apenas demonstrar como a linguagem que, às vezes, escutamos dos políticos fazem-nos pensar em abismos financeiros a que estamos acostumados a ver e conviver e acabamos fazendo um parâmetro de comparação ao Brasil. O estudo destaca que há 5 grandes mitos na abordagem das desigualdades econômicas entre as pessoas, não exatamente como apresentados pelos políticos e baseados na má interpretação de dados e mentiras.

Embora frequentemente insistem que estamos vivendo a nova “era de ouro”, o sistema econômico dos Estados Unidos já é altamente redistributivo. A política fiscal e gastos sociais reduzem a desigualdade na América. Mas mesmo se as desigualdades estivessem crescendo tão rápido quanto os críticos afirmam, não seria necessariamente um problema. Por exemplo, contrariando o que se pensa, as pessoas ricas trabalharam para fazer suas fortunas, em vez de herdá-las. Também há de se notar que relativamente poucas pessoas consideradas ricas trabalham em Wall Street ou em finanças, ou seja, a maioria delas produz, e não herda ou especula. A maior parte, portanto, fornece bens e serviços que melhoram a nossa vida. A transferência de renda pode ser menor do que gostaríamos, mas as pessoas continuam a subir e descer nessa escala.

Nos Estados Unidos, ainda é possível ver que os “pobres” são capazes de emergir da pobreza, bem como notar que há pouca relação entre desigualdade econômica e pobreza. O fato de algumas pessoas tornarem-se ricas não fará com que outras fiquem mais pobres. Embora os ricos possam realmente aproveitar conexões políticas para seu próprio benefício, há pouca evidência de que, como um grupo, eles estejam montando uma força política destinada a lesar os pobres ou evitar políticas destinadas a ajudá-los. Ademais, em vez de reduzir a desigualdade econômica, mais intervenção do governo pode até piorar a situação, uma vez que projetos, tais como aumento de impostos ou outros programas destinados ao bem-estar social, são capazes de gerar consequências inesperadas que podem causar mais mal do que bem, portanto devemos focar em implementar projetos que realmente reduzam a pobreza, em vez de atacar a desigualdade em si.

A premissa básica para o debate atual sobre a desigualdade na América foi expressa pelo economista francês Thomas Piketty em um de seus livros – editado em 2014 – “Capital no Século XXI”. Piketty argumenta que a desigualdade de renda nos Estados Unidos é tão alta como há um século e está gradativamente subindo. Seus dados (figura 1) mostram que um alto grau de desigualdade foi, de fato, a regra em boa parte da história dos EUA, mas foi reduzido rapidamente nos anos seguintes à segunda guerra mundial.

Piketty insiste que, ao longo do tempo, o retorno do capital sempre excede o crescimento global da economia. Redistribuição por camadas sociais de renda e os top 1%, 2012.

O gráfico ao lado, para mim o mais importante do estudo, mostra a quantidade da redistribuição da renda acontecendo dentro do atual sistema de impostos e sistema de transferência de renda. Em 2012, os indivíduos no quintil inferior (ou seja, os 20% mais pobres) da renda (famílias com menos de US $17.104 de renda) receberam $27.171 em média em benefícios líquidos através de todos os níveis de governo, enquanto que em média no quintil superior (famílias com renda acima de US $119.695) pagam $87.076 mais do que recebem. O top 1% pagou um pouco mais de US $812.000, em comparação àquilo que recebem do governo. Portanto, o artigo tenta provar, entre outras coisas, que existe uma inverdade quando se diz que a desigualdade nunca foi pior do que agora.

Leiam o artigo da CATO (publicado no mês de setembro) se quiserem saber mais sobre como funciona o sistema de distribuição da renda e a fase atual das fórmulas e mitos acerca desse assunto, pois ele foi baseado em mais de 90 estudos.