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Poder do taco
Jogadora de sinuca paulistana Silvia Taioli - Foto: Priscila Prade

Poder do taco

A jogadora profissional Silvia Taioli quer ver a sinuca reconhecida como esporte no Brasil

por Luiz Humberto Monteiro Pereira

humberto@esportedefato.com.br

Houve um tempo em que sinuca era “jogo de homem”. Mas muitas mulheres ajudaram a encaçapar os preconceitos. Mulheres como a paulistana Silvia Taioli. Ela iniciou-se no jogo ainda criança, por influência do pai, que foi jornalista e ficava esperando o fechamento da edição noturna jogando sinuca com os colegas, num bar em frente ao jornal. “Quando fiz 14 anos, ele conseguiu realizar o desejo de ter uma mesa de sinuca em casa. Como filha mais velha, começou a me ensinar e fui ‘escalada’ a participar de seus jogos com os amigos”, relembra. Aos 20 anos, quando ainda cursava Engenharia Química, começou a competir e tornou-se tetracampeã paulista e campeã brasileira. Virou instrutora em tradicionais salões paulistanos e abriu uma empresa de artigos para sinuca, além de atuar como árbitra e como comentarista de bilhar nas transmissões da ESPN. Aos 46 anos, atualmente disputa poucos torneios. “Tenho me dedicado mais à organização de campeonatos entre artistas e esportistas, sempre de cunho beneficente. Entidades como o Hospital do Câncer, GRAAC, AACD e outras foram beneficiadas pela premiação doada”, explica.

Esporte de Fato – Quais são os atrativos da sinuca?

Silvia Taioli – Apesar de origem nobre europeia, foi um jogo meio que “proibido” no início aqui no país, principalmente para mulheres e crianças. Para muita gente, ele ainda remete às partidas onde se perdia e também se ganhava muito dinheiro, em ambientes de aspecto enfumaçado e frequência duvidosa… Desde 2004, quando foi alçado à categoria de esporte pelo Comitê Olímpico Internacional, começaram a ser reconhecidos os benefícios da sinuca para a saúde. É um esporte extremamente inclusivo, no qual participam homens, mulheres e crianças de todas as idades. Permite até que os sedentários o pratiquem. Aumenta a condição cardiovascular do indivíduo, através da caminhada que se faz ao redor da mesa (em torno de 1,5 km em um jogo melhor de três partidas), queima de 250 calorias no mínimo por hora de jogo, proporciona o alongamento de coluna vertebral, braços e pernas, além de melhorar a concentração, a memória, a capacidade psicomotora e o foco.

Esporte de Fato – Como a sinuca deixou de ser um “hobbie” e se tornou sua profissão?

Silvia Taioli – Após começar a competir e ganhar alguns títulos, vi que havia um “vácuo”, quando tentava aprender novas técnicas. Foi muito trabalhoso, pois um jogador me ensinava um efeito, outro ensinava uma defesa… Atuando como árbitra de jogadores de ponta, aprendi muito também. Enfim, decidi condensar todos esses ensinamentos esparsos que tive num único curso. Com isso, vieram os pedidos de indicação de bons tacos, boas mesas, de bons equipamentos… E surgiu então minha empresa, a Silvia Taioli Snooker. Hoje somos representantes exclusivos no Brasil do tecido espanhol Gorina e da linha de produtos importados para sinuca Montante Sports. Comercializamos mesas de todos os tipos, tacos especiais, panos, giz, solas… Além disso, trabalho como instrutora nas principais casas de sinuca paulistanas, como o Atlanta Snooker, o Tati Snooker, o Recanto Snooker Bar e o Oficina Pub. Para vários alunos, a sinuca é um antídoto contra a depressão, sem efeitos colaterais.

Esporte de Fato – Dos títulos que conquistou, qual considera mais marcante?

Silvia Taioli – Meu primeiro Campeonato Paulista, em 1998. Abriu-me portas para instituir cursos de sinuca nos melhores e mais tradicionais clubes de São Paulo, tais como Clube Athlético Paulistano, Sociedade Harmonia de Tênis, Esporte Clube Sírio, Clube Alto de Pinheiros, AABB e Clube Ypê.

Esporte de Fato – Quais são os jogadores de sinuca que mais admira?

Silvia Taioli – O eterno Steve Davis, jogador inglês que, além de ser hexacampeão mundial, é um competentíssimo instrutor. Mas o atual “monstro sagrado” é o inglês Ronnie O’Sullivan, seguido do também inglês Stephen Hendry. Admiro também o bicampeão mundial de Trick Shot, uma modalidade de malabarismo, o italiano Stefano Pelinga. Entre os brasileiros, são tantos que seria até injusto citar nomes… Mas sempre apreciei demais a técnica de Roberto Carlos, jogador goiano já falecido.

Esporte de Fato – Quando a sinuca passará a ser vista como esporte no Brasil?

Silvia Taioli – Quando começar a ser encarada como em outros países mais desenvolvidos, principalmente a Grã-Bretanha e Estados Unidos. Lá o esporte é uma carreira respeitada e os melhores jogadores são tratados como ídolos nacionais. Existem grandes patrocinadores, os pais incentivam as crianças a jogar e existem muitos campeonatos, que permitem ao jogador profissional viver exclusivamente da sinuca.

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