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Pequenos negócios podem trazer grandes lucros

Pequenos negócios podem trazer grandes lucros

Edição de março/2017 – pág. 32

Em um cenário no qual o desemprego é de 4.7%, a economia americana mostra que há espaço a ser ocupado para abrir pequenos negócios, mas lucrativos.

Como o desemprego está baixo, a crescente procura por serviços especializados pode abrir espaços para que pequenos negócios se estabeleçam e tornem-se lucrativos. Basta escolher um nicho de mercado conhecido e que possa fazer um produto funcionar melhor e por um preço menor para ter grandes chances de sucesso.

Nos Estados Unidos, deve-se ganhar na quantidade e no preço baixo. Faça algo que seja 10% com valor menor e 30% melhor do que os concorrentes. Assim, o segredo do sucesso aparece. Não adianta ser o inventor da roda se não souber como comercializá-la neste mercado tão competitivo. Tenho visto exemplos de sucesso, mas infelizmente também de insucesso, sempre com as mesmas características: se o negócio oferece bom preço e boa qualidade vai para frente. Mas se oferecer algo, ainda que bom, com preço acima de mercado, o negócio acaba.

Temos um ciclo de bons homens de negócio mudando para cá. A princípio eles vêm para acompanhar as esposas que estão estudando inglês, porém, com o tempo e a visão empresarial, logo percebem que podem fazer algo lucrativo e aproveitar deste país consumista e em fase de crescimento. As opções são muitas, mas vejo as pessoas chegarem e sempre focarem em lugares comuns, como limpeza de casas, venda de carros, licença de corretagem de imóveis e serviços terciários. Sugiro experimentar as áreas de pouca oferta e muita demanda. Áreas de alguma especialização ou de muita imaginação, focos em nichos e não naquilo em que todos estão investindo. Por exemplo, casos de compra e venda de carros. Sem uma licença e sem ponto de venda, o máximo que uma pessoa pode vender por ano são 4 veículos. Então, fica o “jeitinho” daqui e dali. Por que não se estabelecer conforme manda a lei? Tirar uma licença é simples, precisa-se fazer um curso, pagar pelo bond, inspeção etc. E por que não vender alguns produtos mais específicos no ramo? Barcos, veículos comerciais, RV, máquinas, enfim… sair do lugar-comum para um nicho. Por que não buscar uma fatia de mercado, ver quem está se saindo bem e fazer algo melhor e mais barato?

Vi gente comprar máquinas de laboratório hospitalar usadas: as mais quebradas, mais danificadas e mais velhas. Gastava tempo e dinheiro arrumando e pintando para depois vendê-las para exportadores. Depois de algum tempo, esse pessoal já estava fazendo contatos diretos com os países que não podem comprar os equipamentos novos e acabam se contentando com os usados, porém com confiança nesses produtos (bem consertados e apresentados). No instante seguinte, já estavam fechando contratos com hospitais dos Estados Unidos para comprar antecipadamente as máquinas e móveis que seriam repostos por esses hospitais. A última notícia sobre eles é esta: mais de 250 funcionários, em prédio próprio com mais de 5.000 m2. Não deve ter sido fácil, pois neste país nada é fácil. Tudo é possível, mas nada é fácil.

Também vimos pessoas entregando-se à construção civil, visando reparar casas em mal estado. Logo, surgiu um mercado para casas que foram danificadas por forças da natureza, tornando-se especializado em tratar diretamente com o seguro. Não é simples chegar aonde chegaram, mas se eles encontraram um caminho, todos são capazes de encontrar o seu, desde que se dedique e conheça bem seu nicho.

Poderia citar outros casos como o de um grupo de pessoas que começou a fazer mozarela em escala artesanal na região de Brevard County. Em seguida, começou a vender em supermercados, comprou um imóvel em Orlando, transformou a operação em uma indústria com direito à inspeção do FAA e aprimorou a marca. Já em outro patamar de distribuição, atingiu vendas na casa dos seis dígitos e acabou sendo comprada por uma grande companhia do ramo que entendeu que o produto teria progresso e chances de expansão. Precisou de um pouco de ousadia, muito trabalho e competência para fazer um produto de boa qualidade com preço um pouquinho melhor do que os concorrentes.

Além desses, poderia citar vários exemplos, mas o que queria transmitir é o otimismo do que se pode conseguir, aquilo que faz ganhar dinheiro pela competência e trabalho. Ser honesto ajuda muito, mas tem que fazer o dever de casa. É preciso atravessar momentos ruins, mudar de curso quando necessário, trocar de mentalidade quando as coisas não estiverem indo conforme o esperado para ter-se a chance de ganhar dinheiro.

Qual é o limite? Isso não tem teto neste país.

Na semana passada, os fundadores do AIRBNB levantaram U$ 1 Bi para investir na companhia, já avaliada em mais de $30 Bi. Em 2009, quando foi fundada, quem poderia imaginar que isso seria possível? Quando fundaram a empresa, nem o mais otimista dos sócios poderia esperar alcançar esse nível de negócio. Airbnb transformou-se na maior empresa hoteleira do mundo sem ter um imóvel próprio. Assim como o Uber transformou-se na maior frota de táxi do mundo sem ter um único veículo próprio.

Não há fórmula para se atingir o sucesso. Se eu soubesse de uma, usá-la-ia em benefício próprio, porém tenho certeza de que se muitos céticos e reticentes quanto aos resultados acreditassem um pouco mais nos seus talentos e fossem persuasivos, teríamos muitas histórias para contar em vez de se lamentar por causa das pedras que são encontradas no caminho.

Tenho sempre a vitrine do caso da “Vita Coco”, que nasceu da pergunta de um rapaz americano para a namorada brasileira sobre o que ela mais sentia falta entre os produtos brasileiros nos Estados Unidos e, ela, por ser cearense, falou sobre a água de coco. Nas férias em Fortaleza, esse jovem americano desenhou uma caixinha para a água de coco, pediu dinheiro emprestado para toda a família, mandou fazer dois contêineres com água envasada nas caixinhas desenhadas e enviou para Miami. Sem nenhum conhecimento dos regulamentos sanitários, descobriu que o produto não poderia ser vendido nos Estados Unidos sem ter sido aprovado pelo FAA. Para legalizar, isso demoraria e custaria muito, o que faria com que a validade do produto se esgotasse. Em vez de achar que estava tudo acabado, despachou o produto para as Bahamas, onde poderia ser comercializado, alugou um carro e vendeu – do porta-malas do carro – todo o estoque. Recuperou o que havia gasto e repetiu o que tinha feito, porém, desta vez, com a aprovação do FAA. Encurtando a história, há menos de um ano, vendeu uma parte da empresa para a Red Bull por uma proporção da avaliação da empresa que foi de U$ 600 milhões. Hoje já se fala que vale mais de U$1 bi. Quantos de nós poderíamos ter feito isso? Quantos, porém, teriam desistido no primeiro empecilho quando o FAA impediu de vender nos Estados Unidos?

Quem sabe se nós já não desistimos de projetos iguais por não acreditarmos em nós mesmos ou por criticar o sistema e achar que a sorte não está do nosso lado. Pense um pouco mais positivo, trabalhe muito e confie no sistema. Aqui é o país onde essas coisas acontecem. Boa Sorte!