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O tempo paralisou durante show do Capital Inicial

O tempo paralisou durante show do Capital Inicial

No palco a magia do Capital Inicial executando os hits de uma carreira pontuada de sucessos, emocionando os que puderam vivenciar histórias vida ao som de rock’n’roll nacional. Lançado em julho de 1986, a chamada fase de ouro das bandas brasileiras – Ira!, Titãs, Ultraje a Rigor, Lobão e os Ronaldos, Metrô -, os meninos grupo despontaram com força total. Em Miami, durante o show do Capital Inicial, o pressentimento de que nada mudou. É como se o tempo parasse por algumas horas, nos remetendo em algum ponto de nossa trajetória no Brasil. E observando a alegria dos brasileiros, dançando e reverenciando os músicos, a sensação de que não estamos em 2017, ao contrário, instantes em que o coração acelera, então podemos entrar no carro e voltarmos para a nossa casa – lá no Brasil -, reencontrar nossos pais e os amigos que ficaram para trás. Exatamente isso!

Os promoters que têm realizado shows com bandas e artistas brasileiros que foram sucessos em nosso país sabem exatamente o quanto esses eventos nos beneficiam. Estou me referindo aos brasileiros que estão fora de casa há dez ou vinte anos. Em nossas lembranças ainda perduram emoções especiais. E quando assistimos uma apresentação memorável – a exemplo do show do Capital Inicial – o dispositivo da memória é acionado e voltamos ao ponto de partida, como se nada tivesse sido alterado. Estamos nos Estados Unidos, mas o ciclo é exatamente aquele em que as bandas nacionais mantinham-se no ápice. Fui Claro?

Entre os eventos realizados para brasileiros no país, o “Brazilian Day”, em Nova York, e o Brazilian Day Orlando Festival, em Orlando são acontecimentos que reunificam emoções, reintegra nossa comunidade em um único espaço, prevalecendo às cores de nossa bandeira. É exatamente isso, o mecanismo benéfico que desperta o instinto de patriotismo, que nos dá a oportunidade de vivenciar coisas da nossa cultura. Nesses episódios nos deparamos com a doce surpresa de que o tempo não avançou. Há uma sintonia, diria, o consciente coletivo de idêntica experimentação. É como aquela macarronada aos domingos, na casa de nossos pais, preparada por nossas mães, insuperável.

Experimentar outra vez pode soar algo poético, mas, na verdade, é muito mais significante do que a nostalgia. É a segunda chance de vivenciar circunstâncias que, instintivamente, eliminamos da ordem do dia, mas que permanecem intactas. Entretanto, ao toque de um acorde na guitarra, da palavra certeira ou mesmo no show do Capital Inicial podemos reencontrar o elo perdido em nossos corações, que emerge das profundezas do pensamento para nos avisar de que o tempo desacelera. A estagnação momentânea nos permite regressar ao nosso relembrável momento!